Influência dos diferentes tipos de cobertura vegetal nos processos hidroerosivos em sistemas integração lavoura pecuária
Mateus Lara de Andrade
Data da defesa: 06/07/2026
Banca:
Dr. Jeferson Eslei Mazur – IFPR – Primeiro examinador
Dr. João Anésio Bednarz – UNICENTRO – Segundo Examinador
Dr. Valdemir Antoneli – UNICENTRO – Orientador e Presidente da Banca
Resumo:
A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) com ovinos otimiza o uso da terra, mas exige um manejo criterioso para evitar a degradação estrutural do solo. O objetivo deste trabalho foi avaliar o impacto da ovinocultura nos processos hidrossedimentológicos e físicos em um sistema ILP sob diferentes coberturas vegetais: braquiária (Urochloa brizantha), capim-sudão (Sorghum sudanense) e milheto (Pennisetum glaucum). O experimento foi conduzido em Rebouças-PR, sobre um Cambissolo de textura francosiltosa, em delineamento de blocos ao acaso em arranjo fatorial. Foram alocadas 27 parcelas de 1 m², distribuídas em declividades de 10° a 25°. Avaliaram-se as perdas de solo e água entre fevereiro e setembro, além dos atributos físicos (densidade e resistência à penetração) antes e após o pastejo rotacionado. Os resultados indicaram que, na fase de implantação, todas as coberturas mantiveram taxas de infiltração superiores a 90%. Contudo, na fase de pastejo (setembro), sob alta precipitação e solo úmido, a braquiária apresentou perda de solo acumulada 75,8% inferior à do capim-sudão e 82,2% menor que a do milheto, atuando como um filtro físico eficiente devido ao seu hábito rasteiro e palhada acamada. As parcelas com milheto e capimsudão mostraram-se vulneráveis ao raleamento pelo pisoteio, gerando escoamento concentrado e perdas de solo que ultrapassaram 4.500 kg/ha e 3.800 kg/ha, respectivamente. Sob a ótica da física do solo, o pastejo causou adensamento na camada superficial (0 a 10 cm), elevando a densidade para até 1,72 g/cm³ no milheto. Em contrapartida, constatou-se uma significativa descompactação biológica em profundidade (25 a 35 cm) promovida pelo sistema radicular das forrageiras, que rompeu a resistência física histórica do perfil edáfico. Conclui-se que a viabilidade do sistema ILP transcende o controle da lotação animal, exigindo a adoção de forrageiras resilientes, como a braquiária, para assegurar a conservação da superfície e a melhoria da qualidade estrutural do solo.