
Henrietta Swan Leavitt
Henrietta Swan Leavitt foi uma astrônoma norte-americana que revolucionou a cosmologia e ficou famosa por seu trabalho sobre estrelas variáveis, que Edwin Hubble utilizou para calcular a distância entre as galáxias [1]. Nascida em 4 de julho de 1868 em Lancaster, Massachusetts, ela era a mais velha de sete filhos de um pastor congregacionalista. Sua infância foi marcada pelo ambiente religioso e por valores familiares fortes, antes de se mudar com a família para Cambridge, Massachusetts, onde cursou o ensino médio e começou a se interessar pela ciência [1]. Iniciou o ensino superior no Oberlin College em 1885. Mais tarde, transferiu-se à Society for the Collegiate Instruction of Women, que se tornaria o famoso Radcliffe College. Em seu último ano de faculdade, descobriu a astronomia e acabou se apaixonando instantaneamente pela área. Em 1895, começou a trabalhar de forma voluntária no Harvard College Observatory. Em 1902, o diretor do observatório, Edward Charles Pickering, a contratou definitivamente. Henrietta fazia parte de um grupo de mulheres contratadas para realizar cálculos matemáticos repetitivos e analisar chapas fotográficas de vidro no céu noturno. Elas recebiam um salário baixíssimo, de cerca de 30 centavos de dólar por hora, inferior ao de um trabalhador fabril da época. Com pouco tempo de observatório, foi designada para chefiar o departamento de fotometria estelar, medindo e catalogando o brilho das estrelas [2]. Henrietta focou suas análises nas Nuvens de Magalhães, galáxias satélites da Via Láctea. Lá, ela catalogou milhares de estrelas variáveis, cujos brilhos oscilam com o tempo. Ao analisar as Cefeidas, um tipo específico de estrela pulsante, Henrietta percebeu um padrão matemático claro em 1908. Em 1912, ela publicou sua grande descoberta: quanto maior o brilho real da Cefeida, maior era o tempo de pulsação. Já que todas as estrelas da Nuvem de Magalhães estavam praticamente à mesma distância da Terra, a variação aparente do brilho delas correspondia à variação real do brilho. Tal descoberta permitiu a criação de uma “régua cósmica“. Sabendo o tempo que uma estrela demorava para pulsar, os cientistas podiam calcular exatamente a que distância ela estava. A descoberta da senhora Leavitt foi a ferramenta que permitiu ao astrônomo Edwin Hubble provar que o universo é infinitamente maior do que imaginávamos e que a Via Láctea não está sozinha, mudando para sempre nossa visão sobre o cosmos [3]. Por volta de 1892, antes de suas descobertas, a astrônoma começou a enfrentar os efeitos de uma perda auditiva precoce, ainda aos 24 anos. Embora não se tenha registros médicos exatos, historiadores apontam que a causa mais provável dessa perda auditiva tenha sido a febre reumática ou a escarlatina, complicações comuns da época que costumavam deixar sequelas graves no sistema auditivo. A condição foi progressiva e severa. Em poucos anos, Henrietta ficou completamente surda, além de ficar com a saúde fragilizada pelo resto da vida [4]. Em 1924, o renomado matemático sueco Gösta Mittag-Leffler percebeu o tamanho do impacto do trabalho de Henrietta. Fascinado pela lei que ela havia descoberto por meio das estrelas Cefeidas, ele decidiu que ela deveria ser indicada ao Prêmio Nobel de Física de 1926 [3]. Disposto a oficializar a indicação, Mittag-Leffler escreveu uma carta para o Observatório de Harvard em 1925, pedindo mais detalhes sobre os trabalhos e a vida de Henrietta. Porém, a resposta não foi o que ele esperava. A carta foi recebida por Harlow Shapley, o novo diretor do observatório, que enviou uma resposta inesperada a Mittag-Leffler: Henrietta Leavitt havia falecido quatro anos antes, em dezembro de 1921, vítima de um câncer de estômago. Como o Comitê do Nobel possui uma regra histórica que proíbe premiações póstumas, a indicação de Henrietta foi cancelada imediatamente. Henrietta Swan Leavitt não pôde ouvir os sons do mundo ao seu redor, mas foi a única capaz de sintonizar a música matemática do cosmos. Ela foi apagada pelos livros de história por décadas, mas seu legado brilha sempre que um telescópio aponta para o espaço profundo. Ela não ganhou uma medalha de ouro na Terra, mas seu nome está gravado para sempre na história da ciência [5]. Autor: Carlos Eduardo Proença REFERÊNCIAS: [1] AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA. História: Henrietta Leavitt. Disponível em: https://www.gov.br/aeb/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/instagram-do-periodo-de-defeso-eleitoral-2022/historia-henrietta-leavitt. Acesso em: 22 junho. 2026. [2] CENTER FOR ASTROPHYSICS | HARVARD & SMITHSONIAN. Remembering Astronomer Henrietta Swan Leavitt. Disponível em: https://www.cfa.harvard.edu/news/remembering-astronomer-henrietta-swan-leavitt. Acesso em: 22 junho. 2026. [3] ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA. Henrietta Swan Leavitt. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Henrietta-Swan-LeavittAcesso em: 22 junho. 2026. [4] INSIDE ADAMS. Henrietta Leavitt, How She Loved the ‘Clouds’. Disponível em: https://blogs.loc.gov/inside_adams/2019/12/henriettaleavitt/ Acesso em: 22 junho. 2026. [5] Henrietta Swan Leavitt. NATIONAL WOMEN’S HISTORY MUSEUM. Disponível em: https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/henrietta-swan-leavitt. Acesso em: 22 junho. 2026.