Efeito Matilda

Efeito Matilda

“Imagem retirada das anotações de Rosalind Franklin, sobre a descoberta DNA de dupla hélice”


Expressão cunhada em 1993 por Margaret W. Rossiter, o Efeito Matilda surgiu para denunciar os casos em que trabalhos realizados por mulheres são atribuídos a homens, ou casos em que a participação das mulheres nesses trabalhos é diminuída[3]

O termo “Efeito Matilda”, por sua vez, é uma homenagem à sufragista Matilda Joslyn Gage, escritora do ensaio “Woman as an Inventor” (A mulher enquanto inventora), publicado em 1883. O ensaio elenca contribuições femininas à ciência e protesta contra a ideia de que as mulheres não terem genialidade para invenções. Margaret Rossiter questiona em seu artigo o porquê das conquistas femininas não receberem um reconhecimento semelhante ao de pesquisadores homens.

Como exemplo de mulheres que tiveram seus trabalhos atribuídos a homens, temos casos como o de Lise Meitner, responsável por descobrir a fissão nuclear, a qual teve sua descoberta atribuída a Otto Hahn; Rosalind Franklin, cujos resultados de suas pesquisas determinaram a proposta da estrutura de dupla hélice do DNA,  tendo seus dados sido utilizados por James Watson para a produção (escrita) dos artigos dele, e estes não a citavam. Também há o caso de Alice Ball, pesquisadora que desenvolveu o primeiro tratamento bem-sucedido contra a hanseníase e teve sua descoberta atribuída a Arthur Lyman Dean, chefe do departamento no qual Alice trabalhava.

Situações como essas não acontecem há pouco tempo.  Margaret Rossiter nos mostra diversos exemplos, desde o século XI, com Trotula de Salerno, uma médica (escritora sobre anatomia) que teve seus trabalhos atribuídos a diversos homens, ocasionando questionamentos sobre a própria existência de Trotula, até chegarmos a casos como o de Rosalin Franklin, já citado antes. 

Há consequências que afetam as cientistas até os dias atuais. Autores homens citam mais publicações de outros do mesmo sexo; isso parece não afetar de forma tão drástica. Entretanto, Bem Barres, neurobiólogo e professor, conta, como antes de realizar sua redesignação de gênero, os artigos que assinava com seu antigo nome, Barbara, eram considerados superficiais, enquanto os que assinava como Ben, eram considerados mais concisos, apesar de serem realizados pela mesma pessoa[2].

O Efeito Matilda pode ainda ser associado ao “Efeito Mateus”, no qual cientistas renomados recebem créditos excessivos em comparação a colegas mais jovens na carreira, assim como naquele efeito, cientistas homens, recebem créditos demasiados comparados às cientistas mulheres.

Há muito que pode ser feito para que o Efeito Matilda seja erradicado. Em principal, divulgar sobre a existência e suas consequências pode ajudar a trazer esse tema em pauta e conscientizar as pessoas a respeito, visto que não só existem casos de atribuições de trabalhos errôneas, como também a divulgação de mulheres na ciência ainda é baixa. Na internet, ao pesquisarmos por cientistas homens encontramos diversas fontes e referências sobre seus feitos. Entretanto, ao pesquisarmos por mulheres, é mais difícil encontrar fontes e divulgações a respeito das contribuições que elas realizaram para a ciência, mesmo que muitas vezes, essas contribuições tragam muitas mudanças para esta.

Texto por: Mariana Carachinski

Referências: 

[1]“‘Efeito Matilda’ esconde as mulheres na história da ciência”, disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/efeito-matilda-afasta-mulheres-da-historia-da-ciencia-entenda.html. Acessado no dia: 16/12/2019.

[2] “O Efeito Matilda”. Disponível em: https://www.momentumsaga.com/2014/01/o-efeito-matilda.html. Acessado no dia: 16/12/2019;

[3]“EFEITO MATILDA: POR QUE MULHERES SÃO MENOS VALORIZADAS NA CIÊNCIA? ”. Disponível em: http://www.abc.org.br/2019/02/27/efeito-matilda. Acessado no dia: 16/12/2019;

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