Resenha: Crime e Castigo

Resenha: Crime e Castigo


Autor do livro: Fiódor Dostoiévski

Gênero:  Romance, Ficção Policial

Ano de publicação: 1866

   A obra “Crime e Castigo” deixa mesmo em seus primeiros capítulos um gosto amargo de uma obra que, por ser muito bem produzida, consegue lhe fazer sentir na pele o que o protagonista passa. E não, mesmo que você, leitor, simpatize com o protagonista Raskólhnikov, em determinados pontos da obra, não significa concordar com todos os pensamentos e ações desse personagem – que parece se colocar acima de tudo e todos. 

   Durante as quinhentas e dez páginas desta edição traduzida, Dostoiévski nos conta a respeito de um ex-estudante isolado que deixou os estudos por dificuldades financeiras, e agora, luta para se manter com o pouco que recebe de sua mãe. Raskólhnikov acreditava ter um futuro imenso pela sua frente, mas, dizia-se impedido pelo financeiro, e desde as primeiras páginas o protagonista trazia o seu sentimento de frustração evidente em cada uma das moedas contadas. 

   Em muitos momentos, no livro, é notado o quanto o protagonista tem um pensamento egocêntrico e o quanto seu orgulho afeta até mesmo suas relações pessoais. Não posso dizer que simpatizei com ele, mas é claro, posso dizer que entendi cada um dos passos que o levaram ao ato que culminou na sua queda. A filosofia de Raskólhnikov, em minha opinião, foi muito bem abordada pelo autor do livro, com ela, como já antes ressaltei, conseguimos entender os motivos pelos quais o protagonista age como age. 

   O ex-estudante dizia-se ateu, pois não acreditava que existia um Deus vivo, ou zelando pelas pessoas – um dos motivos que considero importantes para a descrença era a própria situação que ele se encontrava -, na realidade ele idolatrava personagens históricos como Napoleão e César, acreditando que eles fizeram o que foi preciso para seu benefício sem se importar com vidas consideradas inferiores as deles. Com isso, chegamos ao ponto: Raskólhnikov acreditava que existiam pessoas consideradas inferiores intelectualmente não só a Napoleão e César, mas também a ele; uma destas pessoas, a qual penhorava objetos cobrando juros altíssimos, era uma velha viuva. O protagonista procura os serviços de penhor dessa viúva já no início da narrativa, e desde lá, podemos sentir explicitamente uma apatia entre os dois.    

   A respeito de minha experiência, o livro é lento em suas primeiras quase cem páginas quando chegamos ao ato que dá início a palavra “Crime” que nos é introduzida no título. A partir deste momento, ainda demora um muito para termos de verdade uma movimentação de ação no livro, mas, quando ela chega, te prende de uma forma que em pouco tempo você já está nas últimas páginas da narrativa. De modo geral, pude sentir com este livro foi um misto de emoções, que envolveram desde um certo desconforto na leitura até uma curiosidade de continuar e ver quais seriam os próximos passos a partir do marco. 

   Em certos pontos, me decepcionei, pois grande parte dos personagens que nos são apresentados também acabam em um momento sendo desenvolvidos. Mas com desenvolvidos, não significa evoluídos, muitos, até mesmo o protagonista, não parecem ter um grande crescimento de pensamento dentro da narrativa. 

   Crime e Castigo é em geral uma obra marcante, que nos introduz a uma mente criminosa de um modo discreto em seu início. É claro, como toda obra tem seus pontos fortes e fracos, mas esta não deixa de ser um clássico, que com certeza, eu recomendo a todos. A aqueles que se interessarem, e quiserem saber um pouco sobre a história antes de iniciar uma leitura, deixem seus comentários.

Autora da resenha: Mariana Carachinski.

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