Resenha: Lolita

Resenha: Lolita


Autor: Vladmir Nabokov.

Ano de publicação: 1955.

Gênero: Romance.

“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta.

Ela era Lo, apenas Lo, pela manhã, um metro e quarenta e cinco de altura e um pé de meia só. Era Lola de calças compridas. Era Dolly na escola. Dolores na linha pontilhada. Mas nos meus braços sempre foi Lolita.”

   Aos olhos de alguém que não conhece a história, as passagens iniciais do livro Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, que acabaram de ser citadas, tratam-se de uma história de amor, daquelas sonhadas por qualquer pessoa que almeja encontrar sua alma gêmea. E, de certa forma, realmente é. O problema reside no fato de que a pessoa apaixonada, isto é, o narrador, Humbert Humbert, é um homem com mais de 40 anos de idade, ao mesmo tempo em que sua amada, a qual ele se refere como Lolita, possui 12 anos, ou seja, é apenas uma criança.
   Ao julgar pela forma como o protagonista declara seus sentimentos em relação à Lolita, o leitor pode acabar se encontrando em uma situação, digamos, confusa, ou seja, pode acabar não compreendendo o porquê alguém com a idade de Humbert Humbert se declara de tal forma a uma criança. Essa incompreensão é totalmente compreensível. Porém, é por este fato que a obra de Vladmir Nabokov é considerada uma das mais importantes e influentes do século XX. Nela, o protagonista descreve sua paixão, ou melhor, obsessão, por uma garota de 12 anos. Essa descrição é feita totalmente a partir da perspectiva daquele, o que acaba levando, em alguns casos, mesmo que de maneira involuntária, à comoção, por parte do leitor, às desavenças e decepções “amorosas” que o personagem acaba enfrentando no desenrolar da história. Isso se deve, principalmente, à forma poética com a qual os fatos são narrados. Além disso, o que torna a história mais interessante é que o protagonista admite, desde as páginas iniciais, sentir atração por garotas entre 9 e 12 anos de idade, ou seja, admite ser pedófilo. E como se não bastasse, ele ainda argumenta a seu favor, apresentando acontecimentos do seu passado que possivelmente o levaram a ser quem é no momento, como, por exemplo, a perda (morte) de um amor de infância.
   O escritor, Vladmir, nasceu em uma família nobre, em abril de 1899, na cidade de São Petersburgo. Sua família fugiu para a Alemanha em 1919 por causa da Revolução Russa. Estudou na Trinity College, Cambridge. Viveu, a princípio, em Berlim (Alemanha) e nos Estados Unidos, onde lecionou disciplinas de Literatura Russa e Entomologia. Além disso, dominava três idiomas: russo, inglês e francês.
   O livro Lolita é um livro cuja história foi muito bem escrita. E ao que da para perceber, não se trata inteiramente de um romance, mas também de uma tragédia. Tendo em vista sua importância, não só literária, mas também por levantar questões éticas, culturais e políticas, recomendo fortemente a leitura dessa obra. Mas realço antecipadamente que a leitura irá, no mínimo, causar um certo desconforto durante sua leitura, principalmente nos momentos em que, ao estar envolto pela narrativa do protagonista, você se lembra de que Lolita, a garota pela qual ele é obcecado, é apenas uma criança.
Autor da resenha: Felipe Leria Stefenon.

1 comentário

  • Excelente resenha !
    Confesso que iniciei a leitura de tal obra com um certo preconceito, e isso, obviamente fez com que no início eu não conseguisse desfrutar de tudo que o Vladmir, através de Humbert Humbert adjunto a Lolita, estava me oferecendo.

    Foi difícil enxergar esta obra como um romance, mas ao desenrolar da história, ao visualizar que há uma malícia de ambas partes, tudo fica mais fácil.

    Essa devera ser mais uma leitura obrigatória !

    Sara Barros Responder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *