Física e a cerveja

Física e a cerveja

Foto por: Mourad Mokrane de FreeImages


   A cerveja é um dos produtos mais consumidos no cotidiano do brasileiro. É por meio dela que muitas vezes surgem os mais intensos debates, que vão desde política e religião, até os assuntos mais banais que possa imaginar. No entanto, a cerveja geralmente fica fora do foco desses debates. Para contornar esse problema, e dar a devida atenção a ela, a seguir estão descritos alguns fenômenos físicos que podem ser observados quando o assunto é cerveja.

   Uma questão que, provavelmente, todas as pessoas já observaram, mas não deram a devida atenção, é o fato da espuma da cerveja possuir uma coloração diferente da cerveja em si. Analisando a espuma, percebe-se que a mesma é formada por uma quantidade muito grande de pequenas bolhas. Uma bolha (de sabão, por exemplo), se vista de perto, apresenta cores em sua superfície devido interferências que a luz sofre ao ser refletida nas diferentes camadas que constituem a superfície da bolha. No caso da espuma da cerveja, essas “cores de interferência” produzidas em cada bolhas, se sobrepõem e, quando vistas de uma distância “normal”, produzem a cor branca que é observada. [1]

   Outra questão é: por que, quando aberta, a garrafa de cerveja, apresenta em seu gargalo, uma nuvem branca (popularmente chamada de “fumacinha”)? Isso ocorre pois, ao abrir a garrafa, o gás que está em seu interior a uma pressão maior que a pressão externa, sai rapidamente. Esse processo exige uma quantidade significativa de energia. A única energia disponível para tal processo, é a energia térmica do gás. Com isso, ao perder energia térmica, o vapor d’água presente no gás se condensa e forma a nuvem branca. [1] 

   Mas além da nuvem branca, ao abrir uma garrafa, às vezes percebe-se um fenômeno muito mais “catastrófico”, que é o congelamento da cerveja, o qual ocorre mesmo com o produto estando líquido antes do recipiente ser aberto. Isto acontece, pois, como qualquer material, a cerveja possui uma temperatura específica, denominada temperatura de solidificação, para a qual ocorre a passagem do estado líquido para o estado sólido (congelamento). Essa temperatura depende, dentre outros fatores, da pressão a que o líquido está submetido, de forma que quanto maior esta for, menor será a temperatura necessária para que ocorra o congelamento. Portanto, quando a garrafa de cerveja está fechada, a pressão interna da mesma é maior que a pressão atmosférica (externa). Com isso, a cerveja pode ser submetida a temperaturas menores das que poderia ser submetida se estivesse em pressão ambiente. Quando a garrafa é aberta, a pressão interna cai rapidamente, se equiparando com a pressão atmosférica. Isso resulta em um aumento da temperatura necessária para que ocorra o congelamento. O problema é que o líquido continua com a mesma temperatura em que se encontrava inicialmente, ou seja, agora ele se encontra abaixo do ponto de solidificação. Combinando isso com o surgimento de bolhas no interior no líquido, o estado de equilíbrio metaestável, no qual o sistema se encontra, é perturbado.  Resultado: a cerveja congela. [1,2]

   No entanto, a cerveja que está neste estado, pode congelar antes mesmo da garrafa ser aberta, devido a choques mecânicos ou a outras perturbações, como segurar o casco pela lateral. Portanto, uma forma de evitar o congelamento da cerveja, é manusear a garrafa com cuidado e carinho, sem movimentos bruscos e choques com outros objetos. Ademais, é só apreciar e beber com moderação.[2]

Texto por: Felipe Leria Stefenon.

Referências:

[1] J. Walker, The flying circus of physics. Cleveland State University, 2ª ed., 2007.

[2] vestibulandoweb. Porque a cerveja congela se pegarmos no meio da garrafa. Disponível em: https://www.vestibulandoweb.com.br/quimica/teoria/por-que-cerveja-congela-pegarmos-meio-da-garrafa.asp. Acesso em: 16 de março de 2020.

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