{"id":1078,"date":"2020-05-23T22:30:27","date_gmt":"2020-05-24T01:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/?p=1078"},"modified":"2020-06-03T14:49:05","modified_gmt":"2020-06-03T17:49:05","slug":"pesquisa-individual-luis-guilherme-sebrenski","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/2020\/05\/23\/pesquisa-individual-luis-guilherme-sebrenski\/","title":{"rendered":"Pesquisa Individual &#8211; Luiz Guilherme de Oliveira Sebrenski"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Novo Caminho no Brasil Meridional: Processos de identifica\u00e7\u00e3o a partir da escrita de um engenheiro ingl\u00eas, em fins do s\u00e9culo XIX<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Luiz Guilherme de Oliveira Sebrenski<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Silvia Gomes Bento de Mello<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa pesquisa parte da an\u00e1lise do livro \u201cNovo caminho no Brasil meridional: tr\u00eas anos de vida em suas florestas e campos (1872-1875)\u201d de Thomas P. Bigg-Wither. A reflex\u00e3o aqui proposta dedica-se ao estudo dos processos de identifica\u00e7\u00e3o, alteridade e superioridade, atrav\u00e9s de uma minuciosa an\u00e1lise do relato deste engenheiro ingl\u00eas, experi\u00eancia vivida por ele entre 1872 e 1875, na ent\u00e3o Prov\u00edncia do Paran\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este europeu de fam\u00edlia nobre, veio para o Brasil trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de ferrovias que facilitariam o com\u00e9rcio dentro do pa\u00eds, atrav\u00e9s de um acordo entre o at\u00e9 ent\u00e3o o imp\u00e9rio brasileiro e a coroa brit\u00e2nica. Durante a sua perman\u00eancia, que perdurou por pouco mais de tr\u00eas anos, Bigg-Wither conheceu algumas das cidades e pequenas vilas do pa\u00eds, passou a habitar as profundas florestas paranaenses, conviveu com os nativos brasileiros, e tamb\u00e9m com os estrangeiros, analisou os costumes, o modo de viver, a cultura, a fauna e a flora brasileira. Experi\u00eancia essa que foi precisamente relatada em seu di\u00e1rio que carregava sempre consigo, gerando na sequ\u00eancia a publica\u00e7\u00e3o de um livro inserido no contexto ingl\u00eas, lan\u00e7ado precisamente em 1878, e que foi traduzido para o portugu\u00eas cerca de um s\u00e9culo mais tarde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sugerimos pensar que tanto a publica\u00e7\u00e3o f\u00edsica deste livro, quanto o seu conte\u00fado, fizeram parte de um circuito liter\u00e1rio muito mais amplo de publica\u00e7\u00f5es, atentando principalmente para o cen\u00e1rio do mercado editorial ingl\u00eas, como futuramente tamb\u00e9m o mercado brasileiro. Em meio a um contexto hist\u00f3rico de domina\u00e7\u00e3o por parte das pot\u00eancias europeias, principalmente a Inglaterra, regi\u00f5es como as Am\u00e9ricas, a \u00c1frica e a \u00cdndia, sofriam diretamente com o imperialismo, ou colonialismo, exercido brutalmente por essas grandes na\u00e7\u00f5es no final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX. Existia uma curiosidade e um interesse pol\u00edtico por tr\u00e1s deste g\u00eanero, de como era a vida e os costumes dos nativos americanos, africanos e indianos, logo a literatura consistia em um importante meio para que o europeu, majoritariamente branco e de classe m\u00e9dia, que n\u00e3o possu\u00eda subs\u00eddios para viajar, viesse a \u201cconhecer\u201d estes povos. Propomos pensar que o imperialismo n\u00e3o se dava somente por meios b\u00e9licos, mas que tamb\u00e9m se efetivou atrav\u00e9s da literatura, que esses g\u00eaneros liter\u00e1rios eram tamb\u00e9m uma importante arma de domina\u00e7\u00e3o. Chamamos a aten\u00e7\u00e3o para essas publica\u00e7\u00f5es, usando como o exemplo o relato de Bigg-Wither, que intencionalmente ou n\u00e3o, passava para esse sujeito da Europa, uma vis\u00e3o muito simplista do homem extra-europeu, naturalizando esse processo de domina\u00e7\u00e3o junto a um pensamento de superioridade perante americanos, indianos e africanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Do ponto de vista te\u00f3rico, esta pesquisa se valer\u00e1 largamente de escritos do importante intelectual palestino Edward Said, atrav\u00e9s de publica\u00e7\u00f5es como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cultura e Imperialismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Orientalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Contribui\u00e7\u00f5es de autores como Norbert Elias e Durval de Muniz Albuquerque Junior tamb\u00e9m se mostrar\u00e3o presentes durante essa pesquisa, fomentando o pensamento de que a percep\u00e7\u00e3o desses discursos de alteridade se constituem amplamente a partir dos meios culturais (como o exemplo dos relatos de viagem), identificando-se tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es de alteridade que atribuem uma superioridade e uma consequente rela\u00e7\u00e3o de poder, que se constituem na escrita que o \u201cN\u00f3s\u201d (o ingl\u00eas) estabelece sobre o \u201cOutro\u201d (brasileiro), colaborando para a manuten\u00e7\u00e3o de um status quo europeu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, buscamos aprimorar as reflex\u00f5es a respeito das rela\u00e7\u00f5es de alteridade que marcam a Idade Contempor\u00e2nea, fortalecendo o debate sobre as diferen\u00e7as que definem o nosso mundo. Seguimos tentanto entender, atrav\u00e9s da literatura e de sua propaga\u00e7\u00e3o cultural, como esses processos de disparidade se encontram ainda t\u00e3o presentes no nosso cotidiano, refletido sobre as rela\u00e7\u00f5es de poder, bem como mecanismos de domina\u00e7\u00e3o que foram construindo-se ao longo dos anos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Novo Caminho no Brasil Meridional: Processos de identifica\u00e7\u00e3o a partir da escrita de um engenheiro ingl\u00eas, em fins do s\u00e9culo XIX Luiz Guilherme de Oliveira Sebrenski Silvia Gomes Bento de Mello Essa pesquisa parte da an\u00e1lise do livro \u201cNovo caminho no Brasil meridional: tr\u00eas anos de vida em suas florestas e campos (1872-1875)\u201d de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":172,"featured_media":1083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[13,15],"tags":[],"class_list":["post-1078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atividades-de-pesquisa","category-publicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/users\/172"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/pethistoria\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}