Mostra do PET-Saúde Equidade do Câmpus de Irati destaca ações desenvolvidas em nove municípios

Mostra do PET-Saúde Equidade do Câmpus de Irati destaca ações desenvolvidas em nove municípios

Nesta quinta-feira (23), o PET-Saúde Equidade do Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) promoveu uma mostra de encerramento das atividades desenvolvidas ao longo de dois anos. Nesta edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde, o foco foi levar discussões sobre gênero, raça, classe, sexualidade e deficiência para profissionais vinculados à 4ª Regional de Saúde do Paraná.

Exposições de materiais e relatos de experiências demonstraram o impacto do PET nos nove municípios em que a Unicentro realizou intervenções educativas. “Fizemos um total de 18 ações, englobando cerca de 250 trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS), que participaram de rodas de conversa, oficinas interativas, práticas de atividades físicas, momentos de escuta ativa e compartilhamentos de estratégias de acolhimento”, detalha Maria Angélica Binotto, coordenadora do PET-Saúde Equidade em Irati.

No evento, equipe do PET e trabalhadoras da saúde compartilharam experiências durante uma roda de conversa (Foto: Coorc

Para marcar o final do programa, a diretora da 4ª Regional de Saúde, Cristiana Schvaidak, foi convidada para palestrar na Unicentro sobre equidade no cuidado. “Equidade é dar mais para quem precisa mais. Um grande exemplo disso no SUS é quando você chega em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e não é atendido pela ordem de chegada, mas a partir de uma classificação de risco. Um profissional capacitado gerencia qual é o paciente que tem prioridade naquele momento”, explicou a palestrante.

Um dos objetivos do PET-Saúde Equidade foi justamente sensibilizar e qualificar profissionais para atender de forma mais equitativa. Para o agente comunitário de saúde de Guamiranga Rafael Nascimento dos Santos, uma das principais contribuições das discussões levadas pela Unicentro foi a autocrítica. “Um dos resultados foi perceber que eu mesmo tinha preconceitos”, revela. “Se a gente conseguir combater esses pensamentos, mesmo que com um trabalho de formiguinha, será que a gente não consegue também ter um resultado positivo na saúde pública?”, indaga Rafael, de forma reflexiva.

Universidade, saúde e comunidade

O PET-Saúde Equidade reúne estudantes e professores de Psicologia, Fonoaudiologia, Educação Física e História para ações educativas com os profissionais de saúde. Para Nadia Guariza, tutora dos petianos de História, a interdisciplinaridade do programa enriquece a formação acadêmica. “Relações étnico-raciais, de gênero, entre outras, são temas que são muito discutidos na área de Humanas. E os nossos alunos tiveram a possibilidade de debater isso também em outra área, que é a Saúde, vendo uma outra forma de trabalhar a educação”, observa a docente.

Mostra também reuniu exposição de ações e materiais desenvolvidos ao longo de dois anos do projeto (Foto: Coorc).

Para realizar as atividades, o PET conta com o apoio de preceptoras e orientadoras de serviço, que são responsáveis por integrar os universitários e os profissionais de saúde. “É importante trazer essas reflexões para os trabalhadores para que consigam se portar diante das especificidades de cada usuário que chega nos serviços”, defende a orientadora Paola Emiliano de Morais, que é chefe da Divisão de Atenção e Gestão em Saúde da 4ª Regional.

As intervenções do PET foram divididas em duas frentes: uma de prevenção e outra de formação. Antes de tudo, as equipes mapearam os perfis e as experiências de quem trabalha com saúde pública na região. “Construímos um questionário para levantar dados sobre as trabalhadoras e perguntar se já sofreram alguma violência, se denunciaram, e etc”, descreve a preceptora Christiane Dméterko, assistente social da Atenção Primária em Saúde da 4ª Regional. “A partir disso fizemos as intervenções nos municípios, explicando quais os tipos de violência e como agir, focando nos canais de denúncia”, completa.

Para as estudantes da Unicentro, as experiências agregaram nas carreiras que estão construindo. “Tivemos ricas discussões com as trabalhadoras que vivenciam a verdadeira experiência com os usuários do SUS. Isso contribuiu muito para eu pensar no cuidado em saúde e olhar com mais equidade para os atendimentos e para as pessoas”, descreve Sabrina Fillus, estudante de Educação Física.

Por Amanda Pieta

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