Projeto de extensão do curso de Arte apresenta espetáculo de dança-teatro em Guarapuava

Projeto de extensão do curso de Arte apresenta espetáculo de dança-teatro em Guarapuava

 

Montagem investiga, por meio do corpo e dos gestos, relações entre infância, memória, passagem e permanência


O Laboratório de Dança-Teatro da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) apresentou, na última sexta-feira (2), o espetáculo “Talvez Nunca Tenha Ido Embora – Uma investigação em dança-teatro sobre os corpos que permanecem”, no Teatro Municipal Marina Karam Primak, em Guarapuava. A montagem integra as atividades de um projeto de extensão do curso de Arte e propõe uma investigação poética sobre a relação entre infância, memória, passagem e permanência, explorando aquilo que continua presente no corpo mesmo com o passar do tempo. Tudo isso através de brincadeiras, objetos, fios, elásticos e movimentos que se repetem e se transformam, os corpos revelam vestígios de experiências que pareciam ter ficado para trás.

Durante o espetáculo, um guardião acompanha o percurso dos personagens e recolhe pequenos fragmentos enquanto os atores atravessam o palco, aproximam-se e afastam-se e reencontram-se. Durante o espetáculo foi possível perceber a infância retratada de diversas formas, como nos gestos. A apresentação parte da reflexão sobre o que permanece em nós quando o tempo passa e sobre experiências que ficam marcadas.

A  professora responsável pelo projeto, Clediane Lourenço, conta que a ideia teve início com base em um projeto de pesquisa pessoal, com a pesquisa teórica que levou ao projeto prático. Entre as referências utilizadas estão os trabalhos da coreógrafa Pina Bausch e do historiador da arte Aby Warburg, especialmente nas reflexões sobre os gestos.. “Tem alunos de todas as turmas e a proposta inicial é trabalhar a sobrevivência do gesto, dos nossos gestos que nos acompanham nesse corpo e trazer isso à tona”, explica.

Para que o espetáculo acontecesse, cada aluno assumiu uma função. Mel Beatriz Paulo ficou responsável pela maquiagem e disse que até para descobrir o que faria em cada personagem foi utilizada a metodologia de Pina Bausch. “Foi baseado no processo da Bausch, que são as perguntas e as respostas. A professora Clediane fazia uma pergunta e a gente tinha que responder corporalmente, e assim foi surgindo a personalidade de cada maquiagem”. A estudante também utilizou elementos visuais para traduzir as características dos personagens. “Se era um personagem que me assustava, então eu utilizava cores que passassem esse traço de personalidade”, explica.

A acadêmica Emily Emanuely Nema, do quarto ano do curso de Arte, participou da produção como coordenadora pedagógica. Para ela, a apresentação representa também uma experiência de retomada de memórias pessoais por meio dos gestos. “Algum gesto que sobreviveu lá da minha infância, a gente trouxe aqui para o palco, e esse espetáculo surgiu como uma forma de lembrar a gentileza conosco, porque a nossa criança interior sempre está dentro da gente”, afirma.

Segundo Emily, outras possibilidades de investigação devem ser trabalhadas nas próximas etapas, ampliando a discussão sobre as diferentes formas que o corpo pode assumir ao longo da vida. “No início nós vimos vários corpos que a gente vai trabalhar. Nesse, a gente tem o corpo infância, o corpo arquivo, e queremos falar também sobre o corpo metamorfose, um corpo que se transforma, se estende e expande”, destaca.

As próximas apresentações do projeto serão divulgadas pelos canais oficiais da Unicentro, incluindo o perfil da Universidade no Instagram, @unicentropr.

 

Por Luiza Lobo, com supervisão de Giovani Ciquelero

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