
O mistério dos 95% de matéria escura e energia escura do universo
A matéria escura é uma substância hipotética de natureza desconhecida, cuja existência é deduzida pelos seus efeitos gravitacionais no universo. O universo é composto por 25% de componentes desconhecidos, sobre os quais ainda sabemos pouco, e apenas 5% de toda a matéria que conhecemos. A matéria escura não interage com a luz, sendo impossível observá-la diretamente. Temos evidência de sua existência por meio da atração gravitacional que exerce sobre as galáxias e do movimento das estrelas. A partir de uma certa distância, a velocidade orbital se mantém constante, indicando a presença de uma massa invisível nas bordas das galáxias. Ainda não temos certeza do que a matéria escura pode ser, mas temos algumas hipóteses, como objetos supermassivos compactos ou partículas hipotéticas, como os neutrinos inertes. O primeiro indício da matéria escura surgiu em 1933, quando o astrônomo Fritz Zwicky notou que as galáxias do Aglomerado de Coma se moviam tão rapidamente que se dispersaram caso existisse apenas a matéria visível. Para explicar a atração gravitacional que as mantinha unidas, ele deduziu a existência de uma massa invisível, batizando-a de ‘matéria escura’. Ignorada por quase 40 anos, essa teoria só foi consolidada na década de 1970 pela astrônoma Vera Rubin. Ao investigar galáxias espirais, Rubin provou que a velocidade orbital das estrelas nas extremidades permanecia constante, confirmando de forma indiscutível que as galáxias estão envoltas por imensos halos invisíveis de matéria escura. Além disso, existe a energia escura, uma forma hipotética de energia que compõe aproximadamente 70% da energia e da matéria totais do universo, cuja principal proposta é explicar sua expansão acelerada. A primeira evidência da energia escura surgiu no final dos anos 1990, quando duas equipes de astrônomos observavam Supernovas do Tipo Ia para medir o quanto a gravidade estava desacelerando a expansão do Universo. Surpreendentemente, eles notaram que essas estrelas pareciam menos brilhantes e, portanto, mais distantes do que o previsto. Isso provou que a expansão cósmica não estava desacelerando, mas sim acelerando. Para explicar como o espaço se expande, vencendo a força gravitacional da matéria, deduziu-se a existência de uma força repulsiva que preenche o vazio, batizada de ‘energia escura’ — uma descoberta revolucionária que rendeu aos pesquisadores o Prêmio Nobel de Física em 2011. Em suma, a distinção fundamental entre essas duas grandes incógnitas da física atual reside em suas consequências distintas para a evolução do Universo. Ao passo que a matéria escura impacta o cosmos por meio da gravidade, auxiliando na formação e coesão de estruturas como galáxias e seus aglomerados, a energia escura está associada ao aumento da velocidade de expansão do Universo. Juntas, essas duas partes compõem quase a totalidade da energia do cosmos, cerca de 95%, e sua essência ainda permanece um mistério. Dessa parcela total, estima-se que a energia escura representa cerca de 70%, enquanto a matéria escura representa cerca de 25%. Assim, a matéria comum, também conhecida como bariônica, que forma planetas, estrelas, organismos vivos e todas as outras estruturas que podemos observar, constitui somente aproximadamente 5% de tudo o que existe no Universo. Autor: Mateus Antônio Pilonetto REFERÊNCIAS: [1] HELERBROCK, Rafael. “O que é matéria escura?”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-e-materia-escura.htm. Acesso em 07 de agosto de 2026. [2] BBC NEWS BRASIL. [O que é energia escura, um dos grandes mistérios do Universo]. BBC News Brasil, Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-50413488. Acesso em: 7 ago. 2026. [3] FRANCIOLLE, Marcello. O que é energia escura? Gaia Ciência, 26 abr. 2021. Disponível em: https://gaiaciencia.com.br/o-que-e-energia-escura. Acesso em: 7 ago. 2026.