XXIX Semageo debate o papel da ciência geográfica frente à emergência climática

XXIX Semageo debate o papel da ciência geográfica frente à emergência climática

 

Programação reúne palestras, minicursos e apresentações de trabalhos no Câmpus Cedeteg


A XXIX Semana Acadêmica de Geografia (Semageo) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) começou nesta segunda-feira (19), no Câmpus Cedeteg, em Guarapuava, com a emergência climática no centro das discussões. A programação ocorre nos dias 19 e 22 de outubro e 4 e 17 de novembro, com palestras, minicursos, oficinas, apresentações de trabalhos e rodas de conversa.

A universidade tem papel importante na criação de espaços de discussão sobre questões que afetam diretamente a sociedade. Para a vice-diretora do Câmpus Cedeteg, professora Aline Marques Genú, a semana acadêmica favorece o contato com diferentes experiências e perspectivas. “Para a universidade, esse é sempre um momento muito importante, de troca de ideias entre estudantes de diferentes anos, pesquisadores e outros participantes de fora. Esse intercâmbio fortalece a formação dos estudantes e contribui para o desenvolvimento do próprio curso”, destaca.

Organizada pelo Departamento de Geografia de Guarapuava, em parceria com representantes estudantis, a XXIX Semageo tem como proposta discutir o papel da geografia diante da emergência climática. Segundo a coordenadora do evento, professora Claudiane da Costa, a escolha do tema partiu dos próprios alunos, que identificaram a importância de aprofundar o debate. “Esse é um tema recorrente dentro das nossas disciplinas. A ideia é que os alunos interajam, tenham contato com outros conhecimentos e saiam dessa semana acadêmica com novos aprendizados”, aponta Claudiane.

A palestra de abertura foi conduzida pela professora Leila Limberger, docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e pesquisadora na área de climatologia. Ela integra o Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação – Emergência Climática (Napi-EC), coordena o eixo dedicado aos diagnósticos e prognósticos das mudanças climáticas no Paraná e também está à frente do Laboratório de Climatologia da universidade. Durante a palestra, Leila abordou a influência do El Niño no cenário de aquecimento global e os riscos de intensificação dos eventos climáticos extremos.

Segundo a pesquisadora, o atual El Niño é o mais intenso já registrado e ainda está em desenvolvimento, o que aumenta a preocupação com seus efeitos. “A gente teme que isso seja, na verdade, um novo normal, um novo cenário, um cenário de oceanos mais quentes, favorecendo a evaporação e ampliando a energia disponível na atmosfera. A partir disso, a chance dos eventos extremos se intensificarem realmente é muito grande”, alertou. A docente destacou que, no sul do Brasil, esse cenário aumenta a preocupação com chuvas intensas e concentradas, tempestades, raios, tornados e granizo.

Ao discutir esses fenômenos no ambiente universitário, Leila ressalta que o desafio não se limita a compreender o que está acontecendo, mas também a preparar a sociedade para enfrentar os impactos. Segundo ela, os alertas sobre as consequências do modelo de desenvolvimento baseado na exploração da natureza existem há décadas, mas não foram suficientes para impedir o cenário atual. “Hoje a gente já não tem mais como reverter esse processo. A gente já está vivendo esse cenário”. Para a pesquisadora, a geografia tem papel importante na reflexão sobre as formas de adaptação, a atuação dos governos e a proteção das populações mais vulneráveis, especialmente nos locais mais sujeitos aos impactos climáticos.

Confira as fotos do evento no Banco de Imagens da Unicentro

 

 

Por Poliana Kovalyk


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