
Unicentro promove debate sobre educação, diversidade e gênero com professora da UFPR
Roda de conversa reuniu docentes e estudantes dos cursos de Pedagogia, História e Letras do Câmpus de Irati.
Refletir sobre o desafio de formar professores capazes de valorizar e proteger a diversidade no cotidiano escolar. Esse foi um dos temas de uma roda de conversa realizada nesta quarta-feira (17) no Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Organizado pelo Núcleo de Estudos de Gênero, Espaços Simbólicos e História (Negesh) e pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Unicentro, o evento reuniu docentes e estudantes dos cursos de Pedagogia, História e Letras.
A convidada da noite foi a professora Dayana Brunetto, do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ex-coordenadora-geral de Promoção dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Dayana destaca que este é um contexto desafiador para os docentes da educação básica. “A ideia é trazer a discussão sobre o que é ser professor ou professora hoje, diante desse momento histórico de polarização política e de ataques conservadores. O grande desafio é resgatar a humanidade da sociedade. É ensinar o conteúdo, mas também ensinar a respeitar e a valorizar a diversidade”, pontua.
Para a professora, o cenário desenhado é de um pânico moral, que tem como alvos preferenciais mulheres, feministas, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, pessoas negras, pessoas indígenas e pessoas com deficiência. Segundo ela, o problema se agrava num contexto de pós-verdade. “O que tem acontecido é que os fatos e as evidências, as estatísticas, impactam menos do que os apelos emocionais das crenças comuns. É por aí que a gente vê os ataques à diversidade”, destaca.
Dayana aponta ainda consequências concretas desse cenário. Para ela, a violência contra mulheres — que inclui feminicídios, lesbocídios e transfeminicídios — é uma epidemia no Brasil, e a educação ocupa um lugar central na prevenção. “Quando se retira a discussão de gênero das escolas, em vez de proteger as crianças, você protege o estuprador. Tem criança que o único ambiente onde pode denunciar é a escola. Se você tira esse lugar e ela está junto com o abusador, vai denunciar pra quem?”, questiona.
Cultura e Diversidade
O evento no Câmpus de Irati acontece no mês do Orgulho LGBTQIA+ e no âmbito da disciplina setorial de Cultura e Diversidade — prevista pelo Conselho Nacional de Educação para os cursos de licenciatura como espaço de debate sobre diversidade e relações étnico-raciais. Para a professora Nadia Maria Guariza, organizadora do evento, o debate responde a uma demanda real da formação docente. “A questão da diversidade sexual e de gênero é pungente e necessária para discussão nos espaços escolares. Não só a violência de gênero, mas também o convívio com essa diversidade que há na sexualidade e na identidade de gênero”, comenta Nadia.
As fotos do evento estão disponíveis no Banco de Imagens da Unicentro
Por Wyllian Correa
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