
Mario Molina
Nascido na Cidade do México em 1943, José Mario Molina-Pasquel y Henríquez, conhecido globalmente como Mario Molina, consolidou-se como um dos cientistas mais influentes do século XX ao desvendar os mecanismos químicos que protegem e ameaçam a vida na Terra. Desde a infância, Molina demonstrou uma paixão incomum pelas ciências naturais, transformando um banheiro desativado de sua casa em um laboratório improvisado. Essa curiosidade precoce o levou a cursar engenharia química na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), prosseguindo, mais tarde, com seus estudos avançados na Alemanha e, finalmente, obtendo seu doutorado em físico-química pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. O ponto de virada de sua carreira ocorreu na Universidade da Califórnia em Irvine, onde uniu forças com o professor F. Sherwood Rowland na década de 1970. Intrigados pelo destino dos clorofluorcarbonetos, compostos químicos conhecidos como CFCs, amplamente utilizados na época em sprays aerossóis, geladeiras e sistemas de ar-condicionado. Os dois pesquisadores iniciaram uma investigação detalhada sobre o comportamento dessas substâncias na atmosfera; eles descobriram que os CFCs, por serem extremamente estáveis, não se decompunham na baixa atmosfera, mas subiam lentamente até a estratosfera. Lá, ao serem bombardeados pela radiação ultravioleta do Sol, essas moléculas se rompiam e liberavam átomos de cloro, que por sua vez destruíam de forma catalítica as moléculas de ozônio. A conclusão era alarmante: a camada que protege o planeta dos raios ultravioleta nocivos estava sendo severamente corroída pela atividade industrial humana. A publicação desses resultados em 1974 na revista Nature não foi recebida com aplausos imediatos; pelo contrário, Molina e Rowland enfrentaram um ceticismo feroz e uma forte resistência da indústria química, que tentou desacreditar o estudo. Sem se deixar intimidar, Molina assumiu o papel de cientista e cidadão, saindo do isolamento do laboratório para alertar governos, a mídia e a opinião pública sobre a urgência do problema. A persistência dos cientistas, somada à confirmação visual posterior do “buraco na camada de ozônio” sobre a Antártida na década de 1980, forçou a comunidade internacional a agir. Esse esforço culminou na assinatura do Protocolo de Montreal em 1987, um tratado global histórico que determinou a eliminação progressiva dos CFCs e que hoje é considerado o acordo ambiental internacional mais bem-sucedido da história. O reconhecimento máximo de sua contribuição veio em 1995, quando Mario Molina foi laureado com o Prêmio Nobel de Química, dividindo a honraria com Sherwood Rowland e o cientista holandês Paul Crutzen. Ele se tornou o primeiro cidadão mexicano a receber o Nobel nessa categoria. Longe de se aposentar após a premiação, Molina utilizou sua visibilidade e seu prestígio para ampliar o escopo de sua atuação, dedicando as décadas seguintes ao estudo da poluição atmosférica nas grandes metrópoles e tornando-se um defensor incansável do combate às mudanças climáticas globais. Ele atuou como conselheiro de política científica para diversos governos, incluindo o comitê de assessores de ciência e tecnologia do presidente Barack Obama nos Estados Unidos, e fundou o Centro Mario Molina em seu país natal para buscar soluções sustentáveis em energia e meio ambiente. Referências:
Mario Molina faleceu em outubro de 2020, na mesma Cidade do México onde abrira os olhos para a ciência pela primeira vez. Seu legado permanece não apenas nos tratados que ajudou a moldar, mas também como o exemplo definitivo de que a pesquisa científica rigorosa, quando aliada ao senso de responsabilidade social, possui o poder concreto de salvar o planeta e garantir o futuro das próximas gerações.
1. Brasil Escola (UOL)
FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Clorofluorcarboneto (CFC). Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/clorofluorcarboneto-cfc.htm. Acesso em: 20 maio 2026.
2. Nações Unidas (UNEP)
UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). About the Montreal Protocol. OzonAction. Disponível em: https://www.unep.org/ozonaction/who-we-are/about-montreal-protocol. Acesso em: 20 maio 2026.
3. Science History Institute
SCIENCE HISTORY INSTITUTE. Mario Molina. Scientific Biographies, 2023. Disponível em: https://www.sciencehistory.org/education/scientific-biographies/mario-molina/. Acesso em: 20 maio 2026.
4. The Nobel Prize (Site Oficial)
THE NOBEL PRIZE. Mario Molina – Facts. NobelPrize.org. Nobel Prize Outreach AB 2026. Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/1995/molina/facts/. Acesso em: 21 maio 2026.
5. Revista Superinteressante (Abril)
GARATTONI, Bruno; MOTOMURA, Marina. Mario Molina: o cientista que ajudou a salvar a camada de ozônio. Superinteressante, 2020. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/mario-molina-o-cientista-que-ajudou-a-salvar-a-camada-de-ozonio/. Acesso em: 21 maio 2026.
6. Enciclopédia Britannica
ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA. Mario Molina. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Mario-Molina. Acesso em: 21 maio 2026.