Ana Lourena dos Santos Ribas
TÍTULO: Desigualdade de Gênero e Migração Feminina no Campo: desafios e estratégias de resistência na agricultura familiar
RESUMO: A presente pesquisa tem como objeto investigar a relação entre a desigualdade de gênero, desvalorização e invisibilidade do trabalho feminino na agricultura familiar e sua influência sobre a emigração das mulheres em busca de autonomia e melhores oportunidades. Questiona-se: a desigualdade de gênero na agricultura familiar influencia a emigração feminina em busca de autonomia, reconhecimento do trabalho e melhores oportunidades? E, quais estratégias de empoderamento e resistência as mulheres adotam para enfrentar os desafios associados à emigração rural? Pressupõe como hipótese, que mulheres agricultoras, em cenários de desvalorização, invisibilidade de seu trabalho e disparidades de gênero na agricultura familiar, são mais propensas a emigração como estratégia para alcançar independência, reconhecimento e melhores oportunidades. Metodologicamente adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, utilizando a metodologia de História Oral de Vida e Análise do Discurso (AD) para analisar as trajetórias de três mulheres rurais dos municípios de Goioxim, Guarapuava e Foz do Jordão, no Paraná. Os resultados permitem observar nas narrativas das entrevistadas a persistência da invisibilidade do trabalho feminino no campo, sendo classificado como “ajuda” e excluído da esfera decisória e financeira. A emigração, o retorno ao campo com maior autonomia administrativa, ou a busca por rendas não agrícolas nos espaços urbanos, emergem como estratégias de resistência contra a desvalorização. Conclui-se que a permanência feminina no campo é um ato político de “reexistência”, construído através de redes de apoio e da busca contínua por reconhecimento, autonomia e justiça social, reconfigurando o sentido do trabalho e da vida rural.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdade de Gênero; Migração Feminina; Agricultura Familiar.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Simão Ternoski