Hiparco de Nicéia (190 a.C -120 a.C)

Hiparco de Nicéia (190 a.C -120 a.C)


   Posterior a importantes cientistas da antiguidade como Aristóteles, Eratóstenes e Apolônio, Hiparco de Nicéia foi um grande matemático, astrônomo e geógrafo grego que viveu no século II a.C. Teve muitas contribuições para a trigonometria e astronomia, tendo principalmente como base os conhecimentos babilônios [1]. 

   Hiparco nasceu em Nicéia, na região da Bitínia, onde hoje é a atual Turquia. Passou parte de sua vida em Alexandria, e algumas observações astronômicas creditadas a ele sugerem que estava na ilha de Rhodes no final de sua vida [2]. 

   Apesar de várias referências a antigas obras escritas por Hiparco, apenas uma delas é conhecida hoje, que se trata de um comentário sobre a obra Phainomena, de Eudoxo e Arato de Soli. Assim, muito de seu trabalho só é conhecido devido a ser citado e ter servido de base para o Almagesto, obra escrita por Ptolomeu no século II d.C [1,2]. 

   Na Babilônia a contagem era feita com um sistema numérico de base 60, que era considerado muito bom devido possuir muitos divisores, o que facilitava os cálculos. Pensando nisso, Hiparco foi quem dividiu a circunferência em 360 partes iguais, que é um número múltiplo de 60. Essas partes foram chamadas de graus. Cada grau foi dividido em 60 partes iguais, os minutos de arco, os quais novamente foram divididos em 60 partes, formando os segundos de arco [3]. E essa divisão é utilizada até hoje, não é à toa que Hiparco é considerado o pai da trigonometria. 

   Na astronomia Hiparco teve muitas contribuições. Uma delas foi a medida da duração de um ano. Utilizando suas observações, e também observações de Aristarco de Samos feitas em 280 a.C e dados babilônios, Hiparco calculou que um ano teria a duração de 365 1⁄4 dias [2]. Além de, utilizando trigonometria e um eclipse lunar, ter determinado que a distância até a Lua seria entre 62 e 74 vezes o raio da Terra, onde o valor fica entre 57 e 64 [3]. 

   Hiparco também elaborou um dos primeiros catálogos de estrelas. Seu catálogo possuía a posição e a magnitude do brilho de cerca de 850 estrelas. O brilho era separado em uma escala invertida que ia de 1 à 6, quanto maior a magnitude, menor era o brilho, outro padrão usado até hoje [4]. 

   Mas um dos feitos mais impressionantes de Hiparco foi ter descoberto a precessão dos equinócios. Este fenômeno ocorre devido à inclinação do eixo da Terra, e também devido ao fato de ela não ser perfeitamente esférica. Assim, as forças gravitacionais do Sol e da Lua exercem um torque que faz com que o eixo da Terra tenha um movimento de precessão, como o de um pião parando de girar. Isso causa um efeito que é a mudança da posição das estrelas no céu ao longo do tempo  [5]. 

   Comparando suas observações do céu com as de Timocharis, feitas 166 anos antes, Hiparco percebeu uma variação de posição de cerca de 2° entre as estrelas. Concluindo então que existia um movimento de precessão de cerca de 46 segundos de arco por ano, quando o valor mais aceito hoje é de 50.26 segundo  de arco por ano. O que impressiona é que este movimento é muito sutil, e uma precessão completa tem a duração de 25770 anos [5]. 

   Apesar de seus feitos e descobertas, Hiparco rejeitou o modelo heliocêntrico, o qual afirma que os astros orbitam o Sol, e não a Terra, proposto por Aristarco no século 3 a.C. Naquela época, o consenso entre os astrônomos gregos era de que a Terra era o centro do Universo, e os corpos celestes tinham órbitas perfeitamente circulares. Esse é um dos possíveis motivos para Hiparco ter rejeitado a ideia heliocêntrica, mesmo com observações que colocavam em cheque o modelo geocêntrico, como o movimento retrógrado de alguns planetas e suas variações de brilho [1]. 

   Em agosto de 1989 a Agência Espacial Europeia lançou ao espaço um telescópio astrométrico, que tinha como objetivo catalogar e medir o movimento de estrelas. Então, em homenagem a Hiparco de  Nicéia, o telescópio foi nomeado como Hipparcos [6,7]. 

Autor: Cristhian Gean Batista Guimarães 

Referências: 

[1] VIOLATTI, Cristian. Hipparchus of Nicea. World History Encyclopedia. 2013. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Hipparchus_of_Nicea/. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[2] O’CONNOR, J; ROBERTSON, E. Hipparchus of Rhodes. MacTutor History of Mathematics Archive. 1999. Disponível em: https://mathshistory.st-andrews.ac.uk/Biographies/Hipparchus/. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[3] AUTOR DESCONHECIDO. Hiparco de Nicéia. Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva. 2008. Disponível em:http://www.esaas.com/grupos/matematica/estagios/Paginas/HiparcoDeNiceia.htm. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[4] FILHO, Kepler. Astrometria. Astronomia e Astrofísica – UFRGS. 2018. Disponível em: http://astro.if.ufrgs.br/telesc/astrometria.htm. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[5] FILHO, Kepler; SARAIVA, Maria. Precessão do Eixo da Terra. Astronomia e Astrofísica – UFRGS. 2016. Disponível em: http://astro.if.ufrgs.br/fordif/node8.htm. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[6] AUTOR DESCONHECIDO. Hipparcos overview. ESA. Disponível em: https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/Hipparcos_overview. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

[7] AUTOR DESCONHECIDO. The Hipparcos Space Astrometry Mission. Cosmos ESA. Disponível em: https://www.cosmos.esa.int/web/hipparcos. Acesso em: 12 de julho de 2021. 

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