{"id":9406,"date":"2022-09-09T13:15:49","date_gmt":"2022-09-09T16:15:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=9406"},"modified":"2024-03-19T16:43:20","modified_gmt":"2024-03-19T19:43:20","slug":"vera-rubin-1928-2016-a-mae-da-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2022\/09\/09\/vera-rubin-1928-2016-a-mae-da-materia-escura\/","title":{"rendered":"Vera Rubin (1928 &#8211; 2016), a M\u00e3e da Mat\u00e9ria Escura"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #808080\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #808080\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0<span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Vera Florence Cooper Rubin nasceu em 23 de julho de 1928, na Filad\u00e9lfia. Filha mais nova de Rose Applebaum e Philip Cooper, desde crian\u00e7a era fascinada pelo Universo. Em 1938, ap\u00f3s se mudar para Washington DC, fez parte de um grupo de observa\u00e7\u00e3o amadora e, aos 13 anos, construiu junto com seu pai um telesc\u00f3pio de papel\u00e3o pelo qual observava asteroides [1, 2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Vera Rubin tinha um grande desejo de seguir a carreira cient\u00edfica, mas j\u00e1 no ensino m\u00e9dio teve um professor que tentou persuadi-la a ir para as artes [2]. N\u00e3o se deixando abalar, ela ingressou no bacharelado em Astronomia na <em>Vassar College<\/em>, completando-o em 1948, sendo a \u00fanica a se formar no curso naquele ano [1,2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Ap\u00f3s completar a gradua\u00e7\u00e3o, Vera tentou ingressar no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade de Princeton, mas n\u00e3o foi aceita devido a seu g\u00eanero [3]. Na \u00e9poca, universidades como Princeton e Harvard n\u00e3o aceitavam mulheres oficialmente nos seus programas [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Vera finalmente conseguiu ingressar no mestrado na Universidade de Cornell, concluindo-o em 1951. Nele, ela estudou o movimento de 109 gal\u00e1xias, e obteve conclus\u00f5es consideradas controversas e que n\u00e3o foram bem aceitas. Na \u00e9poca acreditava-se que o universo estava em constante expans\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a um ponto, o local do Big Bang. Vera argumentou que, al\u00e9m disso, as gal\u00e1xias tamb\u00e9m estariam orbitando em torno desse ponto [2,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em 1954, Vera Rubin completou seu PhD na Universidade de Georgetown, aos 26 anos. Em sua tese, ela concluiu que as gal\u00e1xias n\u00e3o est\u00e3o espalhadas de forma aleat\u00f3ria e homog\u00eanea pelo Universo, como se supunha pela teoria do Big Bang, mas que se organizavam em grupos, os chamados <em>clusters<\/em>. Novamente sua ideia foi vista com ceticismo durante 20 anos, at\u00e9 quando foi revisitada e comprovada [2,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Nos 10 anos seguintes, Vera trabalhou como pesquisadora assistente na Universidade de Georgetown, e em 1962, passou a fazer parte do quadro docente ministrando aulas de F\u00edsica, Matem\u00e1tica e Astronomia. Vera tamb\u00e9m ocupou outra posi\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio como pesquisadora no <em>Carnegie Institute<\/em> [2,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Na Universidade de Georgetown Vera conheceu Kent Ford, que se tornou seu grande amigo e colega de pesquisa. A partir de 1963, eles come\u00e7aram a estudar a curva de rota\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, a forma como as estrelas orbitam o centro das gal\u00e1xias [2,4]. Para isso, Rubin desejava fazer observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas no Observat\u00f3rio <em>Palomar<\/em>, do <em>Caltech.<\/em> Por\u00e9m, em pleno ano de 1965, o lugar ainda n\u00e3o aceitava a presen\u00e7a de mulheres. Por falta de outra justificativa e pela insist\u00eancia de Rubin, o Observat\u00f3rio alegou que n\u00e3o existia um banheiro feminino, assim mulheres n\u00e3o poderiam trabalhar l\u00e1. Em protesto, ela escreve uma placa e coloca uma saia de papel no s\u00edmbolo de masculino do banheiro e diz: \u201c<em>Look, now you have a ladies restroom<\/em>\u201d (Olha, agora voc\u00eas t\u00eam um banheiro feminino). Assim, ela foi a primeira mulher a utilizar o Observat\u00f3rio <em>Palomar<\/em> [2,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Na sua pesquisa sobre a curva