Resenha: Dom Casmurro

Resenha: Dom Casmurro


Autor: Joaquim Maria Machado de Assis

Gênero: Romance, Ficção, Realismo Literário

Ano de publicação: 1899

   Dividido em cento e quarenta e oito capítulos curtos, Dom Casmurro é uma das grandes obras de seu autor, Machado de Assis. Esse romance é narrado por Bento Santiago, ou, como é narrado já no início do livro, Dom Casmurro, cujo nome  por conveniência se tornou o título da obra:

       “Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Também não achei melhor título para minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. ”

   A história contada pelos olhos de Bento tem um teor jurídico, vendo que nosso protagonista já era formado em direito na época em que escreveu. Dessa forma, ele se usa de artifícios para colocar em pauta sua insegurança e ciúme relacionados a sua amiga de infância, Capitu. Assim, desenvolve desde o início do livro, a pergunta que só iria fazer em sua última página, e na qual ronda os pensamentos de Dom Casmurro.

       “Como vês, Capitu, aos catorze anos, tinha já ideias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois; mas eram só atrevidas em si, na prática faziam-se hábeis, sinuosas, surdas, e alcançavam o fim proposto, não de salto, mas aos saltinhos. ”

   Ao iniciarmos o livro, somos apresentados por Bento a sua mãe e viúva, Dona Glória; e a sua promessa de tornar seu filho um padre, a qual mais tarde, leva o narrador protagonista a frequentar o seminário e lá conhecer Escobar (desde então seu melhor amigo). Entretanto, existem também diversos outros personagens que já no início nos são apresentados, e se tornam importantes para desenvolver o pensamento de nosso narrador no momento em que ele escreveria o livro. Um deles é José Dias, que descreve os olhos de Capitu como sendo de “cigana oblíqua e dissimulada”, característica que vemos citada por Bento em outros momentos ao decorrer da trama.

   Em suma, não darei mais informações sobre a história, apesar desta ser muito comentada e seu dilema final percorrer a literatura nos intrigando verdadeiramente (afinal, não há resposta para este). Acho melhor nesta resenha apenas cultivar a vontade de ler e saber mais sobre como Dom Casmurro consegue ser articuloso e usar dos artifícios com quais descreveu Capitu em suas ideias atrevidas; dessa forma, de saltinhos, objetivando nos convencer que sua insegurança e pensamentos a respeito de sua mulher e seu melhor amigo estavam corretos.

   Esse livro não é só uma experiência literária, acredito que seja também uma experiência reflexiva sobre como uma história pode ter versões diferentes se contada por pessoas diferentes. Bento, acredita fielmente em sua versão, chegando a levar esse problema até mesmo para a relação com seu filho e para o resto de sua vida. Todavia, só poderíamos saber como as coisas realmente se sucederam, se tivéssemos também a versão de Capitu e de Escobar. 

   A todos que se interessaram por essa obra sensacional, desejo uma ótima leitura. E para aqueles que já tiveram essa experiência literária comentem conosco o que acham sobre o dilema deixado para nós por Machado de Assis.

Autora da resenha: Mariana Carachinski

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