
Unicentro sedia reunião e capacitação do Conselho Local de Saúde Indígena em Guarapuava
Evento realizado no Câmpus Cedeteg fortaleceu o diálogo entre comunidades indígenas, profissionais da saúde e instituições
O Câmpus Cedeteg da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) recebeu, na última quinta-feira (2), a 2ª Reunião Ordinária e a capacitação do Conselho Local de Saúde Indígena de Guarapuava, vinculado ao Distrito Sanitário Especial Indígena Litoral Sul (DSEI/LSUL). O encontro reuniu conselheiros, profissionais da saúde e representantes indígenas para discutir a organização da representação regional e fortalecer as ações voltadas à saúde dos povos indígenas. O distrito atende os estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, contando com mais de 17 etnias indígenas.
Durante o período da manhã, foi realizada a eleição para a reformulação das representatividades no Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi). Ao todo, foram eleitos seis representantes: quatro profissionais da saúde, entre indígenas e não indígenas, e dois usuários indígenas dos distritos sanitários. Os representantes terão a responsabilidade de levar ao Condisi as principais demandas relacionadas à saúde dos povos indígenas e às condições de trabalho dos profissionais que atuam nos DSEIs.
Segundo o presidente do Condisi, Thiago Silvero, a reunião ocorrer dentro da Unicentro é muito significativa, pois, além de receber muitos alunos indígenas, a universidade também apoia muitas causas dos povos originários. “A universidade é um espaço fundamental para discutirmos temas como a saúde e a cultura dos povos indígenas. Ao abrir suas portas para sediar esse encontro pela primeira vez, a Unicentro contribui para fortalecer esse diálogo e demonstra seu compromisso com pautas importantes para a nossa sociedade”, enfatiza.
O cacique do povo Guarani Ñandeva da comunidade Laranjinha, em Santa Amélia, no norte do Paraná, e assessor técnico da saúde indígena, afirma que a saúde dos povos indígenas precisa ser uma prioridade nacional. Para ele, a reunião fortalece o diálogo e contribui para que as demandas das comunidades sejam levadas aos espaços de decisão.
“A saúde indígena foi construída por nós, povos indígenas. Não foi uma proposta do governo, mas resultado de uma luta muito grande. Desde sempre, nossos pais e nossos avós lutaram para que hoje tivéssemos uma saúde diferenciada. Em 2010, conseguimos construir essa proposta, levá-la ao governo, e ela foi aceita”.
Já no período da tarde, os participantes acompanharam uma capacitação sobre o papel do conselheiro no apoio à saúde mental da população indígena. A atividade abordou estratégias de acolhimento, fortalecimento das redes de cuidado e a importância da atuação dos conselhos na promoção de políticas públicas voltadas ao bem-estar das comunidades indígenas.
Por Mylena Camargo, com supervisão de Giovani Ciquelero
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