{"id":9015,"date":"2022-05-20T08:00:09","date_gmt":"2022-05-20T11:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=9015"},"modified":"2022-05-14T03:53:55","modified_gmt":"2022-05-14T06:53:55","slug":"john-stewart-bell-1928-1990-e-uma-das-mais-profundas-descoberta-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2022\/05\/20\/john-stewart-bell-1928-1990-e-uma-das-mais-profundas-descoberta-da-ciencia\/","title":{"rendered":"John Stewart Bell (1928-1990) e uma das mais profundas descoberta da Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'times new roman', times, serif\">\u00a0 \u00a0John Stewart Bell nasceu em 28 de julho de 1928, em Belfast, na Irlanda do Norte. Mesmo que seu pai tenha precisado abandonar os estudos aos 12 anos, sua m\u00e3e sempre incentivou ele e os irm\u00e3os a estudarem. John foi o \u00fanico entre seus irm\u00e3os que p\u00f4de dar sequ\u00eancia na carreira acad\u00eamica devido \u00e0 dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o financeira de sua fam\u00edlia [1].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'times new roman', times, serif\">\u00a0 \u00a0Aos 16 anos, j\u00e1 trabalhava como assistente j\u00fanior de laborat\u00f3rio na <i>Queen\u2019s University of Belfast<\/i>, em sua cidade natal. Logo seus talentos foram reconhecidos pelos professores supervisores, e estes o recomendaram a assistir aulas do primeiro ano da gradua\u00e7\u00e3o. No ano seguinte, ele conseguiu os recursos necess\u00e1rios para iniciar sua gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica, recebendo o grau de bacharelado em F\u00edsica Experimental em 1948. Ele continuou nessa mesma universidade para obter grau em F\u00edsica-Matem\u00e1tica, formando-se em 1949 [1, 2].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'times new roman', times, serif\">\u00a0 \u00a0Ao fim de sua gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica e F\u00edsica-Matem\u00e1tica, ele estava especialmente interessado em Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica. Ainda em 1949, John tentou um cargo no Estabelecimento de Pesquisa em Energia At\u00f4mica (<i>Atomic Energy Research Establishment<\/i>), em Harwell, perto de Oxford, no Reino Unido. L\u00e1, ele trabalhou com F\u00edsica de Reatores, posteriormente indo para Malvern, tamb\u00e9m no Reino Unido, para trabalhar com designs de aceleradores de part\u00edculas. Foi nessa empreitada que John conheceu sua futura esposa, a f\u00edsica Mary Ross, com quem se casou em 1954 [1, 2].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em 1951, Bell ganhou licen\u00e7a remunerada e p\u00f4de se juntar a Rudolf Peirl no Departamento de F\u00edsica-Matem\u00e1tica, na Universidade de Birmingham. L\u00e1, John desenvolveu sua vers\u00e3o do Teorema CPT (que diz respeito \u00e0 invari\u00e2ncia dos sistemas f\u00edsicos com invers\u00f5es simult\u00e2neas de <b>carga<\/b>, <b>paridade<\/b> e <b>tempo<\/b>), da Teoria Qu\u00e2ntica de Campos (QFT). Em 1954, ele se juntou a um grupo de pesquisa de F\u00edsica de Part\u00edculas em Harwell, mas, insatisfeitos com o teor \u201caplicado\u201d das pesquisas, John e Mary mudaram-se para integrar a equipe do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, em novembro de 1960. Sua principal ocupa\u00e7\u00e3o l\u00e1 era a pesquisa em F\u00edsica de Alta Energia, a f\u00edsica dos aceleradores de part\u00edculas e medidas de sistemas qu\u00e2nticos. Nesse meio tempo, ele completou seu Ph.D em 1956 pelo seu teorema da QFT, especializando-se em F\u00edsica Nuclear e Teoria Qu\u00e2ntica de Campos [1, 2].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Sua maior contribui\u00e7\u00e3o para a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica foi um artigo que publicou em 1964, \u201c<i>On the Einstein Podolsky Rosen paradox<\/i>\u201d [3]. Em apenas 5 p\u00e1ginas, John Bell demonstrou as consequ\u00eancias experimentais que seriam observadas caso uma teoria de vari\u00e1veis escondidas locais (VEL) fosse poss\u00edvel, mantendo o realismo e a localidade na Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica assim como na Mec\u00e2nica Cl\u00e1ssica [1-3]. Dessa forma, Bell abriu as portas para os testes experimentais quanto a poss\u00edveis teorias de VEL, mas foi apenas quase duas d\u00e9cadas depois, em 1982, que Alain Aspect <i>et al.