Curso de Psicologia da Unicentro promove ações em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial

Curso de Psicologia da Unicentro promove ações em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial

O curso de Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) está promovendo uma série de atividades para marcar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio. A programação começou na sexta-feira (15) no Câmpus de Irati e segue com ações durante os próximos dias. A iniciativa envolve diferentes disciplinar , com o objetivo de conscientizar sobre a importância da saúde mental e combater preconceitos relacionados a sofrimentos psíquicos.

A iniciativa envolve diferentes disciplinas. Em “Psicologia da Saúde e Saúde Mental”, ministrada pelo professor Gustavo Zambenedetti, a proposta foi uma roda de conversa sobre a perspectiva antimanicomial nos atendimentos públicos. As convidadas foram a coordenadora da Rede de Atenção à Saúde Mental de Prudentópolis, Vanderléia Schinemann, e as psicólogas Carine Marques e Suelen Dalpiaz, que atuam nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município.

“A gente pensa que essa luta é só contra hospitais psiquiátricos e manicômios, mas as práticas manicomiais às vezes estão dentro de nós. Ainda existe a ideia de que pessoa com sofrimento mental tem que ir para algum lugar, que hoje seria o CAPS, mas se esquece que ela pode ter outras questões clínicas e sociais que precisam ser trabalhadas”, afirma Vanderléia.

Vanderléia Schinemann compartilhou a trajetória e os desafios da Rede de Atenção à Saúde Mental de Prudentópolis (Foto: Coorc).

Para ela, aproximar estudantes de Psicologia da realidade profissional colabora para uma formação acadêmica mais humanizada. “Essa interface entre a prática e a teoria é importante para que a gente tenha futuros psicólogos atentos e sensíveis às questões de saúde mental”, destaca a coordenadora.

Na disciplina de Estágio em Psicologia Social, estudantes montaram a exposição imersiva “Lokiando: memórias e transformações da história da loucura à luta antimanicomial”, orientada pela professora Michele Cervo. “A gente pensou que não seria suficiente mostrar o que é essa luta, mas queríamos que as pessoas realmente sentissem um pouco do que ela significa. Ao entrar na sala na escuridão, convidamos elas a colocarem luz nessa história, que por muito tempo foi apagada”, descreve o acadêmico Matheus Fabris Fusco.

A mostra apresenta uma linha do tempo sobre saúde mental, desde a Idade Média até a criação de serviços como o CAPS e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O espaço também reúne relatos de usuários do CAPS de Irati e obras artísticas de pessoas em atendimento. “Nosso objetivo foi sensibilizar e mostrar que a loucura é um processo histórico que teve vários estigmas e estereótipos na sociedade e que vai se desconstruindo com o passar dos anos”, explica Matheus.

Uma das ações reuniu fotos produzidas por usuários do CAPS II de Irati (Foto: Coorc)

Em algumas visitas guiadas, o público foi incentivado a debater sobre o tema. “Depois das perguntas que o pessoal da Psicologia fez sobre características comuns de cada um, vi que nós mesmos poderíamos estar em manicômios se a gente vivesse na época em que existiam. Isso choca e mexe muito com a gente”, opina Daniela de Lima, caloura de Fonoaudiologia. A exposição segue aberta para visitação durante a semana, na sala 111 do Prédio Principal do câmpus.

No mesmo bloco, um vídeo de conscientização sobre a data está sendo exibido no painel localizado no corredor. Essa ação é fruto do Estágio Supervisionado em Psicopatologia, com coordenação da professora Angela Silva. Os estudantes também reuniram fotos produzidas por usuários do CAPS II de Irati em uma exposição intitulada “Fotografia, subjetividade e cotidiano”.

Além disso, acadêmicos da disciplina “Uso de substâncias psicoativas e aspectos psicossociais” estão produzindo um vídeo sobre o consumo de drogas e efeitos na saúde mental. A proposta está sendo orientada pelo professor Matheus Brandão.

Ao longo da semana, algumas exposições devem ser levadas a outros espaços, como a Feira Agroecológica e o centro da cidade, com intuito de divulgar informações sobre saúde mental à população em geral.

Por Amanda Pieta

Deixe um comentário