Irène Joliot-Curie (1897-1956)

Irène Joliot-Curie (1897-1956)


   Irène Joliot-Curie foi uma física e química francesa, nascida em 12 de setembro de 1897 na cidade de Paris. Provavelmente você já deve ter ouvido esse sobrenome, não é mesmo? Bem, isso não é por acaso, seus pais são os renomados cientistas Pierre Curie e Marie Curie, ambos laureados com o prêmio Nobel de Física pela descoberta da radioatividade no ano de 1903. Mas se você acha que apenas os pais de Irène garantiram um Nobel estão muito enganados! Neste texto vamos falar um pouco sobre a vida desta incrível mulher e suas contribuições para a ciência.

   Desde muito cedo Irène demonstrou grande afeição pela matemática, Marie logo percebeu as habilidades da filha, desta forma decidiu que Irène merecia um ambiente mais desafiador. Em conjunto com outros renomados cientistas fundaram “A Cooperativa”, um sistema de ensino que tinha como o intuito lecionar o aprendizado básico científico, aulas de idiomas e conhecimentos de auto expressão. Isto serviria para que os seus filhos e de seus parceiros obtivessem uma educação de excelência.

   Após dois anos na cooperativa, Irène retornou a um sistema de ensino tradicional no Collége Sévigné.  Após concluir seus estudos na educação formal, ingressou na Faculdade de Ciência da Universidade de Paris, no ano de 1914. Porém, devido a eclosão da primeira guerra mundial as universidades foram fechadas, fazendo com que Curie suspendesse seus estudos.

   Ao completar seus 18 anos, Curie se une a sua mãe, que na época servia como enfermeira e operadora de máquinas de raios X móvel, equipamento que foi desenvolvido por seus próprios pais, com o intuito de auxiliar os médicos a localizar fragmentos de balas nos corpos de soldados feridos. Os aparelhos de raios X utilizados na época eram pouco sofisticados, e deixava tanto Irène quanto sua mãe  expostas a grandes doses de radiação.

   Em 1917, Irène retorna a seus estudos, mas desta vez no Instituto Curie, onde se tornou doutora no ano de 1925. Sua tese aborda a emissão de raios alfa do polônio, elemento químico descoberto por seus pais. Ainda neste mesmo ano, Irène recebeu um assistente em seu laboratório, Frèdéric Joliot, um jovem engenheiro químico, com o qual acaba desenvolvendo um relacionamento amoroso. No ano de 1926 Curie se casa com Frédéric e esta união lhes concebeu dois filhos, Helene (1927) e Pierre (1932).

   Irène e seu esposo  tornaram-se grandes parceiros de pesquisa, e, juntos, estudaram o núcleo atômico. Seus experimentos apontaram a existência de partículas como o pósitron e o nêutron. Entretanto, houve uma falha ao interpretar os resultados obtidos, fazendo com que algum tempo depois, Carl David Anderson e James Chadwick registrassem tal descoberta.

   Em 1934, o casal Joliot-Curie realizou uma descoberta, a qual os rendeu o prêmio Nobel em Química de 1935. Esta pesquisa trata da síntese de novos elementos radioativos, a qual trouxe grandes avanços na medicina da época. Logo após sua premiação, Irène recebeu o convite para lecionar na Faculdade de Ciência de Sorbonne, em Paris, instituição onde sua mãe também lecionou.

   No ano de 1946 ocupou o cargo como diretora do Instituto do Rádio, fundado também por sua mãe, tornando-se comissária de energia atômica. Ainda no ano de 1946, aconteceu um acidente em seu laboratório: Uma cápsula de polônio acabou explodindo e este acontecimento junto de anos em exposição à radiação, trouxeram a Curie o desenvolvimento de uma leucemia, a qual, infelizmente, a levou a  óbito no ano de 1956, uma incrível cientista com 58 anos de idade.

   Irène trouxe grandes contribuições para a ciência e mesmo com todo preconceito e discriminação por ser mulher, em uma época onde o machismo era ainda mais poderoso e normalizado que nos dias atuais, ela não se deixou abalar. Cravou seu nome na história, entre os melhores, garantindo para a família Curie o terceiro Prêmio Nobel. Sua história, assim como de sua mãe, é marcada por dedicação, luta e perseverança e serve de exemplo e inspiração para todas as mulheres. O lugar de mulher é onde ela quiser, seja na oficina, na cozinha ou no laboratório fazendo ciência.

Autora: Lorraine G Fiuza de J

Referências:

[1] FEREGUETTI, Larissa. Mulheres que mudaram a engenharia e a ciência: Irène Joliot-Curie. Engenharia 360. Disponível em: https://engenharia360.com/mulheres-ciencia-irene-joliot-curie/. Acesso em: 15 nov. 2020.

[2] IRÈNE Joliot-Curie, Nobel de Química, 1935. Meninas e Mulheres nas Ciências – UFPR. Disponível em: https://meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com/2020/09/irene-joliot-curie-nobel-de-quimica-1935.html. Acesso em: 15 nov. 2020.

[3] IRÈNE JOLIOT-CURIE. Royal Society of Chemistry. Disponível em: http://www.rsc.org/diversity/175-faces/all-faces/irene-joliot-curie/. Acesso em: 15 nov. 2020

[4] IRÈNE Joliot-Curie. Biografia. NobelPrize. Disponível em: https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/1935/joliot-curie/biographical/. Acesso em: 15 nov. 2020

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