{"id":7571,"date":"2021-05-27T08:00:57","date_gmt":"2021-05-27T11:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=7571"},"modified":"2021-09-06T04:03:45","modified_gmt":"2021-09-06T07:03:45","slug":"revolta-da-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2021\/05\/27\/revolta-da-vacina\/","title":{"rendered":"Revolta da Vacina"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 Em novembro de 1904, acontecia no Rio de Janeiro a revolta \u201cQuebra-Lampi\u00f5es\u201d, denominada tamb\u00e9m como \u201cA Revolta\u201d, em que a capital se tornou palco de protesto, bondes tombados, cal\u00e7amentos danificados, trilhos arrancados, tudo feito por manifestantes que tinham como objetivo a queda da obrigatoriedade da vacina contra a var\u00edola. Mas o que levou o Rio a passar por este ato? Bom, continue esta leitura que voc\u00ea ter\u00e1 uma melhor compreens\u00e3o do que aconteceu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX [1, 2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0A cidade maravilhosa, como atualmente \u00e9 chamada, nem sempre foi t\u00e3o maravilhosa assim. A falta de saneamento b\u00e1sico e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene tornaram a cidade o centro de epidemias, como febre amarela, peste bub\u00f4nica e a var\u00edola. Essas pestes concederam um apelido nada maravilhoso para a cidade, \u201ct\u00famulo de estrangeiros\u201d; o Rio de Janeiro era assim conhecido fora do territ\u00f3rio brasileiro [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0O presidente da \u00e9poca, Rodrigues Alves (1902-1906), tomou medidas de remodela\u00e7\u00e3o urbana para que a cidade se tornasse o reflexo do Brasil; al\u00e9m disso, aconteceram diversas desapropria\u00e7\u00f5es e demoli\u00e7\u00f5es de corti\u00e7os e medidas de higieniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foram tomadas.\u00a0\u00a0 Isso fez com que a popula\u00e7\u00e3o local se refugiasse para os morros cariocas e bairros distantes, e assim as favelas se expandiram [3,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0No entanto, o presidente n\u00e3o fez tudo isso sozinho n\u00e3o, ele contou com a ajuda do prefeito Pereira Passos, o qual liderou as obras, e para auxili\u00e1-lo em seus projetos, em 1903 Oswaldo Cruz, que possu\u00eda um curr\u00edculo de excel\u00eancia, foi nomeado sanitarista. Ao assumir o cargo, Oswaldo se deparou com o alto \u00edndice de infectados pelas epidemias. Algo teria que ser feito para conter essas mol\u00e9stias, dessa forma ele tornou o Rio um grande laborat\u00f3rio de combate, implantando m\u00e9todos revolucion\u00e1rios [3,5].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Por\u00e9m, em 1904, um surto de var\u00edola aconteceu, e com isto Oswaldo Cruz mandou ao congresso uma lei que tornava obrigat\u00f3rio a vacina\u00e7\u00e3o, a qual j\u00e1 havia sido institu\u00edda no ano de 1837, mas nunca foi realmente cumprida. Mesmo com toda a popula\u00e7\u00e3o contra ele, montou-se uma campanha seguindo modelos militares, dividindo-se a cidade em distritos. Al\u00e9m disso, foi criado tamb\u00e9m a pol\u00edcia sanit\u00e1ria, que tinha o poder de desinfetar casas, ca\u00e7ar ratos e matar mosquitos. Posteriormente, teve-se, ainda, a cria\u00e7\u00e3o de brigadas sanit\u00e1rias, as quais entravam nas casas e vacinavam as pessoas \u00e0 for\u00e7a [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0A forma como Oswaldo Cruz estava tratando o problema<span style=\"text-decoration: line-through\">,<\/span> n\u00e3o foi muito bem aceita pela m\u00eddia e causou muita indigna\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o, pois desconheciam os efeitos da vacina e o que ela poderia causar. Dessa forma, no dia 11 de novembro de 1904, manifestantes se reuniram e foram para a rua mostrar sua indigna\u00e7\u00e3o perante aos atos governamentais, incendiando carro\u00e7as e bondes tombados. Com essas a\u00e7\u00f5es ainda, diversas lojas foram saqueadas e postes derrubados, necessitando da interven\u00e7\u00e3o por parte dos pelot\u00f5es militares para cont\u00ea-los [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Esse ato ficou conhecido ent\u00e3o como \u201cA revolta da Vacina\u201d; durou cerca de uma semana e as ruas do Rio de Janeiro se tornaram um verdadeiro cen\u00e1rio de guerra. Segundo a pol\u00edcia, foram 27 mortes, 67 feridos e 945 presos e algumas pessoas foram enviadas ao Acre [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Ap\u00f3s todo esse movimento a obrigatoriedade da vacina foi modificada, sendo exigido o atestado de vacina\u00e7\u00e3o para o trabalho, viagem, casamento, escolas p\u00fablicas, hospedagem em hot\u00e9is e alistamento militar.