Unicentro une pesquisa e educação para enfrentar a emergência climática no Paraná

Unicentro une pesquisa e educação para enfrentar a emergência climática no Paraná

 

Laboratório de Estudos Climáticos e Impactos Ambientais coordena projeto e pesquisas na área


Ondas de calor, inundações, períodos de seca e tempestades. A maior frequência e intensidade desses eventos extremos tem feito com que cientistas apontem a existência de um estado de emergência climática. Para entender como essas questões desafiam o futuro do Paraná, pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) realizam investigações que traduzem dados históricos e tendências em informações aplicáveis à educação ambiental e ao planejamento urbano e regional. Esses estudos podem oferecer suporte aos gestores públicos, permitindo a análise dos impactos das mudanças climáticas e a criação de estratégias para reduzir riscos às comunidades e aos setores produtivos.

O professor Aparecido Ribeiro de Andrade, do Departamento de Geografia de Guarapuava e do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG), coordenador do Laboratório de Estudos Climáticos e Impactos Ambientais (Lacliam), do Câmpus Cedeteg, atua como coordenador institucional da Unicentro integrando uma rede estratégica: o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Emergência Climática (Napi-EC). 

A Unicentro conta com financiamento de aproximadamente R$ 270 mil da Fundação Araucária para um período de quatro anos, destinados prioritariamente à formação de recursos humanos por meio de bolsas de pesquisa e auxílio técnico. O trabalho nessa frente quantifica os impactos e busca mitigar riscos, tanto para o ecossistema natural quanto para a economia local e estadual.

Também integram o arranjo as professoras da Unicentro, Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, do Departamento de Geografia, e Adriana Massaê Kataoka, do Departamento de Ciências Biológicas, além do docente Sidnei Osmar Jadoski, do Departamento de Agronomia.

“O Napi Emergência Climática, embora recente em termos de financiamento, tem suas raízes em discussões que já datam de mais de uma década, fomentadas pelo articulador geral da proposta, professor Francisco Mendonça, docente agora aposentado da UFPR. O grupo total é composto por pesquisadores de universidades paranaenses e conta com o apoio técnico do IDR-Paraná e Simepar”, contou Aparecido.

Uma das finalidades do coletivo é contribuir para que o Paraná cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris e na Contribuição Nacionalmente Determinada Brasileira (NDC). Nesse cenário, a expressão emergência climática, já consolidada, principalmente na Europa, há algum tempo, complementa o debate sobre variações e tendências das características do clima. O professor Aparecido afirma que a ciência chegou ao entendimento de que a situação é de urgência, o que significa que não se discute mais a existência das alterações, mas sim sua influência direta na vida cotidiana.

“A emergência climática vem em diversas escalas: global, nacional, continental, local… e quer dizer o seguinte: não dá mais para esperar. Nós temos que partir para ações de fato. A discussão teórica e política já provou que as alterações climáticas e mudanças climáticas existem e que esse tema tem que ser tratado de forma mais séria e efetiva”, explicou.

Pesquisas no contexto regional

Entre as investigações desenvolvidas em contexto regional, destaca-se o uso de drones para mapear a permeabilidade do solo no Centro-Sul paranaense. O detalhamento permite identificar onde a água da chuva é absorvida, auxiliando na elaboração de mapas para fiscalização e urbanismo. Outra frente de trabalho analisa dados da Bacia do Rio Iguaçu para prever eventos extremos, informação fundamental para a segurança de populações ribeirinhas e para a produção agrícola. Esses trabalhos não estão sendo desenvolvidos diretamente pelo grupo do Napi-EC, mas são informações produzidas por pesquisadores da Unicentro e que estão sendo úteis ao trabalho do professor Aparecido e sua equipe.

Há também o monitoramento da Bacia do Rio das Pedras, em Guarapuava, que relaciona as características do clima com a ocupação do solo. A investigação compara o uso da terra com a variabilidade climática local por meio da análise de temperatura, umidade do ar e precipitação, dados que reforçam a necessidade de preservação da vegetação nativa. Tais informações são compartilhadas com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guarapuava, por exemplo. O professor Aparecido acredita que a ciência deve focar em problemas próximos, aplicando o conhecimento global à realidade regional.

“A ideia do Napi é justamente criar uma rede onde cada pesquisador trabalhe em sua região, contribuindo para um diagnóstico abrangente do Paraná, modelo que pode ser expandido para outros estados e países. Como cientistas, nós produzimos informações e apontamos caminhos, mas não temos autoridade para implementar, então é necessária a atenção dos gestores públicos com estas pautas”, destacou.

A rede organiza suas atividades em cinco eixos fundamentais que abrangem desde o diagnóstico das particularidades climáticas do Paraná e os impactos na biodiversidade até a mitigação de emissões de gases de efeito estufa. O planejamento inclui ainda a avaliação de riscos para a resiliência humana e o desenvolvimento de ações educacionais voltadas à sensibilização da sociedade.

Para o coordenador local, um dos pontos altos do projeto é levar informações atualizadas aos estudantes de graduação, permitindo que futuros professores disseminem em sala de aula as causas e as possíveis soluções para as crises ambientais contemporâneas.


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