Beatriz Barbuy

Beatriz Barbuy

   Beatriz Leonor Silveira Barbuy nasceu em 16 de fevereiro de 1950, na cidade de São Paulo. Ainda adolescente, despertou sua paixão pela astronomia após ler o livro Um, Dois, Três… Infinito do físico russo George Gamow (1904 – 1968). A obra a inspirou a ponto de mudar do curso clássico para o científico no ensino médio, decidida a seguir a carreira de astrônoma [1].

   Formou-se bacharel em Física em 1972, pela Universidade de São Paulo (USP), obteve o título de mestre em Astronomia em 1976, pelo Instituto Astronômico e Geofísico da USP (IAG/USP), e, em 1982, concluiu o doutorado (Docteur d’État ès Sciences Physiques) pela Universidade de Paris VII [2].

   Após retornar ao Brasil, Beatriz Barbuy passou a integrar o corpo docente do IAG/USP, onde se tornou professora titular em 1997 e desenvolveu pesquisas na área da astrofísica estelar [2]. Seu trabalho é voltado, principalmente, ao estudo da evolução química do Universo, com ênfase na composição de estrelas antigas da Via Láctea e de galáxias distantes. Suas pesquisas contribuíram para a identificação de algumas das estrelas mais antigas da nossa galáxia, com idades estimadas em 12,5 bilhões de anos [3].

   O impacto de sua carreira é evidenciado por inúmeros prêmios e reconhecimentos. Em 2009, foi uma das cinco laureadas com o prêmio internacional L’Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência, em reconhecimento à sua contribuição para o entendimento da vida das estrelas [4]. No ano anterior, em 2008, recebeu o Prêmio Trieste, concedido pela Academia Mundial de Ciências (TWAS) [3]. No Brasil, foi agraciada com o Prêmio Carolina Bori “Ciência & Mulher” em 2022, na área de Engenharias, Exatas e Ciências da Terra [5].

   Entre 1999 e 2010, a cientista coordenou um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para a construção de um espectrógrafo para o Observatório Austral de Pesquisa Astrofísica (SOAR), localizado no Chile. Além disso, Beatriz também esteve à frente do Instituto do Milênio para Evolução de Estrelas e Galáxias na Era dos Grandes Telescópios, que tinha o objetivo de desenvolver capacidades nacionais em instrumentação astronômica de alto nível [3].

   Outras atividades internacionais importantes de Barbuy incluem a participação em comitês de programas de observação do telescópio espacial Hubble nos anos de 1995 e 1999 e do espectrógrafo Keck-NIRSPEC nos anos de 1999 e 2001 [2]. Foi eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) em 2002 [2] e da Academia de Ciências da França em 2006 [6]. Além disso, ocupou o cargo de vice-presidente da União Astronômica Internacional (IAU), uma das mais importantes organizações da astronomia mundial [7].

   Ao longo de sua carreira, Beatriz Barbuy consolidou-se como uma das mais influentes astrônomas do país, contribuindo de forma decisiva para o avanço do conhecimento sobre a evolução estelar e a formação das galáxias. Além de suas contribuições científicas, seu compromisso com a formação de jovens pesquisadores e a consolidação da astronomia no Brasil fazem dela uma referência na história da ciência nacional. Seu legado segue inspirando novas gerações e ampliando as fronteiras da pesquisa astronômica no país e no mundo.

Autor: Angelo Zanona Neto.

Referências:

[1] Grecco, D. Perfil: Gente do Céu. Folha de São Paulo, 2004. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u715.shtml. Acessado em 29 de julho de 2025.

[2] Beatriz Leonor Silveira Barbuy. Academia Brasileira de Ciências. Disponível em: https://www.abc.org.br/membro/beatriz-leonor-silveira-barbuy/. Acessado em 17 de julho de 2025.

[3] Pivetta, M.; Zorzetto, R. Beatriz Barbuy: No rastro das primeiras estrelas. Pesquisa FAPESP, 2013. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/beatriz-barbuy-no-rastro-das-primeiras-estrelas/. Acessado em 29 de julho de 2025.

[4] Prêmio L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência. Academia Brasileira de Ciências, 2009. Disponível em: https://www.abc.org.br/2009/03/20/premio-loreal-unesco-para-mulheres-na-ciencia/. Acessado em 29 de julho de 2025.

[5] Beatriz Barbuy é a vencedora do 3º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” na área de Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), 2022. Disponível em: https://portal.sbpcnet.org.br/noticias/beatriz-barbuy-e-a-vencedora-do-3o-premio-carolina-bori-ciencia-mulher-na-area-de-engenharias-exatas-e-ciencias-da-terra/. Acessado em 29 de julho de 2025.

[6] Brasileira na Academia de Ciências da França. Agência FAPESP, 2006. Disponível em: https://agencia.fapesp.br/brasileira-na-academia-de-ciencias-da-franca/6479. Acessado em 29 de julho de 2025.

[7] Member information: Dr. Beatriz Barbuy. International Astronomical Union. Disponível em: https://www.iau.org/Iau/Shared_Content/Contacts/ContactLayouts/Profile.aspx?ID=27782. Acessado em 29 de julho de 2025.

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