\u00a0 Neste mesmo ano cerca de 3500 pessoas morreram de var\u00edola; ap\u00f3s dois anos esse n\u00famero cai para 9 e no ano de 1910 \u00e9 registrada apenas uma \u00fanica v\u00edtima. Enfim a cidade estava livre do apelido \u201ct\u00famulo dos estrangeiros\u201d [1,3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Na primeira metade do s\u00e9culo XX, os meios de divulga\u00e7\u00e3o eram escassos, isto \u00e9, a falta de internet na \u00e9poca dificultava a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de forma r\u00e1pida, resultando em manipula\u00e7\u00f5es das mesmas, muitas vezes por disputas de poder; a\u00e7\u00f5es como essas foram determinantes para a ocorr\u00eancia da revolta da vacina. Isso porque as informa\u00e7\u00f5es a respeito dela n\u00e3o foram repassadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da forma que deveria ter acontecido, gerando ent\u00e3o o negacionismo [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Atualmente estamos passando por uma grande pandemia mundial. Felizmente, n\u00e3o demorou muito tempo para surgir uma vacina, mas o n\u00famero de mortes no Brasil, devido sua escassez, \u00e9 muito alto, e o apelido \u201ct\u00famulo dos estrangeiros\u201d est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s. Bem como foi descrito por Stefenon (2019) em seu Blog <em>Vacina fora do senso comum: <\/em>\u201cA vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, e arrisco dizer, \u00e0 n\u00edvel mundial. Logo, ao deixar de se vacinar, ou de vacinar seus filhos, as pessoas colocam em riscos todos a sua volta, sem contar o investimento de tempo e dinheiro que foi investido no combate a essas doen\u00e7as\u201d [6]. Acredite na ci\u00eancia, vacinas salvam vidas, informa\u00e7\u00f5es salvam vidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Autora: <\/strong>Lorraine Fiuza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[1] VIEIRA, C\u00e1ssio Leite Vieira. O que foi a revolta da vacina?\u00a0<strong>Super Interessante<\/strong>, [<em>S. l.<\/em>], p. 1\/1, 15 jul. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/super.abril.com.br\/historia\/oswaldo-cruz-e-a-variola-a-revolta-da-vacina\/.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[2] GAGLIARDI, Juliana; CASTRO, Celso. Revolta da Vacina.\u00a0<strong>Atlas Hist\u00f3rico do Brasil<\/strong>, [<em>S. l.<\/em>], Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/atlas.fgv.br\/verbetes\/revolta-da-vacina#:~:text=Revolta%20tamb%C3%A9m%20conhecida%20como%20Quebra,da\">https:\/\/atlas.fgv.br\/verbetes\/revolta-da-vacina#:~:text=Revolta%20tamb%C3%A9m%20conhecida%20como%20Quebra,da<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">%20vacina%C3%A7%C3%A3o%20contra%20a%20var%C3%ADola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[3] PORTO, Mayla Yara. Uma revolta popular contra a vacina\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Ci\u00eancia e cultura<\/strong>, v. 55, n. 1, p. 53-54, 2003.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] HOCHMAN, Gilberto. Vacina\u00e7\u00e3o, var\u00edola e uma cultura da imuniza\u00e7\u00e3o no Brasil.\u00a0<strong>Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/strong>, v. 16, n. 2, p. 375-386, 2011.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[5] SEVCENKO, Nicolau.\u00a0<strong>A revolta da vacina: mentes insanas em corpos rebeldes<\/strong>. SciELO-Editora UNESP, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 Em novembro de 1904, acontecia no Rio de Janeiro a revolta \u201cQuebra-Lampi\u00f5es\u201d, denominada tamb\u00e9m como \u201cA Revolta\u201d, em que a capital se tornou palco de protesto, bondes tombados, cal\u00e7amentos danificados, trilhos arrancados, tudo feito por manifestantes que tinham como objetivo a queda da obrigatoriedade da vacina contra a var\u00edola. 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