{"id":6916,"date":"2020-10-02T08:30:53","date_gmt":"2020-10-02T11:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=6916"},"modified":"2025-07-08T16:48:04","modified_gmt":"2025-07-08T19:48:04","slug":"juliano-moreira-1873-1933","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2020\/10\/02\/juliano-moreira-1873-1933\/","title":{"rendered":"Juliano Moreira: Psiquiatra Brasileiro (1873 &#8211; 1933)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Juliano Moreira nasceu em Salvador, Bahia, na antiga Freguesia da S\u00e9, no dia 6 de janeiro de 1872, filho do portugu\u00eas Manoel Moreira do Carmo J\u00fanior, inspetor de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e de uma empregada dom\u00e9stica, Galdina Joaquim do Amaral [1,2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Juliano foi um pioneiro e desbravador dos preconceitos da \u00e9poca em que viveu, pois n\u00e3o conseguiria ter a proje\u00e7\u00e3o que teve na vida sem vencer as dificuldades de ser negro e pertencer a classe social baixa, sem boas condi\u00e7\u00f5es financeiras. No per\u00edodo, estudar era luxo e privil\u00e9gio de poucos. Somente pessoas de fam\u00edlias tradicionais e que tinham alto poder aquisitivo conseguiriam chegar aonde este her\u00f3i chegou. No entanto, Juliano matriculou-se na renomada Faculdade de Medicina da Bahia \u2013 FAMEB aos treze anos, gra\u00e7as ao v\u00ednculo que sua m\u00e3e tinha como dom\u00e9stica na casa do Bar\u00e3o de Itapo\u00e3, seu padrinho e que foi um dos diretores da FAMEB [1,3].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Poderia supor que ser negro seria um impedimento para sua entrada em uma Faculdade, principalmente, pelo fato de que a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura s\u00f3 viria acontecer tr\u00eas anos ap\u00f3s a sua entrada na FAMEB [1,2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0Doutorou-se aos 18 anos (1891), com a tese \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">S\u00edfilis maligna precoce<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d e tornou-se professor substituto da FAMEB na se\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as nervosas e mentais aos 23 anos. A partir de ent\u00e3o especializou-se com cursos e est\u00e1gios em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, e foi em uma das suas viagens que encontrou a enfermeira Augusta Peick que se tornaria sua esposa no futuro [1-3].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Enquanto esteve na Bahia, Juliano criou, em 1894, junto a Nina Rodrigues (1862-1906) e outros m\u00e9dicos, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Estado. Al\u00e9m disso, atuou, tamb\u00e9m, como m\u00e9dico da Inspetoria de Higiene, atendendo a popula\u00e7\u00e3o carente em cidades pr\u00f3ximas a Salvador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em 1899 ele realizou uma confer\u00eancia disseminando as ideias de Sigmund Freud (1856-1939), o que o fez ser considerado o precursor da Psican\u00e1lise no Brasil [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Entre 1895 e 1902, Juliano participou de diversos cursos relacionados a doen\u00e7as mentais de renomados m\u00e9dicos e psiquiatras. Fez est\u00e1gio, ainda, em anatomia patol\u00f3gica e frequentou as principais cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas e manic\u00f4mios da Alemanha, da Inglaterra, da Fran\u00e7a, da It\u00e1lia e da \u00c1ustria [3].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0 \u00a0De 1903 a 1930, no Rio de Janeiro, dirigiu o Hosp\u00edcio Nacional de Alienados. Neste, embora n\u00e3o fosse professor da Faculdade de Medicina do Rio, recebia internos para o ensino de psiquiatria, introduzindo pr\u00e1ticas que refletiam seu profundo conhecimento do campo psiqui\u00e1trico mundial. Uma das medidas tomadas por ele foi propor que no lugar de coletes, camisas de for\u00e7a e grades, fosse adotada a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">klinoterapia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (terapia pelo repouso), al\u00e9m do trabalho em oficinas [2].