
“Journées Francophones” celebra os 80 anos de O Pequeno Príncipe e promove imersão na cultura francófona
Promovido pelo programa Paraná Fala Francês, o evento gratuito estende-se até quarta-feira (10) com mesas-redondas, cine-debates e releituras críticas da obra de Saint-Exupéry
O programa Paraná Fala Francês (PFF) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) iniciou, nesta segunda-feira (8), mais uma edição da Journées Francophones, no Câmpus Santa Cruz, em Guarapuava. Neste ano, o evento celebra os 80 anos de publicação de Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe), obra do escritor Antoine de Saint-Exupéry. Aberto gratuitamente à comunidade acadêmica e ao público externo, o evento segue até quarta-feira (10), promovendo uma imersão na cultura francófona por meio de mesas-redondas, cine-debates e aulas especiais.
O objetivo da escolha do livro é utilizar a sua leitura mundial como um ponto de partida acessível para o estudo do idioma. De acordo com a coordenadora do Paraná Fala Francês na Unicentro, professora Denise Gabriel Witzel, a inserção de elementos literários e artísticos complementa o trabalho desenvolvido nas aulas regulares. “Quando a gente organiza um semestre, a gente organiza com a sala de aula, com possibilidades de outras frentes para aprender o francês e uma delas são eventos culturais”, pontua Denise. Ela destaca que a familiaridade do público com o texto facilita a compreensão técnica do idioma. “As pessoas reproduzem as falas do Pequeno Príncipe com seus diferentes personagens e começam a perceber que na língua francesa você tem uma chave de leitura e compreensão que é acessível”.
Para os estudantes participantes, a quebra da rotina pedagógica convencional auxilia na fixação do vocabulário e na compreensão do contexto internacional. O aluno Nathan Ulian de Souza frequenta as aulas do PFF ofertadas no Câmpus Cedeteg e ressalta o valor das trocas impulsionadas pela programação das jornadas. “É interessante porque eu acho que sai um pouco da dinâmica da sala de aula. O PFF já tem uma dinâmica bem mais interessante e fora do comum que a gente está habituado em escolas de idiomas. Além do idioma, também existe a troca cultural. A gente sai um pouco da sala de aula, conhece um pouco do universo do que tem estudado. Eu acho que é extremamente importante e interessante para a nossa formação”, avalia o estudante.
Para além das célebres citações que marcam a narrativa, as atividades propostas nas Journées Francophones buscam construir um olhar aprofundado e reflexivo sobre o livro. A instrutora do Paraná Fala Francês na Unicentro, Giulia Felix, explica que os debates foram planejados para explorar as camadas estruturais e filosóficas da obra. “Apesar de ser uma literatura mais infantil e juvenil, ela é muito rica filosoficamente falando. E eu percebi que os alunos novos agora já não têm tanto o conhecimento do que é a obra do Pequeno Príncipe e por que ela é tão aclamada mundialmente”, relata a professora.
Esse distanciamento motivou o desenvolvimento de análises que buscam fugir dos caminhos comerciais e óbvios. De acordo com Giulia, as turmas foram estimuladas a trabalhar com releituras contemporâneas e a compreender as influências históricas que cercam a produção., “A gente quis trazer diferentes olhares sobre isso e pensar nas várias releituras. No Brasil, tivemos a releitura do Rodrigo França com o Pequeno Príncipe Preto. Com as minhas turmas, acabei trabalhando para desconstruir um pouco a obra, esses olhares mais ocidentalizados e clichês, mostrando o que é essa obra de fato e trabalhando de forma mais crítica com os alunos”, detalha a instrutora.
Além da revisão crítica do texto clássico, a programação adota uma perspectiva ampla voltada à internacionalização do idioma, questionando visões geográficas restritivas. A docente reforça que o evento atua para desfazer o estereótipo eurocêntrico e ocidentalizado de que o francês se limita ao território europeu. “Eu vejo o francês com uma abertura muito grande para entendimento mundial, de culturas diferentes. Sejam caribenhas, África, fora do ocidente. Então, por isso que a gente fala muito da francofonia hoje. Isso é ótimo, porque foge dessa bolha. Abre um pouco essa bolha de Paris, Ratatouille e põe a gente em contato com muitas pessoas maravilhosas, diferentes”. Ao apresentar o panorama de nações que compartilham a língua em diferentes continentes, as dinâmicas pedagógicas evidenciam o caráter plural e global da francofonia.
Por Luiza Lobo, com supervisão de Giovani Ciquelero
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