EFEITO DE DIFERENTES MÉTODOS DE MENSURAÇÃO DE ALTURA NA ESTIMATIVA DO VOLUME EM ÁREA DE MANEJO FLORESTAL NA AMAZÔNIA

 

Bruno de Almeida Lima

 

Defesa Pública: 20 de fevereiro de 2025.

 

Banca Examinadora:

Profª. Dra.Sintia Valério Kohler, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Primeira Examinadora.
Prof. Dr. Rodrigo Otávio Veiga de Miranda, Universidade Federal de Uberlândia, Segundo Examinador.
Prof. Dr. Lucas Sérgio de Sousa Lopes, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Terceiro Examinador.
Prof. Dr. Júlio Eduardo Arce, Universidade Federal do Paraná, Quarto Examinador.
Profª. Dra. Fabiane Aparecida Retslaff Guimarães, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientadora e Presidente da Banca Examinadora

RESUMO:

O presente estudo teve por objetivo avaliar diferentes procedimentos de mensuração de altura e seus efeitos na estimativa de volume comercial em área de manejo florestal. A área de estudo está localizada na Unidade de Produção Anual n°2 (UPA 2), na Floresta Nacional do Tapajós (FNT), estado do Pará, Brasil. Na pesquisa foram utilizados dois bancos de dados: banco de dados 1 (Inventário Florestal 100% – IF 100%) e o banco de dados 2 (Amostragem para avaliação da altura). O primeiro foi disponibilizado pela Cooperativa Mista Flona do Tapajós e contém as informações das espécies levantadas no IF 100%, destacando-se as espécies comerciais aptas ao corte com diâmetro a 1,3 m (DAP) do solo maior ou igual a 50 cm. Já o banco de dados 2, é composto por 321 árvores (DAP ≥ 50 cm) mensuradas na amostragem visando a avaliação da altura. As espécies com maior potencial volumétrico identificadas no banco de dados 1 foram: Manilkara elata (Allemão ex Miq.) Monach (Maçaranduba); Hymenaea parvifolia Huber (Jutaí-mirim); Mezilaurus itauba (Meins.) Taub. Ex Mez (Itaúba); e Couratari guianensis Aubl. (Tauari). Nas árvores amostradas dessas espécies foram mensurados o DAP, altura comercial (hc) e total (h). Essas alturas foram mensuradas com os hipsômetros Vertex e Trupulse e com a trena e compuseram o banco de dados 2. O tempo de medição das alturas desses procedimentos foi cronometrado e para comparar os procedimentos de medição de altura foram utilizadas também, a estimativa visual do IF 100% e a altura comercial do romaneio. As seguintes estatísticas foram utilizadas para essa avaliação: Raiz do Quadrado Médio do Erro – RQEM, Viés% e análise gráfica dos resíduos. Foram ajustados modelos hipsométricos específicos para cada uma das quatro espécies já mencionadas e agrupando-se essas espécies. Esses ajustes foram feitos para cada altura comercial mensurada nos procedimentos trena, Trupulse, Vertex, Visual e Romaneio. Modelos volumétricos de simples e dupla entrada foram ajustados, utilizando dados do romaneio (banco de dados 2), por espécie e com dados agrupados. Para os modelos de dupla entrada, o ajuste foi realizado considerando a altura comercial da trena e do romaneio. Para avaliação dos ajustes hipsométricos e volumétricos foi utilizado o coeficiente de determinação ajustado (R²aj), erro padrão de estimativa (Syx) absoluto e relativo e a distribuição gráfica dos resíduos. Após a seleção das equações, realizou-se estimativas de volume, para o banco de dados 1 e 2, aplicando-se as equações volumétricas de melhor performance e com o fator de forma recomendado por Heinsdijk e Bastos (f1,3 = 0,7), utilizando como entrada as alturas dos diferentes procedimentos de obtenção da altura comercial, as quais foram comparadas com o volume do romaneio, com o objetivo de avaliar o efeito de cada altura na estimativa desse volume. A partir dos resultados, verificou-se na comparação dos procedimentos de altura comercial que a estimativa visual obteve o maior erro médio, enquanto a medição com os hipsômetros Vertex e Trupulse produziram os menores erros em relação à altura medida com a trena. Na comparação da mensuração com os hipsômetros Vertex e Trupulse, o primeiro teve o melhor desempenho e o menor tempo de medição da altura comercial. As equações hipsométricas ajustadas para estimar a altura comercial apresentaram, como esperado, um baixo coeficiente de determinação e erros altos, destacando-se o modelo de Curtis, que apresentou os melhores resultados para a maioria das espécies. Os ajustes com as alturas obtidas no romaneio apresentaram estatísticas sempre melhores do que com as alturas da trena no momento do corte da árvore. Nos ajustes dos modelos volumétricos se destacou o modelo de Schumacher-Hall como o mais apropriado nas diversas estratégias de obtenção de altura testadas. As estimativas de volume por espécie são mais apropriadas do que as estimativas geradas com equações que usam dados agrupados, isso para os dois bancos de dados. As estimativas de volume com o uso do fator de forma indicado por Heinsdijk e Bastos (1963), produziram os piores resultados, na maioria das vezes, e superestimou consideravelmente o volume de romaneio, não sendo, portanto, uma alternativa que se possa recomendar caso se tenha disponível uma equação de volume. O estudo mostrou que embora os modelos de dupla entrada apresentem estatísticas de ajuste e precisão melhores do que os modelos de simples entrada, estes são suficientes para produzir estimativas volumétricas de uma UPA.

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