Pesquisador da Unicentro é contemplado em edital de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira

Pesquisador da Unicentro é contemplado em edital de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira

 

Osiel Gonçalves, do Departamento de Ciências Biológicas, vai desenvolver o projeto ao longo de cinco anos, com investimento de R$ 600 mil


“A conquista mostra que, no interior do Paraná, estamos desenvolvendo pesquisas de interesse para o mundo inteiro. Estamos construindo uma ciência forte”. É assim que o pesquisador Osiel Gonçalves, docente do Departamento de Ciências Biológicas do Câmpus Cedeteg da Unicentro, define o sentimento de ter sido contemplado com R$ 600 mil na nona chamada pública de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira, sendo R$ 450 mil para a pesquisa e R$ 150 mil destinados à bolsa diversidade. O edital recebeu um total de 404 inscrições de todo o Brasil e somente dez foram selecionados.

A pergunta norteadora da sua investigação é  “Por que os microrganismos de crescimento lento dominam os ecossistemas e quais regras ecológicas básicas permitem que essa ‘vida lenta’ persista?”. Ele terá cinco anos para buscar respostas, com possibilidade de acesso a recursos para integrar pessoas de grupos sub-representados na sua equipe de pesquisa, a partir da orientação de estudantes de graduação e pós-graduação. “Conhecida como ‘Bônus da diversidade’, o objetivo é incluir pessoas que representam grupos historicamente marginalizados na ciência”, detalha.

“A chamada do Instituto Serrapilheira é uma vitrine para jovens cientistas brasileiros e um dos focos está na divulgação científica. Estou extremamente feliz por ter sido contemplado e poder representar a Unicentro”

Osiel Gonçalves, professor da Unicentro

Desde 2018, o instituto privado sem fins lucrativos já apoiou mais de 260 projetos de pesquisa em ciência básica que abordam perguntas fundamentais nas áreas das ciências naturais, ciência da computação e matemática. O foco está em prestigiar jovens cientistas em início de carreira.

Osiel é docente efetivo da Unicentro desde julho do ano passado e concluiu seu doutorado em Microbiologia Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa em 2023, com um período na Queen’s University Belfast, no Reino Unido. Na Unicentro, também atua como docente nos programas de pós-graduação em Biologia Evolutiva e em Agronomia. Ele coordena o Grupo de Pesquisa em Genômica Eco-evolutiva Microbiana (GGEM).

 

A “matéria escura” da Microbiologia

O projeto de Osiel debruça-se sobre um dos maiores gargalos da microbiologia moderna: o fato de que cerca de 99% dos microrganismos existentes no planeta não são cultiváveis em laboratório (em placas de Petri). Essa vasta diversidade desconhecida é chamada pelos cientistas de “matéria escura microbiana”.

Dentro desse universo, o pesquisador foca em um grupo específico: bactérias e fungos que possuem crescimento lento, mas que, paradoxalmente, são extremamente abundantes em ambientes naturais, como o solo do bioma Cerrado. “Na biologia, a premissa é de que, para um organismo ser abundante e dominar um sistema, ele precisa competir bem, e a competição está diretamente ligada ao crescimento rápido. Minha pergunta chave é entender por que esses microrganismos lentos são tão abundantes na natureza”, explica. 

A hipótese do pesquisador é de que esses seres vivos não atuam de forma isolada ou puramente competitiva, mas sim cooperando com outros organismos, criando uma rede de sobrevivência mútua altamente resistente. As descobertas relacionadas a este tema podem quebrar paradigmas na ecologia evolutiva e, no futuro, abrir caminhos para aplicações biotecnológicas e o desenvolvimento de novos antibióticos, por exemplo.

Osiel vai investigar aspectos sobre a “matéria escura” da Microbiologia.


Processo seletivo rigoroso

A conquista do financiamento foi o resultado de um processo de seleção que durou cerca de seis meses, iniciando-se em dezembro do ano passado e finalizando em junho deste ano. Por se tratar de um edital com foco em pesquisa de nível internacional, todas as etapas foram conduzidas em inglês. Após a submissão de uma pré-proposta detalhando a grande pergunta científica a ser respondida, o projeto de Osiel avançou para a segunda fase, que exigiu o detalhamento da abordagem teórica e metodológica.

A terceira e última etapa consistiu em uma entrevista e uma sabatina com um painel de avaliadores internacionais. “É a etapa que dá mais frio na barriga, porque são projetos audaciosos e muitas vezes não temos todas as respostas prévias”, relata o professor.

 

Por Scheyla Horst


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