EFEITO DO CUBO DE TRAÇÃO NO DESEMPENHO LOGÍSTICO DE BITRENS EM CENÁRIOS DE PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS

 

Jessyca Sperotto

 

Defesa Pública: 28 de novembro de 2025.

 

Banca Examinadora:

Prof. Dr. Angelo Márcio Pinto Leite, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Primeiro Examinador.
Prof. Dr. Alexandre Behling, Universidade Federal do Paraná, Segundo Examinador.
Prof. Dr. Eduardo da Silva Lopes, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Orientador e Presidente da Banca Examinadora.

RESUMO:

O transporte florestal rodoviário no Brasil apresenta desafios associados à heterogeneidade das combinações veiculares de carga e às diferentes proporções de estradas com revestimento asfáltico. Nesse contexto, a escolha do tipo de veículo influencia no desempenho operacional e nos custos logísticos. Considerando a hipótese de que o desempenho dos veículos varia em função dos diferentes tipos de tração e dos cenários com revestimento asfáltico, objetivou-se nesta pesquisa avaliar o desempenho operacional de dois modelos de veículos tipo bitrem no transporte rodoviário florestal em diferentes cenários com revestimento asfáltico. O estudo foi conduzido a partir de uma base em dados de telemetria fornecida por uma empresa logística do estado do Paraná. Foram analisadas duas Combinações Veiculares de Carga do tipo bitrem, configuradas com cubo redutor nos eixos (boggie pesado) e sem cubo redutor (boggie leve), operando em quatro cenários de estradas: C1 (até 25%), C2 (25% a 50%), C3 (50% a 75%) e C4 (> 75%) de revestimento asfáltico. Avaliaram-se as variáveis distância percorrida, tempo de viagem, velocidade média, peso líquido transportado e consumo de combustível, a partir das quais foram obtidos os indicadores eficiência operacional, rendimento energético e capacidade produtiva. As análises estatísticas incluíram testes univariados e multivariados (MANOVA e análise discriminante). Os resultados mostraram que distância percorrida diferiu apenas nos cenários C3, com maiores valores para o boggie leve, e C4, com maiores valores para o boggie pesado. O tempo de viagem foi semelhante na maioria dos cenários, com melhor desempenho do boggie pesado em estradas mistas e do boggie leve em estradas com maior proporção de revestimento asfáltico. A velocidade média diferiu apenas no C1, com maiores valores para o boggie leve. O consumo de combustível apresentou diferenças em todos os cenários, sendo 8% a 12% menor para o boggie pesado. A eficiência operacional foi superior a 70% em todos os cenários, com os melhores resultados do boggie pesado em rotas com menor proporção de pavimento. O rendimento energético foi maior para o boggie pesado nos cenários com até 75% de estradas sem revestimento asfáltico. A análise multivariada indicou que a proporção de revestimento asfáltico influencia principalmente a velocidade média, enquanto o consumo de combustível, rendimento energético e capacidade produtiva foram determinantes nas estradas com menor pavimentação. Conclui-se que veículos bitrem com boggie pesado apresentam melhor desempenho em rotas com menor proporção de revestimento asfáltico, enquanto os boggie leve se mostram mais adequados em estradas pavimentadas, em função da redução do tempo de viagem.

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