{"id":3752,"date":"2019-08-01T08:44:31","date_gmt":"2019-08-01T11:44:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/?p=3752"},"modified":"2021-06-21T02:17:47","modified_gmt":"2021-06-21T05:17:47","slug":"grigori-perelman-1966","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www3.unicentro.br\/petfisica\/2019\/08\/01\/grigori-perelman-1966\/","title":{"rendered":"Grigori Perelman (1966~)"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"text-align: left;color: #333333;text-indent: 0px;letter-spacing: normal;font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt;font-style: normal;font-variant: normal;font-weight: 400;text-decoration: none;cursor: text;float: none;background-color: transparent\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Grigori Perelman nasceu em Leningrado, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (agora S\u00e3o Petersburgo, R\u00fassia) em 13 de junho de 1966 [1]. No final da d\u00e9cada de 1980, recebeu o t\u00edtulo &#8220;<i>Candidate of Sciences<\/i>&#8221; (o equivalente, no Brasil, para doutorado) na Escola de Matem\u00e1tica e Mec\u00e2nica da Universidade Estadual de Leningrado. O t\u00edtulo de sua disserta\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;Superf\u00edcies de sela em espa\u00e7os euclidianos&#8221;. Logo ap\u00f3s, deteve cargos de pesquisa em v\u00e1rias universidades dos Estados Unidos. Em 1991, ganhou o <i>Young Mathematician Prize,\u00a0<\/i>da Sociedade Matem\u00e1tica de S\u00e3o Petersburgo pelo seu trabalho nos espa\u00e7os de Aleksandr Aleksandrov chamado de \u201cCurvaturas limitadas por baixo\u201d, em 1994, ele provou a &#8220;conjectura da alma&#8221;; segundo a qual pode-se deduzir as propriedades de um objeto matem\u00e1tico a partir de pequenas regi\u00f5es desse objeto, chamadas de \u201calma\u201d, com isso ele foi convidado para fazer parte de muitas universidades prestigiadas dos Estados Unidos, incluindo as de Princeton e Stanford, mas rejeitou os pedidos, e voltou para o Instituto de Steklov, em S\u00e3o Petersburgo, no ver\u00e3o de 1995 para um cargo de pesquisa. Em sua temporada nos EUA havia conseguido, disse, dinheiro suficiente para viver bem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Contextualizando sua maior descoberta, precisamos antes entender um pouco sobre a hist\u00f3ria da Topologia. No s\u00e9culo XVIII, uma antiga cidade prussiana chamada de K\u00f6nigsberg (hoje Kaliningrado, na R\u00fassia) possu\u00eda sete pontes sobre o rio Pregel, para conectar n\u00e3o s\u00f3 os dois lados da cidade, mas tamb\u00e9m duas ilhotas dentro do curso do rio (<a href=\"https:\/\/www.msn.com\/pt-br\/noticias\/ciencia-e-tecnologia\/grigori-perelman-o-g%C3%AAnio-que-resolveu-um-dos-maiores-problemas-matem%C3%A1ticos-do-mil%C3%AAnio-e-sumiu-do-mapa\/ar-AACCKAz?li=AAggV10&amp;fbclid=IwAR1C5xdBmZxlqKxsXqjNR1eQjkf5FRNaaInclEswFwRpVTS9BTb_LQVQSDg&amp;fullscreen=true#image=3\">representa\u00e7\u00e3o aqui<\/a>). Reza a lenda que as pessoas da \u00e9poca formularam um questionamento, que se converteu em um c\u00e9lebre problema:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u201cSer\u00e1 poss\u00edvel sair de casa em uma das quatro regi\u00f5es de K\u00f6nigsberg, cruzar todas as pontes uma \u00fanica vez e voltar ao mesmo ponto de partida?\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Eventualmente, em 1735, o grande matem\u00e1tico Leonhard Euler deu a resposta: n\u00e3o era poss\u00edvel. Mas o mais curioso \u00e9 que, na resolu\u00e7\u00e3o do problema, ele se deu conta de que as dist\u00e2ncias entre as pontes eram irrelevantes. O que realmente importava era como as constru\u00e7\u00f5es estavam conectadas entre si, o que faz com que a teoria n\u00e3o se limite unicamente \u00e0 cidade de K\u00f6nigsberg, mas sim a todas as configura\u00e7\u00f5es topologicamente iguais, dando in\u00edcio assim \u00e0 Topologia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Embora suas origens remetam \u00e0s pontes de uma cidade, foi s\u00f3 nas m\u00e3os de um dos mais famosos e respeitados matem\u00e1ticos do final do s\u00e9culo XIX, o franc\u00eas Henri Poincar\u00e9, que o tema se converteu em uma nova e poderosa maneira de enxergar a forma topol\u00f3gica.\u00a0 Poincar\u00e9 chegou a conhecer todas as poss\u00edveis superf\u00edcies topol\u00f3gicas bidimensionais. Al\u00e9m disso, desenvolveu todas as formas poss\u00edveis nas quais poderia envolver esse universo bidimensional plano. Por\u00e9m, como vivemos num universo tridimensional o matem\u00e1tico se perguntou: quais s\u00e3o as formas poss\u00edveis que nosso Universo pode ter?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Ele morreu em 1912, sem conseguir encontrar as respostas. O problema se converteu na &#8220;conjectura (ou hip\u00f3tese) de Poincar\u00e9&#8221; e ficou como legado para futuras gera\u00e7\u00f5es de matem\u00e1ticos, que por d\u00e9cadas n\u00e3o conseguiram resolver o problema para superf\u00edcies tridimensionais. Assim, a hip\u00f3tese de Poincar\u00e9 foi inclu\u00edda na lista dos sete problemas matem\u00e1ticos do mil\u00eanio, cuja resolu\u00e7\u00e3o seria premiada com $ 1 milh\u00e3o pelo Instituto Clay de Matem\u00e1ticas de Massachusetts, nos EUA.