DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE CALIBRAÇÃO DO CABEÇOTE HARVESTER NA EXATIDÃO E QUALIDADE DA MADEIRA
Mariclaudia Aparecida de Oliveira
Defesa Pública: 26 de setembro de 2025.
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Ricardo Hideaki Miyajima, Universidade de São Paulo, Primeiro Examinador.
Prof. Dr. Jean Alberto Sampietro, Universidade do Estado de Santa Catarina, Segundo Examinador.
Prof. Dr. Eduardo da Silva Lopes, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientador e Presidente da Banca Examinadora
RESUMO:
Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito do tempo de calibração do cabeçote processador da máquina harvester sobre a exatidão das medições de volume e a qualidade do processamento da madeira em povoamentos de Pinus taeda L. submetidos ao primeiro desbaste. A pesquisa foi conduzida no município de Bituruna (PR), em áreas implantadas em 2010, com diâmetros de 8 a 45 cm, altura média de 18,8 m, área basal de 53,1 m² ha⁻¹ e volume médio individual de 0,418 m³, conforme inventário de 2023. O experimento foi realizado com o harvester Ponsse Beaver equipado com cabeçote H6, durante 21 dias consecutivos, sem calibrações intermediárias, divididos em sete períodos de três dias. Foram avaliados indicadores de desempenho (tempo de ciclo, produtividade e rendimento energético), parâmetros de qualidade (tortuosidade, lascas, traçamento e encabeçamento das pilhas) e a exatidão volumétrica, comparando-se o volume estimado pela máquina (VHAR – volume comercial com casca estimado pelo harvester) com o volume obtido em campo (VCUB – volume comercial com casca determinado pela fórmula de Newton). A exatidão foi avaliada pela Raiz Quadrada do Erro Médio Percentual (RQEM%), por sortimento: celulose (6,00–13,00 cm), laminado (13,01–18,00 cm), serraria (>18,01 cm) e volume total. Também foram aplicadas medidas de concordância, gráficos de Bland–Altman e correlação de Pearson. Os resultados mostraram estabilidade nos indicadores de desempenho, com produtividade média de 13,0 m³ h⁻¹ e rendimento energético de 1,03 m³ L⁻¹. Na qualidade, o traçamento e as lascas apresentaram alta conformidade (≥96% e ≥89%), enquanto o encabeçamento teve cerca de 50% de inconformidade. Na exatidão volumétrica, o harvester superestimou os volumes de celulose (80–117%), subestimou os de serraria (25–40%) e apresentou valores intermediários para laminado (12–20%). O volume total teve erro médio de cerca de 5%, compensado entre os sortimentos. O maior desvio foi observado no quarto período (~12 dias), indicando perda de calibração, confirmada pelas medidas de concordância e pelos gráficos de Bland–Altman. A correlação apontou associação significativa entre ausência de lascas e melhor encabeçamento das pilhas (r = 0,83; p = 0,021). Conclui-se que a calibração periódica do cabeçote é essencial para garantir exatidão e qualidade do processamento, sendo recomendado intervalo de aproximadamente 12 dias, assegurando precisão metrológica, eficiência técnica e sustentabilidade na colheita florestal mecanizada.