{"id":8891,"date":"2022-04-14T12:49:17","date_gmt":"2022-04-14T15:49:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=8891"},"modified":"2022-04-27T17:38:55","modified_gmt":"2022-04-27T20:38:55","slug":"piramide-da-aprendizagem-verdade-ou-mito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2022\/04\/14\/piramide-da-aprendizagem-verdade-ou-mito\/","title":{"rendered":"Pir\u00e2mide da aprendizagem: verdade ou mito?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #333333\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0<span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Uma das teorias de aprendizagem mais difundidas no meio acad\u00eamico \u00e9 a da <\/span><\/span><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><i><span style=\"font-weight: 400\">pir\u00e2mide da aprendizagem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Essa teoria \u00e9 de autoria incerta, por\u00e9m uma grande quantidade de fontes dizem que o autor desta foi William Glasser. William foi um pesquisador no campo da psicologia, que tamb\u00e9m atuou na educa\u00e7\u00e3o. Sua ideia base foi que nenhum ser humano \u00e9 inteiramente desmotivado, que h\u00e1 diferentes formas de se reter o aprendizado e que, de forma geral, os meios mais interativos ou ativos s\u00e3o os mais eficientes, enquanto que os meios mais passivos s\u00e3o os menos eficientes [1-3].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0O que ele prop\u00f4s, e posteriormente ficou bastante difundido, foi que existe uma \u201cpir\u00e2mide\u201d de m\u00e9todos de aprendizagem e cada est\u00e1gio da pir\u00e2mide corresponde a um m\u00e9todo espec\u00edfico ao qual \u00e9 atribu\u00edda uma porcentagem da reten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Em algumas fontes, \u00e9 especificado ainda que essa porcentagem de reten\u00e7\u00e3o \u00e9 com respeito ao conte\u00fado retido ap\u00f3s 2 semanas. Entretanto, a pr\u00f3pria origem dessa teoria \u00e9 duvidosa e incerta e h\u00e1 uma vasta variedade de modelos que seguem a base da pir\u00e2mide de aprendizagem [1-3]. De uma forma geral, o que \u00e9 mostrado na pir\u00e2mide \u00e9 a seguinte rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9todo e porcentagem de reten\u00e7\u00e3o do conhecimento:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Lendo: 10%<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Ouvindo: 20%<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Vendo: 30%<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Vendo e ouvindo: 50%<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Debatendo, dialogando e questionando: 70%<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">Ensinando, resumindo e\/ou estruturando o conhecimento: 95%<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Varia\u00e7\u00f5es desse padr\u00e3o incluem diferen\u00e7as nas porcentagens apresentadas, geralmente em incrementos ou decr\u00e9scimos de 5 ou 10%, e at\u00e9 mesmo nos pr\u00f3prios m\u00e9todos, como 90% ensinando ou, em vez de debates e afins, colocar a pr\u00e1tica com experimentos como um m\u00e9todo que proporciona 70% de reten\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 tamb\u00e9m a inclus\u00e3o de novos m\u00e9todos relacionados a uma nova porcentagem, como o de<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> lectures<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, termo do ingl\u00eas que remete a aulas expositivas como semin\u00e1rios, em que h\u00e1 um papel passivo do aluno, e a porcentagem atribu\u00edda \u00e9 de 5%. Por\u00e9m, isso \u00e9 contradit\u00f3rio com a pr\u00f3pria teoria, pois em uma aula expositiva podem ser apresentadas anima\u00e7\u00f5es, demonstrados experimentos, tudo em forma de exposi\u00e7\u00e3o \u201ctradicional\u201d, o que tecnicamente agregaria <\/span><span style=\"font-weight: 400\">um maior valor de reten\u00e7\u00e3o do conhecimento [1-3].