
Docente da Unicentro debate estereótipos sobre povos indígenas em seminário internacional em Portugal
A professora Mariulce Leineker, docente do Departamento de Pedagogia e coordenadora do curso de Pedagogia Indígena da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), participou do Seminário Internacional de Estudos Globais, promovido pelo Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta, em Portugal.
No evento, a docente falou sobre os estereótipos relacionados aos povos indígenas e seus impactos sociais. “Entre os pontos abordados na apresentação estão a conceituação de estereótipos; a compreensão dos estereótipos como construções sociais simplificadoras que reduzem a diversidade dos povos indígenas a imagens homogêneas e, frequentemente, distorcidas”, conta a professora. “Também será abordado sobre a formação histórica dos estereótipos; os principais estereótipos recorrentes nos discursos dos brasileiros; a diversidade sociocultural indígena; e o papel da Unicentro na formação dos indígenas, com a experiência do curso de Pedagogia na Aldeia Rio das Cobras”, detalha.
Mariulce conta, ainda, que a análise apresentada partiu de uma perspectiva ampla sobre o contexto indígena brasileiro. “Inicialmente realizei uma análise ampla do contexto indígena no Brasil, na sequência a fala foi sobre os povos Kaingang e Guarani e como tem sido a presença da Universidade no território indígena”, explica.
A docente destacou que os estereótipos produzem impactos concretos na vida dos povos indígenas, afetando o acesso a direitos e o reconhecimento de especificidades culturais. “Os estereótipos promovem um processo contínuo de invisibilização, ao reforçarem a ideia de que os povos indígenas pertencem apenas ao passado. Essa visão compromete o reconhecimento de sua presença ativa na sociedade atual, inclusive em espaços urbanos e acadêmicos, e fragiliza a valorização de suas línguas, saberes e modos de vida”, afirma.
Ainda de acordo com a professora, práticas discriminatórias e percepções equivocadas interferem diretamente na oferta de serviços públicos e na participação social das comunidades indígenas. “Considero que os estereótipos atuam como mecanismos de manutenção de desigualdades, pois moldam percepções sociais, orientam práticas institucionais e influenciam políticas públicas”, ressaltou.
“Na prática”, acrescenta a professora, “observa-se que concepções equivocadas, como a ideia de que os indígenas são ‘atrasados’ ou incapazes de participar da vida contemporânea, contribuem para atendimentos inadequados nos serviços públicos, desconsideração de suas especificidades culturais na educação e dificuldades na efetivação de direitos territoriais”, pontua.
A professora Mariulce também avaliou a importância de discutir a temática em um espaço internacional. Para ela, o debate contribui para ampliar a visibilidade das experiências brasileiras voltadas à educação intercultural e à inclusão social. “Discutir os estereótipos sobre os povos indígenas em um evento internacional é de extrema relevância, sobretudo em um contexto marcado pela intensificação dos fluxos globais, pela circulação de discursos e pela crescente visibilidade das pautas relacionadas aos direitos humanos e à diversidade cultural”, disse. “Há a possibilidade de ampliar o debate para além das realidades locais, evidenciando que os estereótipos não são fenômenos isolados”, completa.
Na apresentação, a professora também compartilhou a experiência da Unicentro com o curso de Pedagogia desenvolvido na Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. A iniciativa atende estudantes das etnias Kaingang, Guarani e Xetá e busca fortalecer a formação de professores indígenas e a valorização das identidades culturais nas comunidades. “Essa experiência evidencia, na prática, como a educação pode atuar na desconstrução de estereótipos, ao promover o protagonismo indígena, valorizar saberes tradicionais e reconhecer a diversidade linguística e cultural”, destaca.
Para a docente, o intercâmbio com pesquisadores e instituições de outros países pode contribuir para o aprimoramento das ações desenvolvidas pela universidade. “A troca com realidades de outros países tende a contribuir de forma significativa para o trabalho desenvolvido na Unicentro com os povos indígenas, sobretudo por ampliar o horizonte analítico e metodológico das ações de ensino, pesquisa e extensão”.
Além da participação no seminário, a professora realizou uma visita técnica à Universidade da Beira Interior, onde apresentou o curso de Pedagogia da Unicentro a professores da área de Filosofia e conheceu espaços acadêmicos da instituição portuguesa.
Sobre o evento – O Seminário Internacional de Estudos Globais integra as chamadas “Conferências Globais” da Universidade Aberta e tem como objetivo promover debates científicos interdisciplinares sobre fenômenos globais e suas implicações locais e internacionais. A iniciativa também busca fortalecer redes de cooperação acadêmica e ampliar a circulação de pesquisas produzidas em diferentes países.
O evento ocorreu em formato híbrido, reunindo pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais interessados em temas ligados à globalização, cultura, educação e sociedade.
Por Maíra Machado
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