Mulheres que fazem ciência: o talento feminino que move a pesquisa na Unicentro

Mulheres que fazem ciência: o talento feminino que move a pesquisa na Unicentro

Resumo

No Dia Internacional da Mulher, destacamos trajetórias de pesquisadoras que inspiram e homenageamos todas as docentes que constroem ciência no dia a dia da universidade

Antes mesmo de terem espaço nas universidades, as mulheres já faziam perguntas. Questionavam o mundo, observavam a natureza, ensinavam, aprendiam e produziam conhecimento, muitas vezes sem reconhecimento formal, laboratórios e voz nos espaços institucionais.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, nasce justamente dessa história de luta e transformação. A data foi construída no início do século XX, em meio a movimentos de mulheres trabalhadoras que reivindicavam direitos, melhores condições de trabalho e participação política. Com o tempo, tornou-se um símbolo global de reflexão sobre igualdade, reconhecimento e valorização das contribuições femininas em todas as áreas da sociedade.

Hoje, a ciência também carrega essas marcas de resistência e conquista. Se antes o acesso das mulheres às universidades era restrito, hoje elas ocupam laboratórios, lideram grupos de pesquisa, coordenam projetos e formam novas gerações de profissionais. Na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), essa presença é expressiva. Atualmente, a instituição conta com 321 docentes efetivas, 178 docentes colaboradoras, 174 agentes universitárias efetivas, 121 agentes universitárias colaboradoras, 87 estagiárias e 8 assessoras. São centenas de mulheres que contribuem diariamente para o funcionamento da universidade, atuando no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão institucional, ajudando a construir conhecimento e transformar vidas.

Para marcar o Dia Internacional da Mulher, reunimos histórias de três professoras que representam, em diferentes áreas do conhecimento, a presença feminina na ciência e na formação acadêmica.

Histórias que inspiram


Mariulce Leineker – Docente do Departamento de Pedagogia e coordenadora do curso de Pedagogia Indígena

Na área da educação, Mariulce Leineker, docente do Departamento de Pedagogia da Unicentro, tem desenvolvido um trabalho que ultrapassa os limites da sala de aula e chega às comunidades indígenas, ao coordenar o curso de Pedagogia Indígena, realizado dentro da Aldeia Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras.

A proposta do curso é justamente levar a formação até os estudantes, respeitando e fortalecendo a cultura local. “O curso acontece na aldeia, então nós nos deslocamos para lá para que os alunos aprendam no ambiente deles, preservando a cultura, que é algo tão importante para eles”, explica.

Coordenar um curso dentro da aldeia também trouxe desafios, especialmente relacionados às questões culturais e de gênero. “Dentro da aldeia indígena existem vários desafios, e o primeiro deles é por eu ser mulher. A cultura indígena ainda preserva muito esses laços e as lideranças são masculinas. Então eu me deparei coordenando um curso dentro da aldeia sendo eu uma mulher”.

Apesar das dificuldades iniciais, o trabalho tem gerado grandes impactos, especialmente para as mulheres da comunidade. “Nós temos visto o quanto é importante esse curso lá, inclusive, para que as mulheres se fortaleçam, para que as mulheres aprendam, para que as mulheres possam ir para o mercado de trabalho”.

Para Mariulce, acompanhar essas transformações é uma das maiores recompensas da profissão. “Isso é algo bem importante e gratificante dentro da minha profissão, enquanto pedagoga, enquanto mulher e enquanto pesquisadora. Poder, realmente, fazer a diferença em uma comunidade, poder fazer a diferença na vida dessas mulheres é muito gratificante”.

Ao falar sobre o Dia Internacional da Mulher, Mariulce deixa uma mensagem de incentivo para outras mulheres:

“Por mais difícil que seja, por mais barreiras que vocês encontrem, não desistam de ser o que vocês quiserem ser, aonde vocês quiserem ser, porque vocês podem fazer a diferença em todos os lugares”, Mariulce Leineker. 


Sabrina Marchioro – Docente do Departamento de Ciências Biológicas

No campo das ciências naturais, a professora Sabrina Marchioro, do Departamento de Ciências Biológicas, desenvolve pesquisas com morcegos e contribui ativamente para a formação de novos pesquisadores na universidade.

