Acadêmicos de Psicologia da Unicentro levam debate sobre luta antimanicomial à comunidade de Irati

Acadêmicos de Psicologia da Unicentro levam debate sobre luta antimanicomial à comunidade de Irati

 

Estudantes promoveram ações em espaços públicos, escolas e na própria universidade ao longo do mês de maio.


Histórias dentro de gaiolas e voando como pássaros. Essa foi uma das metáforas visuais empregadas por alunos de Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) para falar sobre uma questão que tem nome difícil, mas que é básica quando se fala em saúde mental: a luta antimanicomial.

Celebrada nacionalmente no último dia 18, a batalha pelo fim dos chamados manicômios foi lembrada e atualizada por uma série de ações desenvolvidas por docentes e discentes da universidade durante o mês de maio. Parte delas foram realizadas no âmbito do Estágio Básico em Psicopatologia, sob supervisão da professora Angela Silva, e contaram com a parceria do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Irati. 

Atividades buscaram aproximar a comunidade da discussão sobre o acolhimento de pessoas com sofrimento mental. (Foto: Coorc)

Em diferentes oficinas desenvolvidas por acadêmicos e pelas equipes do Caps, os usuários do serviço tiraram fotos e relataram as experiências manicomiais que vivenciaram, assim como registraram o cuidado que eles têm recebido atualmente. Esse material, então, foi reunido pelos alunos do 3º ano de Psicologia e exposto à população na Feira Agroecológica da Unicentro e no Centro de Irati. No espaço público, histórias de internação foram dispostas dentro de uma gaiola de porta aberta, enquanto o atendimento no Caps foi representado por pássaros livres.

“Muitas pessoas paravam, perguntavam o que era, e os alunos explicavam, fazendo uma atividade importante de comunicação e de educação, que estão entre as competências a serem desenvolvidas no curso de Psicologia”, destaca Angela.

As ações se estenderam ao Instituto Federal do Paraná (IFPR) de Irati. Nesta quarta-feira (27), os estudantes discutiram a lógica manicomial com alunos do ensino médio. Também desenharam mandalas, recurso terapêutico associado à psiquiatra Nise da Silveira, referência da luta antimanicomial no Brasil. Uma mostra com o material produzido ao longo das ações fica em exibição no IF até sexta-feira (30).

Para os estudantes envolvidos na iniciativa, é fundamental aproximar a comunidade desse debate. “É muito importante que a gente trabalhe a visão da loucura de um modo mais normalizado. Tratar essas pessoas como cidadãos comuns, que convivem com a gente e que devem ser tratados com humanidade, sem aquela questão do medo e do receio”, afirma  Matheus Donadon. “O nosso objetivo é trazer isso tanto para os colégios como nas praças públicas”, complementa o acadêmico.

Por Wyllian Correa

 


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