POTENCIAL BIOENERGÉTICO DE RESÍDUOS LENHOSOS AMAZÔNICOS: PRODUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE PELLETS CONVENCIONAIS E TORREFADOS

 

Jessica Grama Mesquita

 

Defesa Pública: 12 de dezembro de 2025.

 

Banca Examinadora:

Profª. Dra. Natália Dias de Souza, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Primeira Examinadora.
Profª. Dra. Ana Paula Câmara da Silva, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Segunda Examinadora.
Prof. Dr. Thiago de Paula Protásio, Universidade Federal de Lavras, Terceiro Examinador.
Dr. Jaily Kerller Batista de Andrade, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Quarto Examinador.
Prof. Dr. Éverton Hillig, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientador e Presidente da Banca Examinadora

RESUMO:

O presente estudo teve como objetivo avaliar o potencial energético de pellets produzidos a partir de resíduos de madeiras amazônicas e o efeito da torrefação a duas temperaturas distintas (250°C e 300°C) na qualidade dos pellets produzidos. Foram utilizados resíduos de planos de manejo florestal sustentável de quatro espécies amazônicas: Tachigali paraenses (tachi), Dinizia excelsa (angelim vermelho), Hymenopus oblongifolius (casca seca) e Eschweilera coriacea (matamatá). Os biocombustíveis sólidos foram produzidos em peletizadora laboratorial (Amandus Kahl) com matriz plana de 6 mm, potência de 3,0 kW e capacidade de 30 kg·h⁻¹. A torrefação foi conduzida em reator tubular (Sanchis, Brasil), sob atmosfera de nitrogênio (150 mL·min⁻¹), com taxa de aquecimento de 10°C·min⁻¹ e tempo de residência de 60 minutos a temperatura de 250ºC e 300ºC. A avaliação dos pellets in natura e torrefados consistiu em propriedades químicas, físicas, mecânicas e energéticas. Os pellets in natura apresentaram poder calorífico superior (PCS) entre 18,81 e 20,45 MJ·kg⁻¹ e densidade energética de 10,11–11,79 GJ·m⁻³, enquadrando-se na classe A1 da norma ISO 17225-2. As espécies D. excelsa e E. coriacea atingiram a durabilidade mecânica mínima de 96,5% exigida pela mesma norma. A torrefação mostrou-se eficaz na melhoria das propriedades energéticas, elevando o PCS médio de 23,19 para 27,22 MJ·kg⁻¹ a 300°C, o teor de carbono fixo (de 33,47% para 56,36%) e o poder calorífico inferior (de 21,92 para 25,95 MJ·kg⁻¹). Temperaturas mais elevadas reduziram o rendimento sólido (73,47% para 49,10%) e o teor de materiais voláteis (64,98% para 41,15%), sendo o maior rendimento energético observado nos pellets de H. oblongifolius. Quanto à densidade aparente, apenas os pellets de E. coriacea apresentaram diferença significativa após a torrefação, com o menor valor (359,57 kg·m⁻³), sem prejuízo à durabilidade mecânica. Destaca-se que somente essa espécie atendeu à norma ISO 17225-8, alcançando 97,5% de durabilidade, correspondente à classe A1. A associação entre peletização e torrefação aumentou expressivamente a densidade energética, com potencial de mitigação de 1051 a 1053 kg de CO₂eq pela substituição do diesel, representando um incremento aproximado de 226% em relação ao material não peletizado.

PDF

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *