Diretrizes para aplicação de tecnologias sociais e ODS na gestão de resíduos sólidos em comunidades rurais
Maiza Karine Barcia
Data da defesa: 23/09/2025
Banca:
Dra. Érica Pugliesi – UFSCAR – Primeira examinadora
Dra. Kelly Geronazzo Martins – UNICENTRO – Segunda Examinadora
Dra. Tatiane Bonametti Veiga – UNICENTRO – Orientadora e Presidente da Banca
Resumo:
Estabelecer condições adequadas para a gestão de resíduos é essencial à proteção da saúde pública e do meio ambiente, especialmente em áreas rurais, onde a ausência de coleta regular e de destinação final adequada agrava problemas socioambientais. A geração de resíduos das atividades agrossilvopastoris, como embalagens de agrotóxicos e insumos veterinários, exige soluções específicas e adaptadas à realidade local. Este estudo teve como objetivo elaborar um diagnóstico voltado à gestão de resíduos sólidos em comunidades rurais no município de Irati, Paraná. A pesquisa, de caráter exploratório e descritivo, utilizou questionários aplicados em entrevistas a 110 domicílios. O instrumento foi validado por especialistas e testado em estudo piloto, assegurando sua adequação ao contexto pesquisado. Destaca-se que, além de subsidiar a metodologia da presente pesquisa, representa uma contribuição metodológica passível de adaptação a outras regiões do país. Os resultados indicaram predominância de mulheres (66,36%), pessoas brancas (85,45%) e baixa escolaridade (52,73% com fundamental incompleto), com idade média de 51 anos. Os resíduos mais gerados foram plásticos (49,09%) e orgânicos (31,82%). Embora a segregação entre orgânicos e inorgânicos fosse comum, apenas 39,09% separavam recicláveis corretamente, persistindo critérios inadequados, como distinguir “queimável” de “não queimável”. O acondicionamento mostrou-se limitado, exceto para embalagens de agrotóxicos, majoritariamente armazenadas, conforme normas técnicas. Acoleta esteve ausente em 53,64% dos domicílios e, quando presente, ocorreu sobretudo de forma mensal (70,45%). Pontos de Entrega Voluntária (PEV) estavam ausentes em 90,91% das localidades. As principais formas de destinação incluíram alimentação animal para orgânicos e queima de inorgânicos e rejeitos. Foram observadas disposições irregulares próximas a estradas, áreas de mata e locais de antigos PEVs. Embora 57,27% tenham recebido informações sobre resíduos, apenas 6,36% participaram de capacitações, e a maioria desconhecia a Política Nacional de Resíduos Sólidos (94,55%) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (90,00%). Os resultados evidenciam a necessidade de fortalecer práticas sustentáveis de gestão de resíduos sólidos em áreas rurais, em consonância com os ODS e com tecnologias sociais, na busca por fomentar políticas públicas mais inclusivas. Apesar de se tratar de estudo local, sua adaptação a outras regiões reforça a relevância em um país com ampla população rural e onde princípios da Política Nacional de Saneamento Básico, como universalidade, equidade e integralidade, ainda não são plenamente assegurados, principalmente para as populações rurais.
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