APLICAÇÃO DA TERMOGRAFIA INFRAVERMELHA NO DIAGNÓSTICO DA CARGA FÍSICA E COGNITIVA EM OPERADORES DE GRAPPLE SKIDDER NA EXTRAÇÃO FLORESTAL

 

Ana Carolina Ianesko

 

Defesa Pública: 09 de julho de 2026.

 

Banca Examinadora:

Prof. Dr. Marcio Alves Marçal, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Primeiro Examinador.
Prof.ª Dra. Denise Ransolin Soranso, Universidade Federal de Itajubá, Segunda Examinadora.
Prof. Dr. Erivelton Fontana de Laat, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Terceiro Examinador.
Prof. Dr. Eduardo da Silva Lopes, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientador e Presidente da Banca Examinadora.

 

RESUMO:

A colheita de madeira passa por um intenso processo de modernização tecnológica. Embora essa transformação tenha aumentado a produtividade operacional, intensificou-se a carga física e cognitiva dos operadores, evidenciando a necessidade de ferramentas mais precisas para o diagnóstico ergonômico da carga de trabalho. O objetivo desta pesquisa foi analisar a resposta termofisiológica de operadores de grapple skidder submetidos a cargas de trabalho física e cognitiva durante a extração de madeira por meio da termografia infravermelha. O delineamento experimental baseou-se em uma abordagem metodológica integrada, combinando métricas subjetivas e objetivas aplicadas a uma amostra intencional composta por cinco operadores experientes de grapple skidder, pertencentes ao mesmo módulo operacional de extração e submetidos a condições semelhantes de atividade e exposição ocupacional. Inicialmente, procedeu-se à caracterização do perfil clínico-ocupacional e ao mapeamento da percepção de dor por meio do Diagrama de Áreas Dolorosas de Corlett. O monitoramento fisiológico não invasivo foi conduzido nos períodos pré e pós-jornada, ao longo da escala semanal de trabalho, em ambiente microclimático controlado a 23 ºC no interior de uma unidade móvel de vivência. As imagens térmicas foram obtidas com um transdutor FLIR E54 de calibração médica e processadas no software VisionFy Editor, extraindo-se as temperaturas máxima (𝑇𝑚á𝑥) e média (𝑇𝑚é𝑑) em Regiões de Interesse (ROIs) orbitofaciais (carga cognitiva) e musculoesqueléticas (carga física). Os dados radiométricos matriciais foram submetidos à Análise de Componentes Principais (PCA) e a Modelos Lineares Mistos (LMM), utilizando a ANOVA Tipo III e o pós-teste de comparações múltiplas de Tukey (α = 0,05). Os resultados evidenciaram elevada prevalência de queixas álgicas nas regiões lombar, cervical e mãos, apresentando convergência topográfica com as áreas de hiperradiação térmicas identificadas. A análise dos diferenciais térmicos (ΔT) demonstraram intensa sobrecarga muscular no pós-turno de trabalho, principalmente nas mãos (ΔT médio de +2,83 ºC) e ombros (ΔT de +2,20 ºC), superando o limiar de anormalidade inflamatória descrito na literatura (ΔT > 1,00 ºC). O carga cognitiva elevado manifestou-se pelo aumento térmico nas regiões orbitais (ΔT de +2,69 ºC), indicando estados de vigilância sustentada, elevada demanda atencional e fadiga cognitiva. A modelagem LMM confirmou que a temperatura cutânea foi significativamente influenciada pela região anatômica, período da jornada e dia de coleta (ρ < 0,001), evidenciando efeito cumulativo de fadiga fisiológica ao longo da semana laboral. Os resultados sugerem que o repouso interjornada foi insuficiente para restaurar plenamente a homeostase térmica dos operadores. Portanto, a termografia infravermelha constitui uma ferramenta promissora para o diagnóstico multidimensional da carga física e cognitiva em operações florestais mecanizadas. No entanto, esses resultados devem ser interpretados com cautela, pois o estresse não foi confirmado por medidas fisiológicas ou psicológicas complementares

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