Licenciada, mestre e professora formada pela própria Unicentro, Sabrina hoje coordena um projeto inédito que busca mapear as espécies de morcegos presentes no Câmpus Cedeteg. A pesquisa busca reunir informações que até então estavam dispersas. “Nós sempre trabalhamos de forma mais isolada, nunca fizemos um levantamento para ver quais são as espécies que temos aqui, algo que é tão importante”, relata.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, Sabrina enfrentou desafios comuns a muitas mulheres na ciência. “Ao longo de todos esses anos que eu venho estudando, desde lá da graduação até terminar toda a pós e começar a dar aula, encontrei alguns percalços no meio do caminho que só aconteceram por eu ser mulher. Muitas vezes acontecem tentam nos diminuir ou não dar muita importância para as nossas ideias”.

Mesmo diante dessas dificuldades, ela destaca a importância de seguir ocupando espaços na pesquisa.

“É importante que a gente não se deixe abalar, que a gente não se cale, que a gente se imponha, que imponha as nossas ideias, que a gente consiga chegar cada vez mais longe”, Sabrina Marchioro.

Na própria universidade, Sabrina enxerga exemplos da presença feminina na produção científica. “No curso aqui de Ciências Biológicas, o corpo docente é formado, em sua maioria, por professoras, e são professoras que lideram laboratórios e fazem isso muito bem. É de onde sai a pesquisa do nosso curso e de onde sai grande parte da pesquisa da universidade”. Para ela, essa presença também tem um papel inspirador para as estudantes que estão iniciando na área científica. “Isso é um grande exemplo para as alunas também, para ver quão longe nós podemos chegar”.


Gilmara de Oliveira Machado – Docente do Departamento de Engenharia Florestal

No campo das engenharias, a professora Gilmara, do curso de Engenharia Florestal do Câmpus de Irati da Unicentro, desenvolve pesquisas que contribuem diretamente para a preservação ambiental e para o avanço do conhecimento científico.

Recentemente, um trabalho desenvolvido por ela recebeu reconhecimento em um MBA da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), resultado de uma pesquisa voltada à estimativa da biomassa de árvores sem a necessidade de derrubá-las.

Para a pesquisadora, a relação com a ciência começou ainda na infância, muito antes da carreira acadêmica. “A minha pesquisa começou ainda na infância. Eu sempre faço questão de falar da minha mãe, que foi a grande incentivadora para que eu tivesse a oportunidade de me tornar uma grande cientista desde criança”.

Foi nesse contexto que surgiram as primeiras perguntas que mais tarde se transformariam em investigação científica. “Eu começava a fazer perguntas. Num primeiro momento, me foi ensinado que a árvore tomando sol, ela bebendo água e ela respirando gás carbônico, ela produzia a si mesma”. O trabalho premiado utiliza modelos estatísticos e análise de dados para estimar a biomassa das árvores a partir de informações como altura, diâmetro e densidade, sem a necessidade de derrubá-las para medição. “Esse modelo conseguiu chegar a uma estimativa da biomassa dessa árvore sem precisar derrubar mais nenhuma árvore”, explica.

Segundo a professora, compreender essa biomassa é essencial para entender o papel das florestas no equilíbrio ambiental. “A biomassa da árvore é a própria árvore em si. Tronco, casca, raízes, folhas, galhos, tudo isso é biomassa que foi produzida respirando gás carbônico”. Esse conhecimento permite estimar também quanto carbono está armazenado nas florestas, informação fundamental para estudos sobre mudanças climáticas. “As florestas nativas são as grandes soluções dos problemas que a gente tem com relação ao efeito estufa”, pontua a professora.

Para Gilmara, receber o reconhecimento pelo trabalho foi motivo de alegria, mas também de gratidão pela trajetória construída ao longo da vida. “Recebi esse prêmio com muita alegria, com muita satisfação e com o sentimento de agradecimento por ter uma jornada onde eu pude chegar a ser reconhecida por um trabalho de excelência como esse”.

Ao refletir sobre a presença feminina nas engenharias e na ciência, ela destaca a importância da educação que recebeu da família:

“A minha mãe criou as três filhas sem dizer para a gente que porque você é mulher você não pode. Ela sempre falava: ‘Filha, o que você gostaria?’”, Gilmara Machado.


Mulheres que transformam a universidade

Na Unicentro, mulheres pesquisam, ensinam, inovam e lideram todos os dias. Elas estão à frente de projetos científicos, orientam estudantes, coordenam cursos e ajudam a construir uma universidade cada vez mais diversa e comprometida com o conhecimento. Celebrar o Dia Internacional da Mulher é reconhecer essas trajetórias e destacar a importância de ampliar oportunidades para que mais meninas e mulheres possam seguir seus caminhos na ciência, na educação e em todas as áreas do conhecimento.

Por Caroline Albertini


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