<\/i> [4] foi capaz de testar experimentalmente o que ficou conhecido como \u201cTeorema de Bell\u201d, ou \u201cDesigualdade de Bell\u201d, que era uma inequa\u00e7\u00e3o que seria respeitada caso uma teoria de VEL fosse poss\u00edvel. A conclus\u00e3o desse experimento e de outros mais recentes \u00e9 a mesma: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma teoria de VEL. Um contempor\u00e2neo de John, Henry Stapp, do <em>Lawrence National Berkeley Laboratory<\/em>, na Calif\u00f3rnia, disse que Bell fez \u201ca mais profunda descoberta na ci\u00eancia\u201d [5].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span data-contrast=\"auto\">\u00a0<span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"> \u00a0John S. Bell publicou cerca de 80 artigos sobre Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica, e recebeu muitos pr\u00eamios e honras durante sua vida. Alguns deles s\u00e3o: medalha Dirac do Instituto de F\u00edsica (Reino Unido), pr\u00eamio Heinman da Sociedade Americana de F\u00edsica, e a medalha Hughes da <em>Royal Society<\/em> [1].<\/span><\/span><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:397,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0John morreu aos 62 anos de um infarto, em sua casa, em Genebra, 1990. Ap\u00f3s sua morte, o Instituto de F\u00edsica (Reino Unido), que o descreveu como um dos 10 maiores f\u00edsicos do s\u00e9culo XX, montou uma placa no pr\u00e9dio da F\u00edsica na <em>Queen\u2019s University of Belfast<\/em> para homenagear John e suas contribui\u00e7\u00f5es para a Ci\u00eancia [1].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 12pt\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\"><b style=\"text-align: right\">Autor: <\/b><span class=\"TextRun SCXW260493374 BCX0\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\" data-contrast=\"auto\"><span class=\"NormalTextRun SCXW260493374 BCX0\">Bruno Henrique <\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW260493374 BCX0\">Lisenko<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW260493374 BCX0\"> Ribeiro<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Refer\u00eancias:\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] BYRNE, P. M.. <b>About John Bell: John Stewart Bell \u2013 The man who proved Einstein wrong<\/b>. CERN Scientific Information Service. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ria.ie\/about-john-bell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ria.ie\/about-john-bell<\/a>&gt;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] DESCONHECIDO. <b>Archives of John Stewart Bell<\/b>. Royal Irish Academy. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/scientific-info.cern\/archives\/CERN_archive\/guide\/theory\/isabell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/scientificinfo.cern\/archives\/CERN_archive\/guide\/theory\/isabell<\/a>&gt;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3] BELL, J. S.. On the Einstein Podolsky Rosen Paradox. <b>Physics<\/b>, n. 1, v. 1, p. 195-200, 1964.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] ASPECT, A.; DALIBARD, J.; ROGER, G.. Experimental Test of Bell\u2019s Inequalities Using Time-Varying Analysers. <b>Physical Review Letters<\/b>, n. 25, v. 49, p. 1804-1807, 1982.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[5] STAPP, H. P.. Are superluminal connections necessary?. <b>Nuova Cimento B<\/b>, n. 40, p. 191-205, 1977.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0John Stewart Bell nasceu em 28 de julho de 1928, em Belfast, na Irlanda do Norte. Mesmo que seu pai tenha precisado abandonar os estudos aos 12 anos, sua m\u00e3e sempre incentivou ele e os irm\u00e3os a estudarem. 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