de rota\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, Vera faz sua descoberta mais importante. Pensando no Sistema Solar, planetas mais afastados t\u00eam velocidade orbital menor que dos planetas mais pr\u00f3ximos do Sol [4]. O mesmo era esperado para as gal\u00e1xias, mas Vera Rubin descobriu que estrelas afastadas t\u00eam velocidade orbital aproximadamente igual \u00e0 de estrelas mais pr\u00f3ximas do centro da gal\u00e1xia. Isso s\u00f3 poderia ser explicado se a massa da gal\u00e1xia fosse maior do que a massa observada, sen\u00e3o n\u00e3o haveria for\u00e7a suficiente para mant\u00ea-la unida [1-4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Assim, em 1970, Rubin e Ford teorizaram a exist\u00eancia de uma massa invis\u00edvel, que n\u00e3o tinha intera\u00e7\u00e3o com radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, apenas seria detectada sua intera\u00e7\u00e3o gravitacional. Essa massa invis\u00edvel foi chamada de <em>Mat\u00e9ria Escura<\/em>. Por isso, Vera \u00e9 conhecida como m\u00e3e da Mat\u00e9ria Escura [4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em sua homenagem, o <em>Carnegie Institute<\/em>, criou o Pr\u00eamio <em>Vera Rubin Early Career Prize<\/em>. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma regi\u00e3o em Marte chamada <em>Vera Rubin Ridge<\/em>, um asteroide com nome <em>5726 Rubin <\/em>[1] e um observat\u00f3rio em constru\u00e7\u00e3o no Chile, nomeado de <em>Vera C. Rubin Observatory<\/em> [5].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Al\u00e9m de tudo, Rubin advogou pela igualdade de g\u00eanero na carreira cient\u00edfica, at\u00e9 hoje inspirando muitas mulheres [1,2]. Vera casou-se com Robert Rubin, com quem teve 4 filhos, e faleceu em 25 de dezembro de 2016 [1].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 12pt;color: #000000\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\"><strong style=\"text-align: right\">Autor: <\/strong><\/span><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\">Cristhian Gean Batista Guimar\u00e3es<\/span>.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #808080\"><b>Refer\u00eancias<\/b> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] Vera Florence Cooper Rubin. <strong>Women in Exploration<\/strong>, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.womeninexploration.org\/timeline\/vera-florence-cooper-rubin\/\">https:\/\/www.womeninexploration.org\/timeline\/vera-florence-cooper-rubin\/<\/a>&gt;. Acesso em: 27 de ago. de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] ASTRONOMIA EM MEIA HORA: Vera Rubin, a m\u00e3e da mat\u00e9ria escura. [Locu\u00e7\u00e3o de]: Camila Esperan\u00e7a. [S. I.]: Ag\u00eancia de Podcast, 28 de maio de 2022. Podcast. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4YvSfuFR4XK45zcTxed51y\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4YvSfuFR4XK45zcTxed51y<\/a>&gt;. Acesso em: 27 de agosto de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3] Conhe\u00e7a Vera Rubin, a astr\u00f4noma e rainha das gal\u00e1xias! <strong>Espa\u00e7o do Conhecimento UFMG<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/espacodoconhecimento\/vera-rubin\/\">https:\/\/www.ufmg.br\/espacodoconhecimento\/vera-rubin\/<\/a>&gt;. Acesso em: 27 de ago. de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] CARDOZO, Ivan. A Import\u00e2ncia de Vera Rubin para a ci\u00eancia e o mundo.\u00a0 <strong>South American Institute for Fundamental Research<\/strong>, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ictp-saifr.org\/a-importancia-de-vera-rubin-para-a-ciencia-e-o-mundo\/#page\">https:\/\/www.ictp-saifr.org\/a-importancia-de-vera-rubin-para-a-ciencia-e-o-mundo\/#page<\/a>&gt;. Acesso em: 27 de ago. de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[5] Vera C. Rubin Observatory. <strong>AURA Astronomy<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.aura-astronomy.org\/centers\/nsfs-oir-lab\/rubinobservatory\/\">https:\/\/www.aura-astronomy.org\/centers\/nsfs-oir-lab\/rubinobservatory\/<\/a>&gt;. Acesso em: 27 de ago. de 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #808080\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]\u00a0 \u00a0 \u00a0Vera Florence Cooper Rubin nasceu em 23 de julho de 1928, na Filad\u00e9lfia. Filha mais nova de Rose Applebaum e Philip Cooper, desde crian\u00e7a era fascinada pelo Universo. 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