Sessão de cinema marca encerramento de mais uma etapa do projeto de extensão Florescer

Sessão de cinema marca encerramento de mais uma etapa do projeto de extensão Florescer

A calmaria das manhãs do campus Santa Cruz é desfeita por quase uma centena de crianças. Todos são alunos das três turmas de terceiro ano da Escola Municipal Francisco Contini e vieram até a Unicentro para uma visita ao cinema. O motivo? Conferir as produções que eles mesmo estrelaram. O André Vinicius, de sete anos, revela o nervosismo com sua estreia na telona. “Eu me senti nervo, não sei os outros”, diz. A visita faz parte do cronograma de atividades do projeto de extensão, financiado pelo Universidade Sem Fronteiras (USF), Florescer.

Durante o último ano, os participantes foram a escolas da rede municipal de ensino e realizaram oficinas de conscientização a respeito da violência contra a mulher e sobre equidade de gênero. O projeto tem como base a educomunicação e, por isso, depois de três encontros semanais as crianças são estimuladas a produzir materiais de comunicação, como vídeos, a respeito do que aprenderam. “Eu aprendi sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), equidade, igualdade, violência sexual, violência física, violência moral”, conta Rafaella de Souza, de nove anos. O Nicholas Lorendi, de oito anos,completa: “Sobre as cinco violências – a física, a psicológica, a moral, a patrimonial e a sexual”.

Crianças conferiram o resultado das próprias produções (Foto: Florescer)

Quem acompanha essa galera toda de perto, como a professora Michele Marczal, diz que já dá para ver eles colocando o que aprenderam em prática. “Através de alguns relatos que eles fizeram durante as aulas, de coisas que presenciaram em casa e alertavam aos pais, os vizinhos e até parentes próximos o que estavam fazendo de errado”.

No último ano, o projeto atendeu um total de quinze turmas de terceiro ano, em seis escolas diferentes. A coordenadora do Florescer, professora Ariane Pereira, explica que a mudança nos locais por onde as oficinas passaram não ficaram só na percepção das pessoas, mas se refletiram também em números. “Nos meses que nós tivemos nas quatro escolas do Boqueirão, a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Guarapuava registrou um aumento de 40% no número de atendimentos realizados de mulheres que moram no bairro. Mulheres que procuraram a Secretaria para buscar ajuda, para tentar romper com esse ciclo de violência”.

O Florescer encerrou agora em outubro o ciclo de um ano ligado ligado ao programa Universidade Sem Fronteiras. Agora, o plano é continuar com as atividades e, para isso, outras formas de financiamento estão sendo buscadas. “O Florescer, para sua continuidade, tem o apoio da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres; da Prefeitura Municipal de Guarapuava; da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Paraná, na pessoa da deputada Cristina Silvestri – uma grande entusiasta do Florescer e do trabalho realizado nas escolhas; do Conselho Municipal dos Direitos dad Mulher de Guarapuava e da Rede de Enfrentamento a Violência contra a Mulher de Guarapuava. Todos, então, estão unidos nessa busca para que o projeto tenha continuidade e estamos em negociação com a Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná. Acreditamos que notícias boas devem chegar nos próximos dias”, detalha Ariane. 

Durante o último ano, projeto esteve em seis escolas municipais trabalhando a prevenção da violência contra a mulher (Foto: Florescer)

A secretária de Políticas Públicas para Mulheres do município, Priscila Schram de Lima, avalia que o Florescer exerce um papel crucial na realização daquilo que prevê a Lei Maria da Penha, no sentido de criar mecanismos para prevenção da violência contra mulher. Além disso, destaca o protagonismo que o projeto dá às crianças participantes. “Elas têm voz ativa dentro do projeto, elas falam, questionam, agem, ou seja, têm uma postura ativa de enfrentar a violência a partir das oficinas de educomunicação. Eu acredito que é de um protagonismo inédito. Então, realmente, o que o Florescer tem conseguido construir na sociedade é histórico”, defende.

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