Patronato Irati discute suas ações com parceiros

Patronato Irati discute suas ações com parceiros

A universidade produz saberes e, ao mesmo tempo, transforma esse conhecimento em ações práticas. Nesse sentido, a partir dos seus princípios extensionistas, a Unicentro sempre busca agir de acordo com as necessidades da comunidade em que está inserida. Um dos projetos de extensão desenvolvidos pelo campus Irati da instituição é o Patronato, que é o Programa Estadual de Municipalização da Execução de Penas em Meio Aberto. Atuando em conjunto com a Assistência Social e com o Poder Judiciário, o objetivo do Patronato é reinserir na sociedade o egresso do sistema prisional ou o cidadão que está cumprindo pena alternativa.

Essa forma ativa e pró-ativa do Patronato tem feito toda a diferença nos processos de execução penal.Eu, em conjunto com o Patronato, busco ter uma atuação bem dura e rígida neste sentido, para que as pessoas tenham consciência de que caso elas não cumpram, elas podem ser presas”, discorre sobre as ações desenvolvidas pelo Patronato da Comarca de Irati, O juiz de direito da Vara Criminal e da Vara de Execução em Meio Aberto, Carlos Eduardo Faísca Nahas.

Além de desenvolver projetos extensionistas como esse, a Unicentro também busca a constante capacitação dos estudantes, professores e demais profissionais que atuam neles. Por isso, o Patronato de Irati promoveu a segunda edição de um evento voltado para a prestação de serviço à comunidade. Na ocasião, o projeto reuniu as instituições parceiras para debater sobre o encaminhamento e a fiscalização dos processos de ressocialização dos sujeitos que estão cumprindo penas em meio aberto. A convidada para falar sobre essa questão foi a assistente social do Patronato de Ponta Grossa, Juliana Stadler.

Ações de ressocialização foram debatidas entre os parceiros do Patronato (Foto: Coorc)

Eu vim falar um pouco isso, sobre como é a nossa dinâmica de atendimento, de acompanhamento, de avaliação de perfil de prestador e de instituição, como ocorre essa relação e o que a gente espera das instituições que estão recebendo este prestador, porque o processo de ressocialização inicia no Patronato, mas o dia a dia dele é dentro da instituição. Então, a instituição tem que estar preparada para acolher sem demonstrar preconceitos. Realmente, a gente faz um trabalho de formação para que a instituição esteja preparada para receber esse público”, conta Juliana.

O Patronato conta com uma equipe multidisciplinar, que formula suas ações pautadas no respeito aos direitos humanos, oferecendo atendimento psicológico, social, jurídico e pedagógico aos assistidos. “Eu acho que o diálogo entre as diversas áreas de conhecimento é fundamental para compreender o fenômeno da violência e as problemáticas sociais como elas se apresentam, complexas, e que não temos uma resposta linear e simplista. É preciso essa rede – tanto interna dos programas, no caso do Patronato, quanto da rede como um todo do município. Então, eles conseguem dar um olhar singular para cada pessoa, dentro da sua complexidade, da sua peculiaridade. Cada conhecimento vem contribuir de alguma forma”, comenta sobre a importância de integrar diversos agentes nesta tarefa a secretária de Assistência Social do Município de Irati, Sybil Dietrich, que também acompanha as ações do projeto.

O coordenador do Patronato em Irati é o professor do Departamento de Psicologia da Unicentro, Gustavo Zambenedetti. Ele enfatiza que a medida de prestação de serviços à comunidade funciona como uma segunda chance aos autores de delitos com baixo potencial ofensivo. “A gente desmistifica isso. É uma pessoa como qualquer outra que, em certo momento da vida, cometeu algum delito, geralmente são delitos de baixo potencial ofensivo. O objetivo não é humilhar a pessoa, muito pelo contrário. É que ela possa fazer algo que produza algum sentido. Então, o trabalho do Patronato é fazer essa intermediação de que habilidades ela tem e, ao mesmo tempo, avaliar o que o lugar está precisando”.

De acordo com o professor Gustavo, atualmente o Patronato tem 190 assistidos. Desde 2013, quando foi implantado o projeto no campus Irati da Unicentro, mais de 500 pessoas já foram encaminhadas pelo Programa.”A gente passou de mais ou menos 20, 30 instituições, para hoje termos 90 instituições cadastradas para receber o prestador. As instituições que a gente mais tem são escolas. Então, é muito comum elas precisarem de algum tipo de manutenção, desde questão de jardinagem, aparar grama, algum tipo de serviço geral que é feito na escola”.

Uma das instituições que tem convênio com o Patronato de Irati é a Escola Municipal Antonina Fillus Panka. No evento sobre prestação de serviços à comunidade, a diretora Silvana Rzepka compareceu para representar o colégio e, também., para aprender a como colaborar da melhor forma com esse processo de ressocialização dos apenados.”Eles chegam um tanto sem jeito, até pela questão de que as pessoas discriminam. Pelo fato de eles estarem fazendo essa prestação de serviço é porque alguma coisa de errado aconteceu. Mas a gente recebe muito bem eles, entende que às vezes qualquer pessoa pode passar um dia por isso. Eu acho bem importante essa ressocialização dessas pessoas que colaboram muito para a escola – questão de limpeza, manutenção, corte de grama, pintura, limpeza em geral, às vezes até em eventos da escola eles ajudavam, na organização”.

Dentro do Patronato também são desenvolvidos diferentes programas educativos e de acompanhamento ao assistido que está cumprindo pena em meio aberto. Entre eles, o Saiba, que promove atenção e cuidado a usuários de drogas em conflito com a lei; o Blitz, que incita a reflexão sobre conduta no trânsito; tem também o Basta, que faz uma intervenção junto ao autor de violência doméstica; o Ética e Cidadania, que conduz diálogos coletivos sobre as vulnerabilidades sociais; e o E-LER, que busca incentivar a educação e a leitura.

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