Com recursos do ICMS Ecológico, Unicentro trabalha no levantamento da fauna e da flora de Reserva do Iguaçu

Com recursos do ICMS Ecológico, Unicentro trabalha no levantamento da fauna e da flora de Reserva do Iguaçu

Preservar o ambiente e, ao mesmo tempo, garantir retorno financeiro ao município. Esses dois pontos motivaram a prefeitura de Reserva do Iguaçu, que fica a 96 quilômetros de Guarapuava, a adquirir uma área de proteção ambiental de mais de 1.800 hectares. É a maior área municipal contínua de proteção ambiental do país. Esse espaço abriga duas estações ecológicas: a Francisco Paschoeto e a Corredor das Águas. Recentemente, um termo de cooperação técnica foi firmado com a Unicentro, por meio da Integ, a Incubadora Tecnológica; com a Universidade Federal Tecnológica do Paraná; e com a Universidade Estadual do Paraná, campus de União da Vitória.

O objetivo, segundo a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Reserva do Iguaçu, Suzana Andria, é levantar a fauna e a flora da área. “Saber o quanto é rica nossa biodiversidade dentro dessas áreas. Então, com o levantamento deles, a gente consegue mapear o que tem das espécies tanto de fauna, de flora. Economicamente falando, o município recebe por estas áreas o ICMS Ecológico”, explica. 

O ICMS Ecológico destacado por Suzana é uma forma de recompensa e apoio financeiro para os municípios que trabalham em prol da preservação de áreas ambientais, garantindo que parte do imposto arrecadado retorne para ser investido no próprio local. O trabalho de pesquisa realizado nas duas Estações Ecológicas foi coordenado pelo professor Wellington Barbosa, do Departamento de Geografia da Unicentro. Por ano, cada estação ecológica recebe aproximadamente 800 mil reais de ICMS Ecológico. Agora, com os resultados obtidos no inventário de fauna e flora, essa tábua de avaliação deve aumentar. “Dentro dessa unidade de conservação nós não tínhamos dados nenhum e esses dados foram levantados ao longo de seis meses. E esses dados desse trabalho foram entregues ao órgão ambiental aqui do Paraná para aumentar a tábua de avaliação do ICMS Ecológico aqui da unidade”, conta Wellington. 

O estudo preliminar das condições da área preservada foi feito em seis meses. Período que, de acordo com o professor do curso de Ciências Biológicas da Unespar, Sérgio Basílio, foi destinado à cartografia e ao mapeamento da unidade e às análises do meio físico, da flora, da avifauna e da mastofauna, que é a área da zoologia que estuda os mamíferos. Apesar do curto tempo de atividade, os resultados foram promissores. “Até a presente data a gente já registrou 25 espécies de mamíferos, sendo que 10 espécies, 10 ou 12 espécies, estão ameaçadas de extinção”, destaca Sérgio.

Para reconhecer e catalogar cada espécie, foram espalhadas armadilhas fotográficas em pontos estratégicos da estação. As imagens captadas mostram a diversidade de animais que habitam a área e comprovam a necessidade de preservação do espaço. Para a bióloga Claudia Golec, as pesquisas relacionadas à avifauna também estão correspondendo positivamente às expectativas. “Estudos relacionados a esse grupo, eles nos fornecem valiosas informações, você consegue estabelecer parâmetros e você consegue ter uma noção da qualidade do ambiente. Elas são considerados bioindicadores ambientais”. Ela conta ainda que, para saber quais aves podem ser encontradas na unidade de conservação, o grupo realiza registros auditivos e visuais. Mais tarde, os sons e imagens obtidos serão confrontados com a literatura e com guias para que, então, seja feita a identificação dessas espécies. “Até o presente momento, nesse levantamento preliminar, já foram registradas 151 espécies de aves, distribuídas em 20 ordens e 49 famílias. Desse total de espécies que foram registradas aqui na estação, nós temos 14 espécies que estão sob algum grau de ameaça, seja a nível estadual, nacional ou até mesmo internacional. Então, a presença dessas espécies ameaçadas na área da estação ecológica, ela é um bom indicativo da qualidade da área”.

Na avaliação do professor Sérgio, o trabalho em campo tem trazido benefícios para a manutenção da área, para o município e também para a equipe que participa do projeto. “Oportunidade também de colocar em prática aquilo que nós ensinamos na universidade aos nossos acadêmicos, deles vivenciarem no dia a dia aqui nas atividades de busca direta dos mamíferos, busca de pegada, busca tentar visualizar esses animais e trabalhar com as armadilhas fotográficas”.

151 espécies de aves, de 20 ordens e 49 famílias, foram registradas pela equipe do projeto (Foto: Coorc)

Bruna Kosofski é bióloga recém-formada pela Unespar e garante que a experiência tem agregado ainda mais conhecimento à formação já obtida. “Esse projeto, ele serviu para eu estar entrando no mercado de trabalho nessa parte de pesquisa e estar conhecendo mais a fundo também como que funciona, realmente na prática, o levantamento da fauna e estudar vários grupos distintos. Dessa maneira a gente consegue ver na prática o que a gente aprende na sala de aula e acaba saindo também dos muros da Universidade que, às vezes, delimita muito”.

Os acadêmicos Larissa de Almeida e Jeferson Jaskiu também destacam a importância de se inserir em projetos que vão além das aulas regulares do curso. “Faz muita diferença porque você compreende melhor todas as matérias que você está tendo na graduação. Com esse projeto, eu consigo entender toda a complexidade do ecossistema, eu não vejo só uma parte, não vejo só os mamíferos. Tem interação com as aves, tem interação com os recursos hídricos, com a geomorfologia. Então, tudo isso a gente vai conseguir entender melhor e também esse projeto é muito bom porque a gente tem a oportunidade de fazer esses artigos, publicar e aumentar as chances de entrar no mestrado”, diz Larissa. “Ver como é que funciona a parte de pesquisa, de avaliação da mastofauna, parte da ecologia também, zoologia que eu gosto bastante também, e poder estar em Campo aqui para ver, vendo como é que funciona tudo”, complementa Jeferson. 

Espécies de mamíferos ameaçados de extensão foram registrados na área (Foto: Coorc)

O Protocolo de Intenções que embasou a aquisição e criação da reserva ecológica estabelece, segundo a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Reserva do Iguaçu, que 40% do valor de ICMS Ecológico recebido deve ser usado para o pagamento da área; outros 20% vão para a manutenção da estação e para investimentos em educação ambiental; Do restante, 25% deve ser investido em educação e os outros 15%, na saúde do Município. “A gente pretende aumentar ainda mais na tábua de avaliação, que é recurso que vai para área de saúde, educação e manutenção da área. Hoje, a gente trabalha com a manutenção da área com recurso que vem do ICMS Ecológico. Então, a Secretaria consegue dividir bem esse recurso, consegue manter a área e consegue também aplicar em educação ambiental, aterro, sanitário, reciclagem”, afirma a secretária de Meio Ambiente.

A partir desse levantamento de fauna e flora, será possível dar encaminhamento a um plano de manejo da área e a intervenções socioambientais voltadas à população. O objetivo, explica o vereador de Reserva do Iguaçu, Clairton Pedrozo, é ressaltar a importância das unidades de conservação que, além de serem uma fonte de renda, também garantem melhorias na qualidade de vida no município. “É importante que a população conheça isso para também ajudar a apoiar esse projeto. E também temos percebido que a comunidade aqui tem compreendido a importância desse projeto, tem abraçado a causa acho que isso é importante também”.10

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