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Para resumir a hist\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 um consenso geral de quais s\u00e3o as porcentagens de fato relacionadas a quais m\u00e9todos. Inclusive, alguns estudos de revis\u00e3o apontam que o trabalho realizado por William Glasser n\u00e3o incluiu a atribui\u00e7\u00e3o de porcentagens espec\u00edficas, e sim uma ordena\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos que possuem maior efici\u00eancia. Todos esses problemas de inconsist\u00eancias surgem justamente devido \u00e0s origens desconhecidas da teoria, isto \u00e9, os fundamentos originais propostos por William ou, de acordo com algumas fontes, por Edgar Dale, que \u00e9 dito ter cunhado o termo \u201ccone de experi\u00eancias\u201d em vez de pir\u00e2mide de aprendizagem e foi o autor da teoria ou pelo menos corroborou para a cria\u00e7\u00e3o da mesma significativamente. H\u00e1 algumas informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m de que a autoria pode ser de um instituto de Psicologia Educacional da \u00e9poca do surgimento dela, no s\u00e9culo XIX [1-3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Apesar de todas as inconsist\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es dos modelos atuais, alguns elementos do modelo geral \u201cpir\u00e2mide de aprendizagem\u201d s\u00e3o reconhecidos como verdadeiros como um consenso no campo cient\u00edfico da educa\u00e7\u00e3o, neuroci\u00eancia e psicologia. O que h\u00e1 de acordo com o conhecido \u00e9 que o c\u00e9rebro humano ret\u00e9m mais informa\u00e7\u00f5es quando o mesmo associa diversas outras informa\u00e7\u00f5es em conjunto, isto \u00e9, ler sobre algo e posteriormente ver a demonstra\u00e7\u00e3o de um experimento que mostra o conhecimento na pr\u00e1tica certamente \u00e9 mais eficiente na reten\u00e7\u00e3o do conte\u00fado do que uma simples leitura [1-3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Para concluir, pode-se dizer certamente que um m\u00e9todo de ensino variado, com diferentes pr\u00e1ticas e incentivos de atividades que colocam um papel din\u00e2mico para o estudante, aumenta a efici\u00eancia da aula no processo de ensino-aprendizagem. Por\u00e9m, \u201cteorias\u201d (seria melhor caracterizada como uma hip\u00f3tese) mais espec\u00edficas que atribuem porcentagens a cada m\u00e9todo n\u00e3o possuem embasamento cient\u00edfico, porque al\u00e9m da falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a ideia original, n\u00e3o h\u00e1 uma colet\u00e2nea de evid\u00eancias experimentais que mostre notavelmente esses valores. Uma li\u00e7\u00e3o que podemos tirar dessa breve discuss\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se pode considerar verdadeiro algo simplesmente por ser bastante difundido, mesmo aqueles conhecimentos que s\u00e3o difundidos no meio acad\u00eamico, onde supostamente as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem verificadas e as teorias bem testadas. Os mitos da ci\u00eancia existem, e precisam ser expostos para que uma ci\u00eancia de maior veracidade possa prevalecer [1-3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong style=\"text-align: right\">Autor: <\/strong>B<span class=\"NormalTextRun SCXW231763549 BCX0\">runo Henrique <\/span><span class=\"NormalTextRun SpellingErrorV2 SCXW231763549 BCX0\">Lisenko<\/span><span class=\"NormalTextRun SCXW231763549 BCX0\"> Ribeiro<\/span><span style=\"text-align: right\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><b>Refer\u00eancias<\/b> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] DESCONHECIDO. <b>Pir\u00e2mide de aprendizagem: William Glasser estava certo<\/b><b>?<\/b>. Ludos pro. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.ludospro.com.br\/blog\/piramide-de-aprendizagem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ludospro.com.br\/blog\/piramide-de-aprendizagem<\/a>&gt;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] DESCONHECIDO. <b>Pir\u00e2mide da aprendizagem: conceito e questionamentos<\/b>. Younder. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/younder.com.br\/blog\/piramide-da-aprendizagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/younder.com.br\/blog\/piramide-da-aprendizagem\/<\/a>&gt;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3] LETRUD, K; HERNES, S.. Excavating the origin of the learning pyramid myths. <b>Cogent Education<\/b>, 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/2331186X.2018.1518638\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/2331186X.2018.1518638<\/a>&gt;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt;color: #333333\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0Uma das teorias de aprendizagem mais difundidas no meio acad\u00eamico \u00e9 a da pir\u00e2mide da aprendizagem. Essa teoria \u00e9 de autoria incerta, por\u00e9m uma grande quantidade de fontes dizem que o autor desta foi William Glasser. William foi um pesquisador no campo da psicologia, que tamb\u00e9m atuou na educa\u00e7\u00e3o. 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