Niels Bohr – O Sherlock Holmes da Física Atômica

Niels Bohr – O Sherlock Holmes da Física Atômica

“Se a Mecânica Quântica não te assustou, então você não a entendeu ainda.”

            Niels Henrick David Bohr, considerado uma das figuras mais fascinantes da física contemporânea e um dos pais da bomba atômica, foi nomeado em 1922 o ganhador do Prêmio Nobel de Física “por suas pesquisas sobre estrutura de átomos e a radiação que emana a partir deles”.

            Bohr nasceu em Copenhague (Dinamarca), no dia 7 de outubro de 1885. Seus trabalhos contribuíram decisivamente para a compreensão da estrutura atômica e da física quântica. Era filho de Christian Bohr, professor de fisiologia na Universidade de Copenhague e de Elem Bohr. Foi casado com Margrethe Norlund, com quem teve seis filhos.

            Niels Bohr completou os seus estudos superiores em física na Universidade de Copenhague, onde obteve seu doutorado em 1911. Depois de ter surgido como uma promessa firme no campo da física nuclear, ele foi para a Inglaterra para expandir seus conhecimentos no Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge, sob a tutela de Sir Joseph John Thomson (1856-1940). Não muito animado com o trabalho, Bohr decidiu deixar o Laboratório Cavendish e ir para a Universidade de Manchester, onde ele teve aulas com Ernest Rutherford (1871-1937), onde expandiu seu conhecimento sobre a radioatividade e os modelos do átomo.

           Depois disso, os dois cientistas construíram uma estreita colaboração, apoiada por fortes laços de amizade. Rutherford tinha desenvolvido uma teoria para o átomo que era inteiramente válida a nível especulativo, mas que não poderia ser sustentada dentro das leis da física clássica. Bohr, em uma demonstração de ousadia que era imprevisível em sua natureza tímida e retraída, ousou superar os problemas que dificultam o progresso de Rutherford com uma solução arriscada: identificou a posição dos elétrons ao redor do núcleo atômico, estabelecendo que ele se desloca sempre em determinadas órbitas estáveis ou quânticas. Deduziu que um átomo tem um conjunto de energia disponível para seus elétrons, isto é, a energia de um elétron em um átomo é quantizada. Esse conjunto de energias quantizadas mais tarde foi chamado de níveis de energia. Com essas constatações Bohr aperfeiçoou o modelo atômico de Rutherford conhecido como modelo do sistema planetário, onde os elétrons se organizam na eletrosfera na forma de camadas.

          Em 1913, Niels Bohr havia alcançado status de celebridade mundial no campo da física e publicou uma série de ensaios que revelou o seu modelo particular da estrutura dos átomos. Três anos mais tarde, o cientista dinamarquês voltou para sua cidade natal para uma posição como professor de física teórica; e em 1920, graças ao prestígio internacional que tinha adquirido por seus estudos e publicações, tem os subsídios necessários para a fundação do chamado Instituto Nórdico de Física Teórica (mais tarde chamado Instituto Niels Bohr), cuja direção assumiu de 1921 a data sua morte (1962). Em 1922, o ano em que Bohr finalmente se estabeleceu como um cientista de renome mundial com a obtenção do Prêmio Nobel, nasceu seu filho Aage Bohr, que seguiu os passos do pai e trabalhou com ele em várias investigações. Seu filho também possuía doutorado em física e foi, como seu pai, professor universitário e diretor do Instituto Nórdico de Física Teórica, recebendo o Prêmio Nobel em 1975.

        Imerso em sua pesquisa sobre o átomo, Niels Bohr enunciou em 1923, o princípio da correspondência, e em 1928 acrescentou o princípio da complementaridade. Nos anos trinta, Niels Bohr passou longos períodos nos Estados Unidos, onde tomou as primeiras notícias da fissão nuclear. Voltou a Dinamarca e foi eleito presidente da Academia Real de Ciências da Dinamarca (1939). Estabeleceu-se em Copenhague, onde continuou pesquisando e lecionando até 1943, após a ocupação alemã, ele teve de abandonar sua terra natal por causa de suas origens judaicas. Sua vida e a de sua família tornou-se tão ameaçada que ele foi forçado a partir para Suécia. Poucos dias depois, Bohr refugiou-se nos Estados Unidos e, sob o pseudônimo de Nicholas Baker, começou a cooperar ativamente no chamado Projeto Manhattan desenvolvido em um laboratório em Los Alamos (Novo México), o que resultou na produção da primeira bomba atômica. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ele voltou para a Dinamarca voltando a assumir o comando do Instituto Nórdico de Física Teórica.

           Foi Pioneiro na organização de simpósios e conferências internacionais sobre o uso pacífico da energia atômica, e em 1951 publicou um manifesto assinado por mais de uma centena de cientistas, que afirmava que as autoridades devem garantir a utilização da energia atômica para fins pacíficos. Devido a esses posicionamentos, em 1957 recebeu o Prêmio Átomos pela Paz, organizado pela Fundação Ford para promover a investigação científica, visando ao progresso humano. Bohr foi um dos pais fundadores do Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear (CERN), atual Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.

           Diretor, desde 1953 do CERN, Niels Bohr morreu em Copenhagen, no Outono de 1962, aos setenta e sete anos de idade, depois de deixar impresso algumas obras valiosas, tais como Teoria de espectros e constituição atômica (1922), Luz e Vida (1933), A teoria atômica e descrição da natureza (1934), O mecanismo de fissão nuclear (1939) e Física Atômica e do Conhecimento Humano (1958).

Texto por: Nicole Moura

Referências:

[1]http://www.biografiasyvidas.com/biografia/b/bohr.htm

[2] http://super.abril.com.br/ciencia/niels-bohr-o-sherlock-da-fisica-atomica

Fonte da imagem de destaque: Site Nobel Prize; Niels Bohr – Facts; Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/physics/1922/bohr/facts/>. Acesso em: 11 jul 2019.

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