Escravidão: Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil

Escravidão: Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil

Autor: Laurentino Gomes

Ano de publicação: 2021

Gênero: História

   Escravidão: Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de Dom João ao Brasil, é o segundo volume da trilogia Escravidão, escrita por Laurentino Gomes, um jornalista e escritor maringaense. Nesse livro o autor passa por todo um contexto histórico, embasado em intensa pesquisa jornalística, para elucidar como foi a escravidão negra no Brasil e nas Américas entre a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais, e a chegada de Dom João VI e sua corte à Baía de Guanabara em 1808. Nos capítulos iniciais do livro, Laurentino, mostra um grande temor mas também um grande alívio para os portugueses que aqui estavam, nesse vasto lugar: a descoberta de ouro nas beiras de nossas fronteiras. 

    No ano de 1750, foi firmado pelos reis, João V, de Portugal, e Fernando VI, da Espanha, o Tratado de Madri, seu objetivo principal era reorganizar os domínios desses dois reinos aqui na América, suspendendo o antigo acordo, o Tratado de Tordesilhas. Essa nova ordem, pôs a fronteira do Brasil um pouco mais adentro no continente, deixando-a mais parecida à atual. Isso possibilitou que a Coroa Portuguesa descobrisse ouro nas terras ermas que hoje compreende o estado de Minas Gerais, essa notícia que rapidamente se espalhou, foi de grande alegria e aflição para os portugueses, afinal era ouro, mas certamente os espanhóis tentariam tirar um pedacinho para eles. 

   Foi essa descoberta de ouro que novamente alavancou a escravidão transatlântica, afinal era necessária mão de obra cativa para extrair todo esse ouro descoberto, nas palavras de André de Melo e Castro, vice-rei do Brasil em 1739 “Sem negros não pode haver ouro, açúcar nem tabaco.”. Durante todo o século XVIII, cerca de 600 mil escravizados foram trazidos para as minas de ouro e diamantes de cidades como Diamantina, esse número representa cerca de 20% do total de africanos escravizados trazidos para o Brasil nesse período, 600 mil pessoas tiradas de suas terras, famílias e culturas. 

   Mais adiante no livro, mostra-se que começou nas minas o ápice e o declínio de Portugal, animados pela descoberta, começou a pompa e a festa no palácio de Mafra em Lisboa, muito foi gasto, além do que já era antes. Centenas de milhares de contos de réis foram gastos em escravos e equipamentos para que os chefes das minas dessem início ao trabalho. Com o passar do tempo as coisas foram decaindo, diversos conflitos na Europa, no Brasil e na África, foram esvaziando os cofres portugueses pouco a pouco, numa taxa maior do que o próprio ouro e as pedras preciosas podiam preencher. 

   Na Europa, Portugal era constantemente pressionado pelos iluministas que estavam surgindo aos montes, além dos revolucionários na França e posteriormente pelos ingleses. Já no Brasil, a situação nas minas ia se complicando, muito dinheiro era gasto com fiscalização para que os impostos sobre o ouro fossem pagos, e mesmo assim muito ouro era desviado por diversos meios, enterrando, escondendo e até colocando em imagens de santos ocas feitas de madeira, o famoso santo do pau oco. Por fim, na África, conflitos entre o reino de Daomé e o reino Oió, os dois mais poderosos reinos africanos na costa atlântica, diminuíram por certo período o tráfico negreiro transatlântico. 

   Ao final da obra, Laurentino aborda o fim de mais um ciclo de exploração portuguesa no Brasil, sendo esse basicamente o último. Na transição do século XVIII para o XIX, muitos fatores deixaram Portugal de joelhos, um deles foi o movimento abolicionista que estava ganhando notoriedade, fazendo com que as autoridades reais da Coroa Portuguesa ficassem apreensivas de isso gerar uma revolução escrava no Brasil, tal como foi no Haiti nos anos de 1791 a 1804.  Outro desses fatores foi o esgotamento das minas de ouro e diamante do Brasil, os impostos pesados que Portugal impunha fez com que as minas acabassem mais rápido do que se esperava, porém, a derrama continuou, enfraquecendo-se a cada ciclo. Por fim, a tomada do poder por Napoleão, autoconsagrado Imperador da França, fez com que Dom João VI viesse fugido para o Brasil, abandonando seu reino à própria sorte enquanto Napoleão não era contido pela Inglaterra.

Autor da resenha: Juan Rattes de Brito.

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