ANÁLISE POSTURAL E BIOMECÂNICA DE TRABALHADORES EM ATIVIDADES SILVICULTURAIS EM FLORESTA DE PÍNUS
Leonardo Felipe de Souza
Defesa Pública: 29 de setembro de 2025.
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Danilo Simões, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Primeiro Examinador.
Dr. Alison Alfred Klein, Kinebot, Segundo Examinador.
Prof. Dr. Eduardo da Silva Lopes, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientador e Presidente da Banca Examinadora
RESUMO:
As atividades de implantação de florestas plantadas são ainda caracterizadas pelo uso de métodos de trabalho manual e semimecanizado, com grande contingente de mão de obra e com os trabalhadores expostos a diversos riscos ergonômicos, especialmente em relação à adoção de posturas corporais não neutras e esforços excessivos na execução do trabalho. Diante disso, objetivou-se neste estudo analisar as posturas corporais e as exigências biomecânicas de trabalhadores com diferentes perfis antropométricos na execução de atividades silviculturais. A pesquisa foi conduzida em uma empresa prestadora de serviços florestais situada no estado de Santa Catarina, Brasil, abrangendo as atividades de plantio com “chacho”, plantio com “matraca”, roçada e semimecanizada e poda. A amostragem foi composta por 39 trabalhadores, estratificados conforme os percentis de estatura (5%, 50% e 95%). A análise postural foi realizada por meio do software Kinebot®, que utiliza visão computacional e inteligência artificial para estimar o percentual de exposição dos segmentos corporais e as posturas típicas adotadas, segundo a metodologia RULA. A análise biomecânica foi executada com o software 3DSSPP®, que estimou a carga de compressão no disco L5-S1 e os percentuais de população capaz para diferentes articulações corporais. Os resultados indicaram elevada exposição postural nos segmentos do tronco, pescoço e membros superiores, com predominância de escores nos níveis de ação 3 e 4, especialmente nas atividades de plantio com “chacho” e poda. A análise estatística multivariada (MANOVA) e discriminante revelou que a estatura corporal influenciou significativamente a exigência ergonômica, sendo que o grupo de estatura média (P95) apresentou os maiores percentuais de exposição nos diversos segmentos corporais, indicando possíveis riscos ergonômicos. A análise biomecânica demonstrou que em todas as atividades houve, em algum percentil, superação dos limites biomecânicos recomendados, evidenciando riscos à integridade física dos trabalhadores. A combinação de análises postural e biomecânica permitiu identificar os segmentos corporais mais críticos e as atividades mais exigentes, ressaltando a necessidade de intervenções ergonômicas voltadas ao atendimento de trabalhadores com diferentes perfis antropométricos. Os achados fornecem subsídios relevantes para o desenvolvimento de políticas de saúde ocupacional e adequação das ferramentas de trabalho utilizadas no setor de florestas plantadas.
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