Palestra na Unicentro debate estereótipos de gênero e alerta para raízes da violência contra a mulher

Palestra na Unicentro debate estereótipos de gênero e alerta para raízes da violência contra a mulher

 

Evento integra as ações do projeto Mulheres que Somam

Na noite da última terça-feira (14), o Câmpus Cedeteg da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) recebeu a palestra “Estereótipos de gênero e machismo: a porta de entrada para o ódio contra as mulheres”. A atividade integrou o projeto de extensão Mulheres que Somam e reuniu acadêmicos, professores e a comunidade para discutir um tema cada vez mais urgente.

A palestra foi conduzida pela agente regional da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Bruna Spitzner. Também participaram como debatedoras Antoniela de Paula Veiga e Ezilda Ribeiro, do Núcleo Regional de Educação (NRE), além de Mariela Frigeri, representante da Procuradoria Jurídica da universidade (Procjur).

A palestrante chamou atenção para o crescimento de discursos misóginos, como os associados ao movimento conhecido como “Red Pill”, e alertou para o impacto dessas ideias entre os jovens. “A gente precisa trabalhar na base, seja nas escolas ou nas universidades. É conversando com essa geração que começamos a transformar a realidade para poder, em algum momento, vislumbrar um futuro sem violência contra as mulheres”, afirmou.

Durante sua fala, Bruna destacou que o machismo não se manifesta apenas em situações explícitas de violência, mas também em comportamentos cotidianos. Segundo ela, comentários considerados “normais”, piadas e imposições sociais fazem parte de uma estrutura histórica que sustenta a desigualdade de gênero e contribuem, inclusive, para dificultar a presença feminina em espaços como a universidade e o mercado de trabalho.

Outro ponto abordado foi a chamada “pirâmide da violência”, que mostra como atitudes aparentemente simples podem evoluir para formas mais graves de agressão. “Esses comentários, essas piadas e imposições sociais estão na base de tudo isso. À medida que avançamos na pirâmide, começamos a ver a violência psicológica e o controle, e isso, infelizmente, acaba se tornando a porta de entrada para o feminicídio”.

As debatedoras complementaram a discussão trazendo reflexões sobre o contexto educacional e institucional, além de orientações sobre como buscar apoio em casos de violência ou discriminação. A proposta foi não apenas informar, mas também oferecer caminhos práticos para enfrentamento dessas situações.

Projeto promove acolhimento e debate contínuo

A palestra na instituição faz parte do projeto de extensão Mulheres que Somam, iniciativa que busca incentivar o ingresso, a permanência e a construção de carreiras de meninas e mulheres nas áreas de ciências exatas, engenharia e computação.

Coordenadora do projeto, a professora Taiana Moretti Bonadio explica que a proposta surgiu no ano passado, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e segue com o mesmo objetivo: criar espaços de acolhimento e diálogo. “A ideia é que as acadêmicas se sintam seguras, que possam conversar, trocar experiências e ter contato com pesquisadoras. Infelizmente, o machismo ainda é uma realidade dentro das instituições, e precisamos falar sobre isso”, destaca a docente do Departamento de Física.

Ela ressalta que dentro do projeto há diversas ações extensionistas, incluindo palestras, rodas de conversa, encontros com profissionais como psicólogas e advogadas, além de atividades em parceria com outras instituições.

A organizadora do evento, professora Carolina Paula de Almeida, enfatiza que a escolha dos temas de discussão parte das próprias estudantes. Segundo ela, assuntos como machismo e violência de gênero aparecem com frequência nas demandas das participantes. “É um tema que elas querem ouvir e discutir. Nosso papel é trazer informação, mas também orientação. Não basta falar, é preciso mostrar quais caminhos seguir e onde buscar apoio”, afirma a coordenadora do curso de Big Data no Agronegócio.

A docente também destaca que as atividades são abertas a toda a comunidade acadêmica, incluindo homens. Para ela, o enfrentamento da violência de gênero depende de informação e envolvimento coletivo. “É um assunto que precisa ser conhecido por todos. Quanto mais a gente entende, mais preparado fica para agir e transformar essa realidade”, completa.

 

Por Poliana Kovalyk


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