
Banco Vermelho é apresentado nos câmpus Santa Cruz e Cedeteg como símbolo de combate ao feminicídio
Resumo
Intervenção integra série de inaugurações na Unicentro e aborda ações de conscientização sobre a violência contra a mulher
A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) apresentou, na manhã desta sexta-feira (27), a campanha de combate ao feminicídio “Banco Vermelho” nos câmpus Santa Cruz e Cedeteg, em Guarapuava. A ação marcou o início de uma programação que incluiu a inauguração de novos espaços institucionais.
A iniciativa busca sensibilizar a comunidade acadêmica para a gravidade da violência contra a mulher. Isso porque segundo dados publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2025, 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Coordenadora da ação, Alexandra Bittencourt Madureira, docente do departamento de Enfermagem, destaca o impacto simbólico da intervenção. “Quando a gente vê esse banco vermelho, devemos parar para pensar que naquele banco poderiam estar sentadas mulheres que foram assassinadas”, afirma.
Segundo ela, a proposta surgiu a partir da observação de experiências em outras universidades e da trajetória profissional voltada ao tema. “Eu trabalho com a questão da violência contra as mulheres há praticamente 20 anos. Quando vi essa movimentação, pensei: ‘podemos fazer’”, relata. A ideia foi apresentada à Reitoria e às direções de câmpus, que apoiaram a implantação.

Banco foi pintado em 2025. Ação foi coordenada pelas docentes Kátia Alexsandra dos Santos e Ana Paula Andrade.
A ação também se articula com iniciativas já desenvolvidas na universidade, como projetos de extensão, grupos de pesquisa e atendimentos voltados a mulheres em situação de violência, além da participação em redes municipais de enfrentamento. “Nós estamos em todas as frentes que se fala de prevenção e erradicação da violência contra as mulheres”, reforça Alexandra.
Para a vice-diretora do câmpus Cedeteg, Aline Marques Genú, o Banco Vermelho cumpre um importante papel de conscientização, especialmente entre os estudantes. “É o momento de fazer com que os nossos alunos entendam que isso não está longe da gente, que pode acontecer com qualquer pessoa”, pontua. Ela também destaca a importância de envolver toda a comunidade acadêmica no enfrentamento à violência. “Nós mulheres já vivemos com essa preocupação. É importante que os homens também estejam atentos e ajam para que isso não aconteça”, afirma.
Já a diretora do câmpus Santa Cruz, Roseli Machado, enfatiza o compromisso institucional da universidade com a pauta. “O Banco Vermelho sela esse compromisso da universidade de combate à violência contra as mulheres, dentro de um movimento maior, que é mundial e nacional”, destaca. Roseli ressalta ainda o papel da universidade como agente de transformação social. “A universidade não está isolada da sociedade. Ela tem o papel de vanguarda, de mostrar os problemas e ajudar a construir caminhos para enfrentá-los”, afirma.
A iniciativa em Guarapuava se soma a outra já existente no câmpus de Irati, onde um Banco Vermelho foi instalado no ano passado por meio de uma ação do Núcleo Maria da Penha (Numape) e de um grupo de pesquisa. Apesar de ter origem distinta, a proposta agora passa a integrar um movimento institucional mais amplo dentro da universidade. Um novo lançamento oficial está previsto para 22 de julho, em alusão ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio.
Símbolo de memória e alerta contra a violência de gênero
O Banco Vermelho é uma intervenção urbana que utiliza bancos pintados de vermelho em espaços públicos como forma de chamar a atenção para o feminicídio — crime definido pela Lei nº 13.104/2015 como homicídio qualificado por razões de gênero. A iniciativa também dialoga com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabelece mecanismos de proteção às mulheres, e foi institucionalizada no Brasil pela Lei nº 14.942/2024, que criou a política pública do Banco Vermelho.
Por Caroline Albertini
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