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Em 1982, o matem\u00e1tico Richard Hamilton havia publicado um artigo sobre uma equa\u00e7\u00e3o chamada &#8220;fluxo de Ricci&#8221;, com a qual suspeitava ser poss\u00edvel comprovar a conjectura de Poincar\u00e9. Mas a tarefa era extremamente t\u00e9cnica e sua execu\u00e7\u00e3o, complicada. Ap\u00f3s assistir algumas de suas palestras, Perelman lhe disse ter feito um estudo que poderia ajud\u00e1-lo nesses obst\u00e1culos. Hamilton, por\u00e9m, n\u00e3o lhe deu muita aten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o ele acabou trabalhando sozinho, e em 2002 publicou no site <em>arXiv<\/em> o resultado de seus esfor\u00e7os. Era a primeira de tr\u00eas partes de um artigo com o intrincado t\u00edtulo &#8220;A f\u00f3rmula de entropia para o fluxo de Ricci e suas aplica\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas&#8221;. O texto tinha 39 p\u00e1ginas e era assinado por ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Embora o artigo sequer citasse Poincar\u00e9, quatro anos mais tarde emergiu o consenso de que Perelman havia, de fato, solucionado a famosa conjectura. E se quatro anos parecem ser um per\u00edodo longo, \u00e9 bom lembrar que estamos falando da matem\u00e1tica. Diferente de outros campos do conhecimento, em que as teorias sempre podem ser revisadas, a prova de um teorema \u00e9 definitiva. No seu caso, ao menos duas equipes de especialistas se debru\u00e7aram sobre seu artigo para confirmar que n\u00e3o havia brechas ou erros, e a partir disso produziram estudos de centenas de p\u00e1ginas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Depois de mais de um s\u00e9culo de tentativas frustradas, a hip\u00f3tese de um matem\u00e1tico brilhante havia sido comprovada por outro tamb\u00e9m brilhante. Perelman recebeu nova chuva de ofertas &#8211; de pr\u00eamios, cargos, honras, pagamentos em dinheiro, convites para confer\u00eancias e fundos de pesquisa -, as quais considerou, segundo relatos, profundamente ofensivas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">&#8220;A monetiza\u00e7\u00e3o do \u00eaxito \u00e9 o m\u00e1ximo insulto \u00e0 matem\u00e1tica&#8221;, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Consequentemente, rejeitou a Medalha Fields, equivalente matem\u00e1tico a um Pr\u00eamio Nobel, por &#8220;suas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 geometria e suas ideias revolucion\u00e1rias&#8221;; um pr\u00eamio da Sociedade Matem\u00e1tica Europeia; o milh\u00e3o de d\u00f3lares que o Instituto Clay queria entreg\u00e1-lo por solucionar um dos problemas do mil\u00eanio. Ele afirmava que se a teoria estava correta, n\u00e3o necessitava de outro tipo de reconhecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0Ele logo deixou de falar com a imprensa; anunciou que pretendia abandonar a profiss\u00e3o e se aposentou para viver com sua m\u00e3e em um modesto apartamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">&#8220;N\u00e3o me interessa o dinheiro ou a fama. N\u00e3o quero estar em exibi\u00e7\u00e3o como um animal em um zool\u00f3gico&#8221;, disse certa vez.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">\u00a0 \u00a0A comunidade cient\u00edfica lamentou por ele ter se afastado. Por\u00e9m sempre podemos esperar que a qualquer momento ele apare\u00e7a com a solu\u00e7\u00e3o de mais algum dos problemas matem\u00e1ticos ainda existentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">.<\/span><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\"><b>Texto por: <\/b>Ricardo Gonzatto Rodrigues.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">[1] Osborn, Andrew (27 de mar\u00e7o de 2010). (<b>Russian maths genius may turn down $1m prize<\/b>). The Daily Telegraph. Consultado em 24 de julho de 2019. He has suffered anti-Semitism (he is Jewish) &#8230; Grigory is pure Jewish and I never minded that but my bosses did.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">[2] Dalia Ventura; BBC News. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-48521904&gt; Acessado em: 24\/07\/19.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">[3] Autor desconhecido; Clube de Matem\u00e1tica. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/clube.spm.pt\/news\/o-matemtico-russo-grigori-perelman-nasceu-a-13-de-junho-de-1966-isto-matemtica&gt; Acessado em: 24\/07\/19.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: times new roman,times,serif;font-size: 12pt\">[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_facebook][\/vc_column][\/vc_row]<\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] \u00a0 \u00a0Grigori Perelman nasceu em Leningrado, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (agora S\u00e3o Petersburgo, R\u00fassia) em 13 de junho de 1966 [1]. No final da d\u00e9cada de 1980, recebeu o t\u00edtulo &#8220;Candidate of Sciences&#8221; (o equivalente, no Brasil, para doutorado) na Escola de Matem\u00e1tica e Mec\u00e2nica da Universidade Estadual de Leningrado. 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