<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Na \u00e1rea de Sa\u00fade P\u00fablica, o psiquiatra trabalhou a favor da lei de assist\u00eancia a alienados (1930), a qual garantia, entre outros direitos, o da interna\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os com aliena\u00e7\u00e3o. Juliano Moreira tamb\u00e9m defendeu a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de hospitais para tratamento, inclusive um manic\u00f4mio judici\u00e1rio, o que foi concretizado em 1921, ap\u00f3s uma rebeli\u00e3o no Hospital Nacional de Alienados. Uma das medidas mais importantes defendidas por ele foi a cria\u00e7\u00e3o de uma col\u00f4nia agr\u00edcola, a qual foi inaugurada em 1924 como Col\u00f4nia de Psicopatas-Homens, em Jacarepagu\u00e1, no Rio de Janeiro. Em 1935 , uma dessas foi denominada Col\u00f4nia Juliano Moreira [3,4].\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Deve-se ressaltar que um dos temas mais debatidos em seus trabalhos est\u00e1 relacionado \u00e0 quest\u00e3o racial. Enquanto muitas teses afirmavam que as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses mesti\u00e7os eram mais suscet\u00edveis \u00e0s doen\u00e7as mentais, Juliano Moreira negava essa possibilidade [2].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Juliano Moreira morreu na cidade de Correias, Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 1933, sem deixar filhos. Em sua homenagem, em 1936, o Governo da Bahia cria o Hospital Juliano Moreira que ao longo do tempo passou por modifica\u00e7\u00f5es. Desde 2005, possui em sua estrutura f\u00edsica al\u00e9m do centro hospitalar, um arquivo, uma biblioteca e um museu, mantidos pelo Governo do Estado da Bahia [1,4].<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><strong>Escrito por:<\/strong> Matheus Vieira Camargo Ramos<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">[1] Santana-Junior, E. F., Casais-e-Silva, L. L. &#8211; Juliano Moreira. <\/span><b>Projeto Her\u00f3is da Sa\u00fade na Bahia<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.bahiana.edu.br\/herois\/heroi.aspx?id=NA==. Acesso em: 26\/09\/2020.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">[2] Secretaria de Cultura e Economia Criativa: Museu Afro Brasil. <\/span><b>Juliano Moreira<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br\/pesquisa\/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria\/historia-e-memoria\/2014\/07\/17\/juliano-moreira#:~:text=Filho%20do%20portugu%C3%AAs%20Manoel%20do,curso%20de%20Medicina%2C%20na%20Bahia.&gt; Acesso em 26\/09\/2020.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\"><span style=\"font-weight: 400\">[3] ODA, Ana Maria Galdini Raimundo; DALGALARRONDO, Paulo. Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo cient\u00edfico. <\/span><b>Brazilian Journal of Psychiatry<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, v. 22, n. 4, p. 178-179, 2000.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[4] EL-BAINY, E.I. Juliano Moreira. O mestre\/ A institui\u00e7\u00e3o. Memorial Juliano Moreira. Salvador, Bahia, 2007.\u00a0 LIMA, E. Velho e Novo Nina. Governo do Estado da Bahia. 2000.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;font-family: 'times new roman', times, serif;font-size: 12pt\">[vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0Juliano Moreira nasceu em Salvador, Bahia, na antiga Freguesia da S\u00e9, no dia 6 de janeiro de 1872, filho do portugu\u00eas Manoel Moreira do Carmo J\u00fanior, inspetor de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e de uma empregada dom\u00e9stica, Galdina Joaquim do Amaral [1,2]. \u00a0 \u00a0Juliano foi um pioneiro e desbravador dos preconceitos da \u00e9poca em que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":15807,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[15],"tags":[1239,1195,1142,318,314],"class_list":["post-6916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cientista-da-semana","tag-afro","tag-brasileiro","tag-cientista-2020","tag-matheus-vieira","tag-psicologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15869,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6916\/revisions\/15869"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}