Resenha: Guantánamo Boy

Resenha: Guantánamo Boy


Autora: Anna Perera.

Ano de publicação: 2009. 

   Ao lermos Guantánamo Boy, pode parecer que o livro trata de temas distantes, entretanto, aos poucos podemos perceber o quão próximo eles estão de nossas vidas. Nesse romance, escrito pela inglesa Anna Perera, conhecemos a história de Khalid, um jovem de 15 anos, muçulmano, distante dos assuntos que corriam pelo mundo, mesmo em uma época tão polêmica como após o atentado às torres gêmeas, em setembro de 2001.

   Khalid tem um choque de realidade quando, durante uma repentina viagem ao Paquistão, é confundido com um terrorista. O que era para ser uma visita familiar, acaba tornando-se um de seus piores pesadelos. Sequestrado e torturado, Khalid sente em sua pele como é passar pelas mais desumanas formas de tratamento. Lá, o garoto perde a noção de quanto tempo se passa, os dias parecem nunca terminar e é sujeito a diversas noites sem dormir. Isso, até ser enviado para Guantánamo prisão norte-americana em território cubano.

   Apesar de contar uma história fictícia, o livro se baseia em fatos históricos que realmente ocorreram. Apenas um ano após o ataque às torres gêmeas, a famosa prisão de Guantánamo já abrigava detentos capturados do Afeganistão, chegando a abrigar mais de 700 muçulmanos no ano de 2003; nos próximos anos, foram relatados e documentados abusos de autoridade, diversos métodos de tortura aos detentos, como transporte em jaulas, confinamentos no escuro, manter prisioneiros a temperaturas extremas, abusos e também a privação de comida.

   Quando se trata do livro, a mensagem é bem retratada: o romance traz à tona diversos questionamentos sobre as formas de tratamento aos quais Khalid presencia, e nos faz observar todas as sensações do protagonista, propositando colocarmo-nos em seu lugar. Toda a história é tratada com seriedade pela autora, como ela mesmo disse: “Apenas por meio de histórias entendemos questões que às vezes são difíceis de compreender. Para mim, os livros ajudam as pessoas a conhecer o mundo onde vivem, a valorizá-lo e a pensar na própria existência. O que eu quero é que os jovens percebam a proximidade entre suas vidas e os assuntos que estão nos jornais todos os dias. ”. Nesse romance, conseguimos enxergar até que ponto é possível chegar a intolerância humana e como assuntos que parecem não nos afetar podem acabar transformando nossas vidas.

Autora da resenha: Mariana Carachinski.

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