Neddij e Numape promovem seminário sobre políticas públicas, gênero e violências no Câmpus de Irati

Neddij e Numape promovem seminário sobre políticas públicas, gênero e violências no Câmpus de Irati

Evento reúne pesquisadoras, profissionais e representantes do poder público para debater enfrentamento às violências e garantia de direitos.


A articulação entre universidade, poder público e redes de proteção está no centro das discussões do I Seminário de Políticas Públicas, Gênero e Violências. O evento começou nesta quinta-feira (28) e segue até amanhã (29) no Auditório Denise Stoklos, no Câmpus de Irati da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

Promovido pelo Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude (Neddij) e pelo Núcleo Maria da Penha (Numape), o encontro reúne acadêmicos, pesquisadores, profissionais e representantes de instituições públicas para discutir desafios relacionados ao enfrentamento das violências contra mulheres, crianças e adolescentes.

A coordenadora do Neddij, professora Michele da Rocha Cervo, explica que o seminário surgiu da parceria entre os dois núcleos e da necessidade de ampliar o diálogo sobre temas presentes no cotidiano dos projetos. “O objetivo é aproximar essas discussões e práticas da comunidade acadêmica e dos trabalhadores da região, com os quais o Neddij e o Numape vêm atuando ao longo dos anos”, comenta.

Seminário reúne profissionais, pesquisadores e comunidade acadêmica para discutir políticas públicas, gênero e enfrentamento às violência (Foto: Coorc)

Para a coordenadora do Numape, professora Ana Paula Müller de Andrade, a complexidade das pautas exige justamente essa articulação entre diferentes campos e atores. “A resposta para essas problemáticas, em geral, não está num serviço só, numa secretaria só, num campo de atuação. Ela está colocada em diferentes campos disciplinares, a partir de diferentes marcadores sociais — raça, classe social, gênero”, explica. “A ideia do seminário é provocar esse debate interdisciplinar e interseccional, para a gente conseguir seguir alinhavando e encontrando possibilidades para criar novas redes”, complementa.

Atuação em conjunto

Segundo as organizadoras do seminário, a escolha dos convidados buscou dar conta da multiplicidade de perspectivas necessárias e das demandas encaradas pelos projetos. “Optamos por mulheres ativistas, pesquisadoras e profissionais que estão diretamente no campo das práticas e das políticas públicas. Buscamos contemplar mulheres indígenas, mulheres negras, trabalhadoras do sistema de justiça e da universidade, abrangendo diferentes contextos da rede de proteção”, detalha Michele.

Como primeira atividade, a mesa-redonda “Garantir Direitos, Combater Violações: Articulações e Ações em Rede” contou com falas de representantes do poder público local. Participaram da conversa o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Irati, Denis Cesar Musial; a diretora de departamento da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Ana Paula Garcêz; e o coordenador do Departamento de Atenção à Primeira Infância, Criança e Adolescente de Irati, Thiago Gorte.

Para Denis Musial, a aproximação entre os diferentes atores consolida as redes de atendimento como um todo. “É fundamental fazer a ligação entre aquilo que é discutido dentro da universidade e o que é levado de maneira prática até a comunidade”, ressalta. “A política pública é pautada em evidências científicas, e aí se destaca a importância da universidade estar junto, porque são essas conexões que fortalecem as instituições do estado democrático”, afirma o secretário.

As apresentações culturais da noite ficaram por conta dos projetos de dança da Cidade da Criança de Irati (Foto: Coorc)

Questão racial e interseccionalidade

A programação do primeiro dia encerrou com a palestra “Contribuições do Debate Racial para o Enfrentamento de Violências e Violações de Direitos”, ministrada pela psicóloga da Universidade Aberta à Terceira Idade de Irati (Uati), Thais Rodrigues dos Santos. Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela apresentou reflexões baseadas em sua pesquisa com famílias interraciais do Paraná, discutindo como raça, gênero e classe atravessam o acesso a direitos e as experiências sociais de diferentes grupos.

“Nem todas as maternidades são vivenciadas da mesma forma. Há maternidades que são desautorizadas. O debate racial e colonial vai construindo imagens estigmatizadas que fazem com que algumas pessoas tenham mais direitos que outras — e outras nem sejam consideradas sujeitas de direitos”, afirma.

Programação continua nesta sexta-feira (29)

O segundo dia do seminário traz mesas-redondas sobre temas envolvendo o enfrentamento às violências, além de discutir saúde mental, direitos humanos e políticas públicas em contextos escolares. As atividades começam às 8h30, no Auditório Denise Stoklos, e se estendem durante o dia.

O encerramento do evento, às 18h, reúne representantes do Numape e do Neddij para uma reflexão sobre os desafios e contribuições da atuação dos núcleos na região. Confira a programação completa no perfil do Instagram @iseminarioppgv

As fotos da abertura do evento estão disponíveis no Banco de Imagens da Unicentro

Por Wyllian Correa

 


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