Palestra “Mulheres na ciência” encerrou a Siepe 2019

Palestra “Mulheres na ciência” encerrou a Siepe 2019

A gente tem que mudar a regra do jogo. Primeiro, reconhecendo que diversidade é mais eficiente. Temos que começar lá atrás, quando ainda se é jovem, permitir que todos quando vão fazer um trabalho de grupo, fazer um trabalho de laboratório, todos tenham o mesmo direito de voz. Aí, a gente vai descobrindo que o ideal é ter no topo pessoas diferentes”. Essa defesa da diversidade de gêneros nas empresas e nas universidades é feita pela cientista Márcia Barbosa, um dos principais nomes da pesquisa em Física no Brasil.

Márcia foi a convidada para a conferência de encerramento da Siepe, que é Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão da Unicentro, desse ano. O tema da palestra foi “Mulheres na ciência”. Para ela, a desigualdade se manifesta de dois modos: a não ocupação de posições de poder, em qualquer área, por mulheres; e a segregação das mulheres desde o início da carreira científica.

Durante a conferência, Márcia trouxe dados de pesquisa realizada pelo Instituto Avon. O levantamento aponta que mais de 50% das mulheres já sofreram assédio moral e/ou sexual dentro das universidades. “Os assédios moral e sexual existem dentro dos meios acadêmicos e eles não têm uma legislação, tanto para ver a denúncia, proteger o denunciante e punir o culpado. Então, nós temos assediadores dentro do meio acadêmico e nós precisamos acabar com isso, porque essas pessoas fazem as pessoas desistirem de seguir uma carreira científica. Isso é inaceitável”, afirma de modo taxativo. 

A pesquisa lembra, também, que a licença-maternidade, um direito da mulher, acaba sendo usado contra ela, na medida em que o período é contabilizado como não-produtivo e, assim, torna-se um empecilho para o progresso na carreira das mulheres. “Quando olhar a carreira de uma pessoa com filhos e olhar o branco nessa carreira, identificar e tirar fora da contabilidade, não contar aquilo para a progressão, não contar aquilo para entrar como pesquisador, não contar isso na pós-graduação. Remover esse tempo da contagem e, aí sim, ir contabilizando a carreira. Compreender que as pessoas têm tempos distintos também, a diversidade passa por entender que as pessoas vão ter problemas na vida e assinalar esses problemas, quando elas voltam, elas voltam a ser produtivas”. 

Estudantes e professoras se identificaram com a palestra de Márcia (Foto: Coorc)

A palestra de Márcia lotou um dos auditórios do campus Cedeteg da Unicentro e o exercício de resistência proposto por ela motivou muitas das pesquisadoras da universidade, como a Andressa da Costa Ribeiro, professora do Departamento de Fisica, e a doutoranda Camila Moreira. “Eu sou uma que sofri muito há um tempo atrás, e fiquei muita desacreditada de mim mesma e até de meus colegas da academia. A mulher se põe num papel inferior e, de repente, tu está aqui, ouvindo ‘vamos lutar’ e que tem outras mulheres na história. Dá vontade de lutar mais ainda, reforça a nossa luta”, reflete a primeira. Camila corrobora: “traz algum conforto para a nossa alma, faz algum sentido aquilo que a gente está sentido”.

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