
Evento no Câmpus de Irati debate educação antirracista
O Núcleo de Estudos Étnico-Raciais (NEER) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) promoveu, na segunda-feira (6), o Colóquio de Pesquisa “História e Relações Étnico-Raciais no Paraná”. O evento, realizado no Câmpus de Irati, reuniu pesquisadores de diferentes instituições em três mesas-redondas para discutir aportes para uma educação antirracista.
Segundo a coordenadora do NEER, Méri Frotscher Kramer, o tema reflete a necessidade de fortalecer práticas educacionais inclusivas. “A gente precisa promover uma educação que pense a questão das diferenças. As práticas em sala de aula têm que permitir a crítica aos preconceitos, sejam eles raciais, de gênero, etários, entre outros”, defende a docente.
Um dos objetivos do colóquio foi dar visibilidade às pesquisas desenvolvidas por historiadores e educadores que estudam as vivências de indígenas, negros, imigrantes e outros grupos. A primeira atividade abordou o tema “Relações étnico-raciais, universidades e estudantes indígenas”. Os convidados para debater o assunto foram os professores Elizandra Fygsãnh Freitas (Colégio Estadual Rural Indígena Rio das Cobras), Marcos Nestor Stein e Ângela Meirelles de Oliveira (Unioeste), além da coordenadora do NEER.

A professora Elizandra Fygsãnh Freitas falou sobre a vivência dos acadêmicos kaingang nas universidades (Foto: Coorc).
“Muitos indígenas ingressam na universidade, mas, devido a uma série de questões, acabam desistindo de concluir o curso”, aponta Elizandra. Ela destaca que, para além das cotas e das bolsas de estudo, esses estudantes possuem outras demandas de permanência.
“A gente ainda sofre preconceitos que se apresentam de diversas formas: na exclusão dentro das salas, na ausência de uma rede de apoio e na falta de conhecimento sobre as dificuldades que eles vêm enfrentando”, elenca a professora kaingang.
Para o público, em sua maioria estudantes das Ciências Humanas e da Saúde, o evento incentivou uma formação mais sensível sobre os desafios que pessoas não brancas enfrentam na sociedade. “Foi algo que me fez repensar muita coisa e fazer várias anotações”, conta a caloura de Fonoaudiologia Ana Paula Pires de Almeida. “Agora consigo ter um olhar mais humanizado sobre como vou atuar quando me formar”, vislumbra a futura fonoaudióloga.
A programação do colóquio contou, ainda, com a mesa-redonda “Relações étnico-raciais e educação”, que teve contribuições dos professores da Unicentro Marcos Gehrke, Geyso Germinari e Danilo Fonseca. Encerrando o evento, os docentes Ana Maria Rufino Gillies (Unespar), Ilton Cesar Martins (UEPG) e o historiador Rhuan Zaleski Trindade (Museu Hipólito José da Costa) falaram sobre “Representações, identidades e questões étnico-raciais”.
Por Amanda Pieta









